Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Revolução cubana 14/Jul/2012 às 23:24
1
Comentário

Após 50 anos, ajuda humanitária partindo dos EUA chega à Cuba

O embargo dos Estados Unidos a Cuba é uma medida econômica, comercial e financeira, imposto a Cuba pelos Estados Unidos que se iniciou em 7 de Fevereiro de 1962 e perdura até os dias atuais

O Porto de Havana recebeu, nesta sexta-feira, após meio século de embargo dos EUA ao regime comunista, o primeiro barco norte-americano com um carregamento humanitário e encomendas dos cubanos que moram em Miami aos parentes que ficaram na Ilha. A travessia atrasou por mais 24 horas devido à burocracia na saída dos EUA. O barco “Ana Cecilia”, que era esperado na quinta-feira em Havana, entrou às 07h06 locais (08h06 de Brasília), pouco depois do amanhecer, no canal da baía de Havana para atracar no cais de contêineres e retirar sua carga.

ana cecília cuba eua

Após 50 anos, uma embarcação dos EUA aporta em Cuba. Imagem: Agências

A demora foi causada por problemas nos trâmites administrativos, disse a empresa proprietária da embarcação, International Port Corp., que negou obstáculos do tipo político no início deste histórico serviço marítimo entre dois países distanciados por causas políticas há meio século.

Leia mais

– O problema foi a burocracia e, basicamente, a culpa foi nossa, porque preenchemos o formulário incorretamente – disse a jornalistas, em Miami, o porta-voz da companhia, Leonardo Sánchez-Adega.

Para não violar o embargo norte-americano ao governo instalado após a Revolução Cubana, em vigor desde 1962, a empresa pretende atender à demanda de grupos religiosos, organizações não governamentais e instituições beneficentes autorizadas a enviar carregamentos humanitários a Cuba.

– Mas também temos como clientes familiares de pessoas em Cuba – esclareceu Sánchez-Adega.

A maioria dos 1,2 milhão de cubanos emigrados da ilha comunista vivem no Sul da Flórida, distante apenas algumas horas de Havana.

Embargo criminoso

O embargo dos Estados Unidos a Cuba é uma medida econômica, comercial e financeira, imposto a Cuba pelos Estados Unidos que se iniciou em 7 de Fevereiro de 1962 e perdura até os dias atuais. A medida, considerada “criminosa” por parte de organismos internacionais de ajuda humanitária, foi convertida em lei em 1992 e ratificada em 1995. Em 1999, o presidente Bill Clinton ampliou este embargo comercial proibindo que as filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de comercializar com Cuba, a valores superiores a US$ 700 milhões anuais. A medida está em vigor até hoje, tornando-se um dos mais duradouros embargos econômicos na história moderna.

Apesar da vigência do embargo, é importante notar que nem todo comércio entre Estados Unidos e Cuba está proibido. Desde 2000 foi autorizada a exportação de alimentos dos Estados Unidos para Cuba, condicionada ao pagamento exclusivamente à vista (antecipado: as mercadorias devem ser pagas antes do navio zarpar do porto norte-americano), e os Estados Unidos são o sétimo exportador de alimentos para a ilha, nisso se incluindo sua ajuda humanitária (envio gratuito). De 1992 a 1999, os Estados Unidos enviaram mais ajuda humanitária a Cuba que todos os então quinze membros da União Européia e a América Latina.

Em casos de tragédias, como o furacão Michelle, os Estados Unidos também enviaram ajuda humanitária de emergência. Cuba já gastou cerca de US$ 1,8 bilhões importando alimentos dos EUA, dos quais US$ 474 milhões em 2004 e US$ 540 milhões em 2005, segundo dados da ONU. Este embargo permanece uma questão extremamente controversa em todo o mundo, e é formalmente condenado pelas Nações Unidas. A Assembléia Geral das Nações Unidas em 2007, “determinada a encorajar o estrito cumprimento dos objetivos e princípios consagrados pela Carta das Nações Unidas” (…) e “reafirmando, dentre outros princípios, a igual soberania das nações, a não-intervenção e a não interferência em seus assuntos internos “(..) condenou, pela 16º vez consecutiva, o embargo imposto a Cuba pelos Estados Unidos, por 184 votos a quatro. Votaram a favor da manutenção do embargo apenas os próprios Estados Unidos, apoiados por Israel, Palau e Ilhas Marshall.

Essa última Resolução da ONU, aprovada dia 30 de outubro de 2007, pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba “o mais rápido possível”. Segundo a agência inglesa de notícias BBC “todos os que se manifestaram na Assembléia Geral denunciaram o embargo norte-americano, considerado desumano e um vestígio da Guerra Fria”. A Resolução da ONU foi aprovada uma semana após o presidente George Bush ter declarado que “o embargo contra Cuba será mantido enquanto o regime comunista estiver no poder na ilha”. Essa Resolução da Assembléia Geral da ONU, no entanto, não tem força legal para ser imposta contra seus infratores.

O embargo é criticado até mesmo por tradicionais críticos do regime comunista de Cuba, como críticos conservadores, que argumentam que o embargo na verdade mais ajudou Raul Castro do que o atrapalhou, ao proporcionar-lhe um bode expiatório para se isentar de todos os crônicos problemas da ilha. Empresários e negociantes argumentam, por sua vez, que a proibição de comércio com os Estados Unidos ajuda a outros países, que poderão ter vantagens do pioneirismo assim que o embargo for suspenso. Outro motivo citado pelos críticos ao embargo que é o isolamento de Cuba prejudica as relações dos Estados Unidos com os países latino-americanos, e a proximidade entre os regimes socialistas do continente e Fidel Castro cria um bloco anti norte-americano.

Correio do Brasil

Tags

Recomendados para você

Comentários

  1. Walter León Postado em 15/Jul/2012 às 13:05

    Nao habendo mais subterfugios politicos do cunho comunista e tendo em vigor uma politica mais pragmâtica a USA tem um compromisso moral perante o mundo,por ter isolado e castrado o goberno de Cuba da livre comercialização de produtos o que corresponde a empobrecer esta sociedade que ate então nunca postrou-se joelhos perante o capitalismo neoliberal o que bem reforçar para Cuba como Reserva Moral da Humanidade,aja visto a ajuda mêdica e ensino que propiciaram a LA en favor do seu desenvolvimento humanitario