Redação Pragmatismo
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Racismo não 22/May/2012 às 15:09
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Racismo no Brasil e cotas viram pauta na imprensa mundial: um debate valioso

Conversar sobre a discriminação racial, sobre a segregação e a exclusão raciais, e sobre a luta dos afrobrasileiros por cidadania tende a provocar, na maioria da população branca brasileira, um visível desconforto, um claríssimo mal estar, um mal disfarçado desejo de que a conversa termine logo.

O Programa The Stream, da reconhecida Tv Al Jazeera, promoveu na última semana uma importante discussão sobre a aplicação das cotas raciais nas universidades brasileiras, em que foram também discutidos o mito do Brasil como nação democraticamente racial e a trajetória do negro brasileiro dentro de um contexto histórico até a contemporaneidade. Participaram do debate o professor Idelber Avelar, da Revista Fórum; Demétrio Magnoli, geógrafo e presença carimbada na mídia tradicional quando o assunto é cotas, e para quem não existe racismo no Brasil; e Athayde Motta, do Fundo Baobá para a igualdade racial. Infelizmente ainda não há legenda para o vídeo, mas quem ao menos tiver uma noção básica de inglês pode se arriscar a compreender a relevância do debate que segue. Caso contrário, abaixo do vídeo estão postas considerações em escrito sobre a repercussão do programa da Al Jazeera.

Confira também abaixo a repercussão e as considerações adicionais de Idelber Avelar sobre o debate na Tv Al Jazeera.

Uma proposta de exercício e de ética da escuta para quem não é vítima de racismo

(Texto dedicado à família Miguel)

À raiz do debate de semana passada na Al Jazeera, voltaram a acontecer, no meu Facebook, email e Twitter, algumas discussões sobre racismo brasileiro que, apesar sempre saudáveis, com frequência repetem uma dinâmica bastante comum no país. Aprendi, com os anos, que essa dinâmica tem que ser descrita com cuidado, para que a própria descrição não termine reforçando-a. Eu me refiro à dinâmica estudada pela Ana nesse texto magistral, Não é sobre você que devemos falar.

racismo brasil cotas raciais

Debate sobre cotas raciais no Brasil na Tv Al Jazeera. (Imagem: edição Pragmatismo Politico)

Trata-se de um dos maiores obstáculos que se enfrenta no combate ao racismo brasileiro, e ele pode ser resumido mais ou menos nos seguintes termos. Os brancos brasileiros tendemos a acreditar sinceramente, a crer piamente, a estar convictos, de que sabemos o que é o racismo sem jamais termos feito o exercício de escutar suas vítimas. A dinâmica se agrava pelo fato extraordinário e mui curioso, bastante próprio do Brasil, de que 86% dos brancos brasileiros afirmam não ter preconceito contra negros, mas nesse mesmíssimo universo, 92% reconhecem que existe racismo no Brasil.

Conclusão: o branco brasileiro se acha uma ilha de tolerância cercada de racismo por todos os lados, racismo ao qual, curiosamente, ele se crê imune. É um caso inédito na história da sociologia. Ao mesmo tempo em que se crê imune, o branco brasileiro tende a ter, sobre o fenômeno, uma opinião bastante convicta, sem jamais ter tomado a iniciativa de tentar escutar um negro sobre o que é ser vítima de racismo. O branco não vê, nessa atitude, nenhuma herança racista.

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O resultado é extraordinário: praticamente todos os brancos brasileiros reconhecem que há racismo no país, praticamente todos eles dizem que não são parte dele, e mantêm ambas opiniões sem jamais ter feito o esforço metódico, sistemático, de ouvir as vítimas do racismo. Não se costuma, no Brasil, ver a contradição entre essas três coisas. Coisa mais incrível ainda é que, ao serem perguntados se conhecem alguma pessoa racista, os entrevistados, em sua grande maioria, apontavam pais, irmãos, tios, amigos ou namorados. Ou seja, o ambiente ao redor está inteirinho contaminado de racismo, só eu que não!

O racismo brasileiro, que está em todos os lugares mas nunca em nós mesmos, produz, a partir daí, um segundo efeito bastante perverso: conversar sobre a discriminação racial, sobre a segregação e a exclusão raciais, e sobre a luta dos afrobrasileiros por cidadania tende a provocar, na maioria da população branca brasileira, um visível desconforto, um claríssimo mal estar, um mal disfarçado desejo de que a conversa termine logo. É como se o racismo não existisse até o momento em que passamos a conversar sobre ele.

No caso da discussão sobre as cotas, por exemplo, eu ouvi, algumas dezenas de vezes, a reclamação de brancos brasileiros de que não dava pra discutir aquilo porque não se sentiam confortáveis para se oporem a essas medidas de reparação sem serem chamados de racistas. A apreensão é bizarríssima, porque estou nesse debate há mais de uma década e jamais vi um ativista do movimento negro, um militante pró-cotas, um representante de organização afrobrasileira chamar alguém de racista porque se opõe às cotas. Na verdade, eu nunca vi essa acusação ser feita nesses termos “ah, se você é contra as cotas, você é racista”. Mas esse é o fantasma evocado uma e outra vez para terminar a conversa. Se algum marciano pousasse no Brasil, sem conhecimento do contexto, e escutasse tudo isso, ele provavelmente concluiria que o grande problema racial brasileiro é que muitos brancos bem-intencionados estão sendo chamados de racistas.

Vi gente de esquerda (esquerda mesmo) me escrever esta semana dizendo “será que não posso questionar se as cotas são a melhor forma de combater o racismo sem ser chamado de racista?” A angústia é genuína e o fato de que ela seja expressa assim, sem a menor consciência de que talvez ela tenha algo a ver com o racismo, só mostra como é longo o caminho que temos que andar. São 386 anos de escravidão. Décadas e décadas de violência policial racista e exclusão. 512 anos de discriminação. O movimento negro decidiu que queria essa vitória, essa conquista: as cotas. Elas foram implantadas. Os resultados são melhores do que os esperados: a evasão dos cotistas é menor que a dos não cotistas e suas notas são iguais ou melhores. O Supremo Tribunal Federal validou a constitucionalidade do projeto. E há branco brasileiro esclarecido, de esquerda, escrevendo “será que não posso questionar se as cotas são a melhor forma de combater o racismo sem ser chamado de racista?”, como se ela fosse contraditória com outras formas, como se ela tivesse que ser a melhor para ser eficaz. Pior de tudo, o branco brasileiro esclarecido, de esquerda, escreve isso e não vê na frase nenhuma herança racista.

O remédio para se combater esse fenômeno só pode ser um: desenvolver uma ética da escuta. E é com esse chamado que eu termino, para que você realize um exercício que venho realizando há duas décadas: se você é um branco brasileiro, seja lá de que origem for, que tal tentar procurar, na sua cidade, ao longo do próximos meses, cinquenta cidadãos afrobrasileiros? Pergunte a eles sobre sua experiência. Concentre-se em ouvir. É a experiência deles que importa aqui. Não é sobre você que devemos falar. Pergunte, por exemplo, como é andar de noite por uma metrópole brasileira sendo negro. Pergunte se ele/ela já foi objeto de revista policial arbitrária. Pergunte se eles já foram agredidos com epítetos raciais. Pergunte se já foram barrados em algum lugar sem razão aparente. Pergunte se já foram interpelados ou olhados como se não tivessem o direito de estar onde estão. Pergunte se já viram parentes serem humilhados por causa da cor da pele. Faça estas e outras muitas perguntas possíveis (por exemplo, sobre a experiência de somente ver garis, porteiros e flanelinhas parecidos com você, enquanto seus amigos brancos veem médicos, advogados e engenheiros parecidos com eles). Leve em conta, neste tipo de exercício, que se você, branco, estiver conversando com um negro que lhe é subordinado, há uma possibilidade de que, dependendo de como a pergunta for feita, ele diga o que você quer ou precisa ouvir, por falta de confiança, por falta de costume, pela dor e pela humilhação envolvidas, pelos anos todos em que foi quase proibido de falar sobre o assunto (já há, inclusive, estudos acadêmicos sobre esse fenômeno). Lembre-se que o racismo é assunto delicado, mesmo no interior de famílias negras, e a conversa sobre ele, envolvendo negros e brancos, uma grande novidade no Brasil. Paute sua sensibilidade a partir desses fatos.

Ouça, ouça, ouça. Concentre-se na experiência deles, não na sua. Depois que concluir esse experimento, com cinquenta co-cidadãos seus, volte aqui e me conte.

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Comentários

  1. Marcos Bicalho Postado em 22/May/2012 às 17:21

    Não entendí nem o 4º nem o 5º parágrafo de "Uma proposta.... ". Sou branquelo, nunca sofrí preconceito de cor, mas sofro o social, sou a favor das cotas para tudo, meu pai é racista, minha mãe, minha sogra, e eu, quase de esquerda, também? O que que eu faço? Generalizar é meio estranho para quem busca ser compreendido e respeitado. Pior quando em nome de uma grande parte da humanidade.

  2. rafael Postado em 23/May/2012 às 05:15

    se tivéssemos posse coletiva dos locais e instrumentos de trabalho, marcos, TALVEZ pudéssemos passar sem cotas como as que os EUA têm.

  3. luiz Postado em 24/May/2012 às 23:53

    seu texto é ótimo mas tem um porém: sou contra as cotas e fui chamado de racista quase todas as vezes em que afirmei minha posição, encerrando sempre aí a chance de argumentação.

  4. Bruno Postado em 30/May/2012 às 18:51

    Seu texto não é bom! Não preciso perguntar para 50 afrodescendentes da minha cidade (conheço mais de 50 NEGROS e não afrodescendentes, eu apesar de ter a cor da pele branca sou afrodescendente, pois como a palavra diz, sou descendente de africanos, meu pai é moreno, meu avo é moreno e meu bisavo era negro, mas a minha pele é branca, por causa dessa mistura vários parentes meus são negros, não preciso perguntar a 50 pessoas aleatoreamente, pergunto aqueles que eu conheço, tenho intimidade e fazem parte do meu cotidiano). Sempre defendo que é preciso acabar com a idéia de raça, cor de pele não define raça, a humanidade não esta dividida em raça, raças não existem, só existe uma que é a humana. Quanto a discriminação por cor de pele nós devemos lutar para acabar com ela e a melhor alternativa é desconstruindo a idéia (recente) de que existem diferentes raças humanas e não tentando fazer uma "segregação ao avesso" creio que as cotas devem existir mas por renda e não por cor de pele. Quanto a suas eficácias façamos um simples exercicio: imagina uma universidade igual a UNB onde as cotas são "raciais" (que palavra horrível) e uma porcentagem de, digamos 30% das vagas devem ir para alunos negros e pardos. Primeiro, como definir o negro e o pardo? Existem muitos tons de pele que são aceitos como "negro" e "pardo" no Brasil, mas uma pessoa como eu poderia muito bem se declarar "parda" e se beneficiar da cota. Se ela fosse apenas para "negro" será que alguem com a cor de pele do Romário poderia ser beneficiado? e da cor de pele do Ronaldo Fenomeno? Teremos que definir quem é negro ou não e isso tira do cidadão o poder de se definir! Por fim, quem será o primeiro beneficiado caso a cota leve em consideração apenas a cor da pele? Acho que o filho do ministro do supremo Joaquim Barbosa não precisaria de cota para entrar em uma universidade de qualidade, os do Pelé tambem não e o do deputado Edson Santos, seus filhos com certeza não precisarão das cotas, mas na prática a cota "racial" vai beneficiar essas pessoas, aqueles negros que realmente precisam vão ficar por último e muitos nem aprovados serão, sem contar aqueles que tem a cor de pele branca (e provavelmente a mesma constituiçao familiar que a minha, ou seja, parentes e ascendentes negros) mas também são pobres, estes sofrerão duplamente! A cota por renda vai atender a quem realmente precisa independente da cor da pele, nós devemos desenvolver outros mecanismos de combate a descriminação por cor de pele, de preferência destruindo o conceito de "raças"!! Só para polemizar no final... o maior problema do preconceito por cor de pele no Brasil não esta no período da escravidão e sim no desenvolvimento das idéias racialistas e o darwinismo social que impregnou o país nas primeiras décadas do século XX, podemos falar sobre isso depois!!!

  5. Lyndy Luca Postado em 14/Jun/2012 às 09:28

    Achei o texto esplêndido! Só quem sente na pele o preconceito sabe o que ele é! Sou branca, mesmo bem branca, com todo o biotipo europeu, mas sou totalmente solidária ao sofrimento de mais de trezentos anos em que nossos irmãos negros foram retirados de suas terras, famílias, e levados para terras estranhas para serem escravizados pelos brancos! Mas sei um pouco do que é sofrer preconceito, sendo homossexual. Quem nunca sofreu isso na pele, vai ser muito difícil entender os motivos pelos quais são criadas leis que tentem fazer valer o que diz nossa Constituição Brasileira, em que, teoricamente, todos são iguais, em deveres e direitos, mas que, na prática, sabemos muito bem que não é. Sim, Bruno, você está certo, em sua essência, quando diz que "não existem raças, apenas a raça humana". Na verdade, as raças existem, sim. E creio que Deus nos tenha criado dessa forma justamente para que, contemplando as nossas diferenças (físicas, ou culturais, que são peculiares das raças), pudéssemos nos completar, e não, segregar. Se as raças existem, há uma finalidade por detrás disso. A questão está em recebê-las com naturalidade, porque, como eu sou de uma forma, e desejo ser respeitada, da mesma forma acontece com os outros. A questão é de educação. É do berço que nasce essa compreensão, no seio de uma família responsável, de pais conscientes, que educam seus filhos com a visão de que, sim, existem as raças!, mas que isso apenas nos acrescenta, JAMAIS diminui, ou torna o outro melhor ou pior que nós. Mas quando não há essa consciência do povo, da nação, há sim, que se estabelecer leis para a proteção daqueles a quem vêm sendo mal-tratados há centenas de anos! São ações de correção de erros atrozes, absurdos, hediondos! Mas algo deve ser feito, e a população branca que se opor a essa ação corretiva demonstra ingratidão e nenhum remorso quanto ao que nós, brancos, fizemos nossos irmãos negros serem submetidos. É o que eu penso a respeito. ao invés de ficarmos criticando a lei (apesar de, como cidadãos, termos esse direito, tal como filhos de Deus temos o livre-arbítrio, que nos fará colher os nossos atos), deveríamos muito mais estarmos preocupados com a educação que damos em casa para os nossos filhos. Se assim fosse, tais leis não seriam minimamente necessárias. "Tudo melhora por fora para quem cresce por dentro." "Seja você a mudança que quer ver no mundo." "Você não está sendo oprimido quando um outro grupo ganha os direitos que você sempre teve."

  6. Roberci Postado em 13/Aug/2012 às 01:44

    Cotas! Para que cotas! Pelo amor de Deus, cotas não resolvem nada, o que resolve são planejamento e políticas bem aplicadas. Como exemplo, cotas para universidades, pelo amor de Deus, se houvesse uma política educacional de base eficiente e ampla não precisaria de cota nenhuma, agora cota porque o fulano e negro! E a mesma coisa que chegar perto de um negro e dizer, olha eu sou o estado e cumpro muito mal e porcamente minha função, como você e preto logo, também e burro e não consegue fazer nada sozinho, entra ai na faculdade vai! Eu ajudo. E tem mais, universidade federal deveria cobrar de quem tem condições.

  7. Lucia Medeiros Postado em 21/Sep/2012 às 11:43

    Sou contra cotas raciais porque elas são inconstitucionais : a constituição veda qualquer tipo de discriminizaçao! Sou a favor das cotas sociais porque se referem , não a uma qualidade da pessoa mas ao sistema econômico ... As cotas são uma importação estrangeira, um Novo colonialismo ...e trazem efeitos estranhos a nossa cultura... Vai se criar um cidadão de segunda classe: o das cotas raciais... Existe uma elite negra no Brasil e ela patrocina essas idéias norte- americanas porque suas bolsas de estudo foram da Fundaçao Ford... E eu já fui chamada de racista por dizer isso...

  8. Mariluse da Conceição Postado em 15/Nov/2012 às 12:47

    Bruno a ideia de raça aqui se refere a uma forma política, os direitos de um grupo étnico simbolicamente representada na palavra raça, como força política organizada. pois como já sabemos só existe uma única raça a humana e todos os outros são considerados grupos étnicos (outros). Outra questão tanto as cotas raciais, como as outras estão vinculadas sim a questão socioeconômica. E passam por um rigoroso questionário e documentação comprobatória da situação econômica, ao qual existe uma renda percapta estipulada para que possa ter o direito garantido. Então os exemplos citados acima como filhos de políticos, jogadores etc. não conferem.

  9. Rogerio Araujo Postado em 30/Nov/2012 às 21:54

    A classe média tem todo o direito de se opor ao sistema de quotas. E os negros pobres tem todo o direito de reivindicar cotas. Mas acho estranho que meu filho, por ter estudado em escola particular, seja excluído, apesar de ser afrodescendente. Fica muito estranho. Nos EUA, eles tem o maior PIB do mundo, renda per capita infinitamente superior ao Brasil e possibilidades de trabalho qualificado em muito maior escala. Lá, faz sentido discutir quotas: estão discutindo acessos à riqueza do país. Aqui, sem levarmos em conta um aumento real de PIB e de renda per capita, o sistema de quotas pode ser visto pelo seu oposto: levar gente da classe média para a classe baixa. O que se quer dividir é a pobreza. Os ricos, não serão afetados. Os negros estão cobertos de razão, a justiça que pedem é uma exigência vigorosa e necessária, mas o sistema de quotas está sendo imposto à classe média e não sejamos hipócritas de dizer: "agora vocês tem que ser bonzinhos e dividir a pobreza com a gente". Ninguém quer isso e ninguém deve ser obrigado a concordar. Infeliz este país que para reparar uma injustiça tão grande - e que deve ser reparada - precisa criar outra.

  10. Rodrigo Postado em 08/Dec/2012 às 17:22

    Ótimo texto e perfeita abordagem a respeito da grande evolução contra o preconceito racial/social que começou a fazer parte de todo brasileiro. Não ouvimos mais apenas sobre novela, futebol e entretenimento, agora escutamos os passos de todos os prejudicados historicamente no brasil/mundo. Nos próximos anos, digo década, veremos médicos, advogados, dentistas, administradores de empresa, CEO, investidores de todas as cores! Entraremos dentro de salas de hospitais e não vamos nos sentir estranhos por ver pessoas negras cuidando de nossas vidas ou quando praticar um crime e solicitar um advogado público, encontraremos excelentes e muito bem esclarecidos e estudados em suas áreas, grandes profissionais, pois atualmente, o numero em percentual de pessoas graduadas nessas áreas citadas acima são brancos. Quando não existir mais aquela sensação inata de "estranhesa" ao ver um excelente profissional diferente do que fomos criados a "achar certo(branco)", será o momento em que a guerra travada durante décadas pelos movimentos de medidas Afirmativas terá finalmente seu esforço e luta finalmente reconhecidos, pois daqui a algum tempo não precisaremos mais falar sobre preconceito racial/social e sim de futebol e novela.

  11. antoine Postado em 17/Dec/2012 às 16:50

    Além do branco de classe média afirmar que não é racista, ele ainda transfere essa responsabilidade pros negros, dizendo que estes sim são muito mais racistas que os brancos.

  12. Gabriel Postado em 17/Dec/2012 às 16:58

    Para que cotas???? SE houvessem políticas públicas..., SE houvesse educação pública de qualidade..., SE, SE SE... NÃO HÁ NADA DISSO!!!!! E os negros continuam a sofrer preconceito, continuam a carregar séculos de escravidão nas costas, continuam a sofrer perseguição policial, continuam excluídos! Agora os escravocratas acham que os negros podem esperar mais quantos séculos para esses "SE" deles se realizarem, se é que se realizarão? Chega de cinismo!!!! Isso é racismo puro!

  13. joao Postado em 17/Dec/2012 às 20:48

    tem um monte de canalhas racistas travestidos de comentaristas ,vão para o inferno eu acho que esta questão se resolve com guerra ,muita bala na cabeça da racistada e as pessoas de outras raças e cores que forem boas certamente lutarão ao nosso lado.

  14. joao Postado em 17/Dec/2012 às 20:53

    ahaha o nosso representante fala um ingles melhor e muito muito mais fluente de que a praga do magnoli ,alias o magnoli merece bala na cara esse racista fdp

  15. Emmanuel Postado em 18/Dec/2012 às 16:16

    Vale a pena deixar claro que essa é apenas a sua opinião sobre o assunto, pois o seu texto não pertence a um senso comum, inclusive porque muitos, assim como eu (e creio que você também), já tivemos a oportunidade de conhecer pessoas negras e pardas que são absolutamente contra o sistema de cotas raciais. Esse sistema só colabora para aumentar a segregação, pois taxa automaticamente uma pessoa negra/parda de coitada, burra, incapacitada, entre outras características piores que não é preciso citar, e também faz com que constantemente recriemos a ideia de racismo dentro de nossa mente. O argumento de "dívida histórica" também apresenta-se inválido, pois insiste em "mexer" na escravidão, cutucar erros brancos do passado, remoer uma história que a maioria das pessoas, de quaisquer etnias, não quer relembrar (e isso não "para não tocar no assunto", mas sim como um simples ato de decência). E repito, quando digo isso não falo apenas por mim: falo junto com todos os meus amigos negros/pardos que também afirmam o mesmo. Algo com que todos concordamos certamente é que devemos melhorar o ensino público (e isso não corresponde apenas ao governo, mas também a toda a população), criando formas de aprendizado padronizadas; a mudança deve acontecer a partir do começo (Ensino Fundamental) e não do fim. E o governo deveria, ainda assim continuando a investir em reformas no ensino primário desde cedo, manter as únicas cotas que estão corretas, pelo menos a meu ver, que são as cotas para pessoas de classe baixa e com renda pequena (independentemente da etnia) , que às vezes não têm condições econômicas sequer para se preparar para um vestibular. Enfim, não gosto de clichês, mas, para concluir, uma frase de uma entrevista recente do Morgan Freeman que é genial e que resume a minha ideia, é mais ou menos assim: "Se você parar de me chamar de 'homem negro' e eu parar de te chamar de 'homem branco', e começarmos a nos chamar pelos nossos nomes, não existirão coisas como o racismo. O dia em que pararmos de nos preocupar com Consciência Negra, Amarela ou Branca e nos preocuparmos com Consciência Humana, o racismo desaparecerá."