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Mulheres violadas 25/May/2012 às 15:50
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Ministério Público move ação contra quadros 'discriminatórios' do Pânico na Band

Especialistas em comunicação advertem sobre perigo do 'humor fácil' na TV. Pós-doutora em cinema e televisão e professora da Universidade de Brasília (UnB), Tânia Montoro explica que o tipo de humor apresentado no programa incentiva discriminação e a violência

pânico na band

A primeira providência a ser tomada é reclassificar o programa. Essa mudança é um instrumento importante para preservar esse público infantojuvenil de programas inadequados, afirma Cláudio Ferreira, jornalista e mestre em Comunicação

Especialistas em comunicação advertem que programas exibidos pelas emissoras de televisão têm um efeito em cadeia na educação das crianças e adolescentes. Para eles, um programa que contenha cenas de violência e que exponha a figura feminina, por exemplo, deve ir ao ar em um horário no qual apenas adultos acompanhem a exibição. Também alertam sobre as ameaças de agravamento da violência e da discriminação por meio da banalização do chamado humor fácil.

Para a pós-doutora em cinema e televisão e professora da Universidade de Brasília (UnB) Tânia Montoro, o tipo de humor apresentado no programa incentiva a violência. “Esse tipo de humor de naturalização da violência simbólica contra o feminino presta um desserviço à população brasileira”, disse ao se referir ao programa Pânico na Band. “Existe um conceito filosófico comprovando que as pessoas em formação imitam o que veem com frequência. O programa passa ensinamentos de discriminação e atos violentos”, completou.

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O Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos entrou hoje (24) no Ministério Público Federal (MPF) com uma representação em que pede a retirada do ar dos quadros A Academia das Paniquetes e O Maior Arregão do Mundo, exibidos no programa Pânico na Band. Para o conselho, a atração da emissora de TV Band reproduz exemplos negativos para crianças e adolescentes, estimula a discriminação e constrange a figura feminina.

Tânia Montoro disse ainda que é contrária a qualquer tipo de censura dos meios de comunicação. Mas advertiu: “A sociedade está cansada desse tipo de programa humorístico”. “O fato de ter audiência não significa em momento algum que formas grotescas possam ser incentivadas. Agredir as pessoas não é humor e, sim, violência.”

O jornalista e mestre em comunicação visual Cláudio Ferreira defendeu a revisão da chamada classificação indicativa do Pânico, assim como de seu conteúdo. “A primeira providência a ser tomada é reclassificar o programa. Essa mudança é um instrumento importante para preservar esse público infantojuvenil de programas inadequados. É obrigação do Estado rever a classificação indicativa. Ao perceber que tem conteúdo inapropriado, deve-se mudar o horário de exibição.”

Para o professor, as autoridades e a sociedade devem exigir qualidade na programação de televisão. “Temos várias formas de fazer pressão para que um programa como esse tenha boa qualidade, mas, com o humor, é um pouco mais difícil, porque às vezes perde-se o limite de respeito. Vivemos em uma sociedade com muitos problemas de educação. A televisão, além de ser um meio de comunicação, é um meio de instrução para as pessoas. Ela mostra o comportamento e pode influenciar nesse sentido”, disse ele.

Talita Cavalcante e Juliana Andrade, Agência Brasil

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Comentários

  1. lindemberg Postado em 25/May/2012 às 16:13

    Realmente dou toda razao,aos doutores ...Esse programa é uma verdadeira porcaria,otimos tempos onde tinhamos o chico anysio,os trapalhoes ,tv pirata,sai de baixo ...Isso que hoje chamam de humor,nao é humor é uma agressaoa inteligencia . Tem que sim ,colocar pra um horario bem mais tarde,pois adolescentes nei criança podem ficar assistindo esses programas banais.Ja nos basta as novelas.

  2. silvana coelho Postado em 25/May/2012 às 16:17

    Sinto alguma esperança quando ouço vozes sensatas que se levantam em defesa de um público que está longe de saber selecionar o que é bom ou não nas nossas redes de TV.

  3. John Curcio Postado em 27/May/2012 às 06:31

    Não sei se é o programa que realmente usa de um humor barato, malfeito e cujo principal objetivo é insultar; ou se é o Brasil que é muito ressentido/hipócrita. Porque programas americanos como South Park fazem muito pior e não sofrem tais represálias, porém SP faz isso de forma inteligente e sarcástica, o que preserva o humor e não o torna pífio. De qualquer forma, ainda creio que o problema seja o programa! Acho que eles deveriam repensar esse aspecto humorístico mencionado no texto.

  4. Carina Postado em 29/May/2012 às 23:29

    com toda certeza, enquanto vivenciarmos esse liberalismo na televisão brasileira, sem uma política de privacidade, que atente ao respeito e a ética, como também a maneira de se fazer humor, sem ter que apelar para a baixaria, agressão ou todo e qualquer tipo de sensacionalismo...; continuaremos cada vez mais vendo pessoas sendo influenciadas e manipuladas pela mídia televisiva.

  5. Claudio Postado em 30/May/2012 às 19:19

    Sou contra a proibição dos quadros. O que deve ser feito é a reclassificação do programa de acordo com as legislações vigentes.

  6. Filipe Postado em 31/May/2012 às 15:43

    Sou contra as faixas indicativas, isso é uma forma do Estado controlar o que a população assiste. Os quadros do Panico na Band são discriminatórios ? Talvez ! Quem deve controlar o que os filhos assistem são os pais e não o Governo. Isso é o começo de uma censura na televisão em pleno Séc. XXI ... Agora, se formos analisar bem o que os especialistas estão dizendo, vamos começar primeiro pelas novelas da Rede Globo ...

  7. Ayrton Postado em 31/May/2012 às 23:47

    Eu não sei não...como é em Cuba? Vamos perguntar para Raul Castro se fazer piada de bicha é politicamente correto!

  8. Vil Postado em 01/Jul/2012 às 23:29

    Um conceito filosofico...........hehehe muito bom,não que a discursão não tenha importancia,mais esse "remedio" ai tem que ta no bolo tb.

  9. Natália Postado em 02/Jul/2012 às 12:33

    Pinico na TV. Infelizmente aí é a lei da oferta e da demanda: parem de assistir e eles páram de gravar essas merdas. Só que sabemos que pras pessoas passarem a fazer melhores seleções do que irão assistir a mudança deve ser bem mais profunda.

  10. Edvaldo Postado em 06/Jul/2012 às 21:16

    Só esqueceu de falar das novelas da Globo que promovem a baixaria total, reality show, aquela armação que um negro jamais ganha, o programa Zorra Total que faz bullying até com a presidenta, isso pode? Ah é mesmo, a Globo pode tudo.

  11. Matheus Vieira Postado em 12/Jul/2012 às 23:16

    @John Curcio - My friend, até onde me lembro South Park era exibido após o horário nobre, sempre depois das 10 horas. A partir desse horário as classificações dos programas geralmente são para os adultos.

  12. Matheus Vieira Postado em 12/Jul/2012 às 23:19

    Além do que as pessoas se esquecem da ação tomada como simbolismo. O Pânico é um programa de grande circulação midiática e popular. Caso haja a reclassificação do programa, editores pensarão duas vezes antes de colocar lixo na TV. Outra coisa, não é hipocrisia conter a banalização de certos comportamentos. As pessoas precisam aprender a ter limites, e ninguém deve se sentir acima de nada para agir ou falar o que bem quer. Todo mundo se defende no discurso de censura quando alguns freios são colocados. A perpetuação de certas imagens bestializam as pessoas, destroem a inteligência e a imaginação.

  13. Gabriel Gonzaga Postado em 24/Jul/2012 às 21:49

    Achei exagerado. Me pergunto se o Johnny Knoxville também tinha de aguentar essa encheção de saco dos moralistas americanos, quando ele fazia o "Jackass". O Pânico é um programa de humor apelativo, fato. Porém a apelação que eles fazem é COM OS PRÓPRIOS MEMBROS do programa, gente que ASSINOU UM CONTRATO, gente que é PAGA para fazer o que faz. Seria errado se eles pegassem pessoas aleatoriamente na rua para fazer isso, mas não fazem. Com todo o respeito aos Doutores, Mestres, Pós-Graduados summa cum laude, cuidem de suas vidas.

    • Moderação Postado em 24/Jul/2012 às 21:58

      Gabriel, o Jackass enfrentou seríssimos problemas não apenas em setores da sociedade estadunidense organizada - sejam conservadores, ou não - mas no parlamento dos EUA.

  14. Felipe Silva Postado em 07/Jan/2013 às 14:32

    O que eu acho mais engraçado é o variado público desta mídia inteligente que ainda tem a melhorar (Que parabenizo pelo trabalho) comentam, mas que também é interessante para conhecer o lado da ignorância que os mesmo desconhecem, o Brasil como país em desenvolvimento é muito mais maduro em diversos aspectos que os países desenvolvidos, nossa programação de humor fácil, novelas, entre outros que passam a tarde (que se auto-dominam para mulheres) são cheios de machismo, sexismo, classismo dentre outros preconceitos. Alguns(se não a maioria) programas americanos (que detalhes, são de grande maioria donos judeus sionistas) são tão podres quanto os brasileiros nestas características, e não podemos nos igualar... temos que amadurecer, não podemos só atacar o "panico na tv" e esquecer de"zorra total" e a "praça é nossa" por incrível que pareça é menos agressivo, na minha opinião.

  15. Jussara Postado em 09/Aug/2013 às 17:25

    O problema do pânico é justamente essa banalização da figura feminina (que eles chamam de "métodos para aumentar a audiência) e diversas outras brincadeiras que não são nem um pouco aceitáveis. O problema da banalização da figura feminina não é um problema só do Pânico, tem em vários outros programas e acho que deveria ser proibido em todos (homens me odiando em 3, 2, 1...) porque contribui para a discriminação da mulher e proliferação do machismo.