Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 14/Mar/2012 às 21:28
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Mãe da Praça de Maio é covardemente torturada em sua própria casa

Ainda que possa ter sido um delito comum, chamou a atenção o fato de que a única pessoa agredida foi ela. "Não foi um assalto ou roubo. O que fizeram comigo foi uma verdadeira tortura. Quero que a Justiça investigue o caso a fundo para ver quem os mandou aqui”, diz Nora Centeno

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Nora Centeno ficou com graves ferimentos no rosto por causa dos golpes

Nora Centeno, militante das Madres de Plaza de Mayo, foi assaltada, golpeada violentamente e ameaçada por homens que entraram em sua casa na cidade de La Plata, no último sábado. Centeno contou que estava na cozinha quando três pessoas entraram em sua casa por um terreno vizinho. Quando perguntou o que estava acontecendo, um dos sujeitos golpeou-a na cabeça e a jogou no chão. Logo em seguida, a amarrou e a arrastou até o quintal de sua casa, onde também estavam sua nora, a companheira desta e sua filha.

“Como disse a eles que não tinha nada me arrastaram até o quintal uns vinte metros. Neste momento lhes disse que era uma Madre de Plaza de Mayo e pedi que não me batessem mais”, relatou Centeno. “Eles se irritaram mais ainda, me deram uma coronhada e me arrastaram de novo até a casa porque disse que tinha 500 pesos guardados”.

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“Eles ficaram uma hora em minha casa e me torturaram. Não foi um assalto ou roubo”, disse Nora, mãe de um desaparecido pela ditadura argentina em 1976 e integrante da linha fundadora das Madres de Plaza de Mayo, ao diário platense Diagonales.

“Vocês sabem como é isso. Vamos te dar um tiro”, disse um dos assaltantes quando a mulher se apresentou com Madre de Plaza de Mayo. Logo em seguida, os sujeitos começaram a gritar e a golpeá-la, ainda com mais força. “Denunciei três dias mais tarde porque quero saber quem está por trás disso”.

Ainda que possa ter sido um delito comum, chamou a atenção o fato de que a única pessoa agredida foi ela, apesar de outros familiares estarem juntos naquele momento. Nora ficou com graves ferimentos no rosto por causa dos golpes. “Eram jovens, mas não pareciam ser marginais. O que bateu em mim não estava drogado. Falavam bem. Não foi um assalto ou roubo. O que fizeram comigo foi uma verdadeira tortura. Quero que a Justiça investigue o caso a fundo para ver quem os mandou aqui”, completou Nora Centeno.

Francisco Luque – De Buenos Aires

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Comentários

  1. Regina Fabrício Martins Postado em 18/Mar/2012 às 15:11

    Nós,mulheres comprometidas com o social,não compartilhamos com essas "barricadas".A nossa preocupação é com o Outro,aquele que insistem em transformá-lo em um "bode expiatório",principalmente,os oriundos dos porões dos "navios negreiros",das aldeias,dos guetos,das ruas,das praças,dos presídios,das "cracolândias",dos "Pinheirinhos",das cadeiras de rodas,dos "diferentes sexualmente"...Isso mesmo,aqueles que não estão inseridos no contexto dos seres humanos,pois ao referir-se a eles os denominam "bárbaros",visto que esses segregados não fazem parte da "civilização".A separá-los os muros invisíveis da sociedade.Às "classes inferiores" sobram o outro lado da "fronteira","o espaço desprovido de cidadão".E,para reverter esse quadro não precisa muito:basta ser humano,basta ter coração.Um dia,faremos juntos uma grande festa para comemorar um Brasil,uma América Latina sem miséria.Já vivemos muitas ditaduras...Acredito que não tenha tanto solo fértil assim para que elas floresçam. Regina Fabrício Martins

    • Rita Candeu Postado em 04/Apr/2016 às 20:43

      que assim seja chorando aqui abraços

  2. sergio luís Postado em 20/May/2012 às 12:24

    As sombras da violência estão aí: no espancamento de uma senhora militante,das mulheres violentadas nas periferias, nas crianças exploradas sexualmente ,no tráfico indiscriminado de mulheres,crianças ou não,para servir de atrativos para o turismo sexual. Precisamos rever a nossa história para mudarmos o curso da mesma. Não podemos mais tolerar a violência contra a mulher,seja ela oficial ou não.