Redação Pragmatismo
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Eleições 2012 05/Mar/2012 às 16:30
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Incrível: José Serra não cumpre mandato eletivo integral há 17 anos

José Serra coleciona uma quase inacreditável sequência de descumprimentos ao cargo eletivo assumido. Desde 1995 que o ex-presidenciável não cumpre um mandato completamente. Fato deverá ser imensamente usado pelos adversários

Serra Cumprir Mandato Prefeitura

José Serra precisará convencer eleitor de que, se eleito, não abandonará o barco mais uma vez

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) não cumpre um mandato integral há 17 anos. O tucano, que oficializou sua intenção de concorrer nas prévias internas na terça-feira, depois de deixar a cadeira da Câmara dos Deputados, em 1995, coleciona uma sequência de descumprimentos ao cargo eletivo assumido. Foram outras duas interrupções consecutivas antes do término: Serra saiu da prefeitura paulistana, em 2006, após ficar apenas um ano e três meses no Executivo para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e abandonou, em 2010, para se candidatar à Presidência.

O tucano ocupou os cargos de ministro do Planejamento de 1995 a 1996 e ministro da Saúde de 1998 a 2002. No mesmo ano, ele foi candidato à Presidência, sendo derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para não perder o poderio eleitoral, entrou na disputa pela Capital na eleição de 2004, venceu, mas afastou-se em 2006. Deixou nas mãos do vice Gilberto Kassab, hoje no PSD, mesmo tendo assinado uma carta, ainda durante a campanha, comprometendo-se a permanecer no posto até o fim do mandato.

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Como governador ficou de janeiro de 2007 a abril de 2010, quando renunciou o cargo – deixado nas mãos de Alberto Goldman – para se candidatar pela segunda vez à Presidência. Serra já exerceu também os mandatos de deputado constituinte de 1987 a 1991, deputado federal de 1991 a 1995. Demonstrando-se ávido pelo majoritário, em 1988, foi candidato pela primeira vez à prefeitura de São Paulo mas, em uma eleição ainda sem segundo turno, foi derrotado. Depois de oito anos, concorreu novamente ao cargo, amargando outro revés.

Na entrada da disputa eleitoral, ele justifica ser fruto de uma necessidade. Atualmente, garante que vai completar os quatros anos do governo paulistano, caso seja eleito, assegurando que não disputará o pleito presidencial de 2014. “Vou cumprir o mandato de prefeito por quanto tempo o mandato durar, ou seja, até 2016.” Indagado se daria para prometer se, nesta oportunidade, não deixaria o Executivo, Serra refutou repetir os precedentes do passado. “Exercerei os quatro anos, isso é mais que uma promessa.”

O professor da Fundação Escola de Sociologia e Política, Rui Tavares Maluf, adianta que o fato será “imensamente usado pelos adversários”. Segundo ele, a situação recorrente, até agora, teve pouco efeito no resultado final, mas a “federalização do pleito” vai dificultar o processo eleitoral. “Fica complicado convencer o novamente o eleitorado. Vejo que atenuaria (a condição) dependendo da escolha do vice.”

Serra, no entanto, não descartou voltar a disputar à Presidência no futuro. Ele afirmou que um sonho pode “permanecer adormecido” por muito tempo. “Estou no auge da minha energia”, disse ele, evitando fazer conjecturas políticas se a corrida ao Palácio do Planalto se daria em 2018.

Tavares argumenta que as declarações de Serra ficam incompatíveis ao comentar o fato de não entrar no pleito de 2014. “Ele sempre diz que tem o sonho de ser presidente. Não é nenhum garoto (completa 70 anos dia 19). Essa chance pode ser a última ao cargo.”

Fábio Martins – Diário do Grande ABC, com Pragmatismo Politico

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Comentários

  1. Marcelo Postado em 07/Mar/2012 às 00:21

    Ministro é cargo eletivo agora então ?

  2. Luiz Fernando Postado em 07/Mar/2012 às 11:16

    Marcelo, quando ele era ministro ele era senador, deixando a cadeira para assumir os dois ministérios, a matéria é dúbia nesse sentido porque esquece de citar o cargo (eletivo) de senador.

  3. Vicente Rubens Postado em 07/Mar/2012 às 15:23

    Marcelo, quando ele era ministro ele era senador, deixando a cadeira para assumir os dois ministérios (2)

  4. Articulista Postado em 28/Mar/2012 às 11:43

    Tomara Ciro Gomes esteja errado novamente quando diz que talvez Serra leve no 1º turno!!! Os Tucanos estão seguros que Serra deixará o cargo se por uma infelicidade dos paulistanos, os desinformados eleitores o conduzirem à Prefeitura de São Paulo. Do ponto de vista partidário, sem legitimidade como candidato, rachou o partido PSDB. Dos 20.000 membros que deveriam comparecer e participar das prévias apenas 6.229 compareceram; e ainda assim Serra obteve somente 52% dos votos, isto é, 3.176 votos, 15% dos 20.000, totalmente inexpressivo. Na verdade somente 31% dos 20.000 partidários aptos a votarem compareceram à votação, e dos presentes apenas 52% votaram em Cerra para oficializá-lo candidato, os outros 48% se dividiram da seguinte forma, 31% votaram em Zé Aníbal, 15% votaram em Trípolli e 2% votaram brancos e nulos. Zé Aníbal que teve seu projeto político atrapalhado por Serra é uma pedra em seu sapato, pedra que precisa ser retirada, escovada e guardada no armário até que saia novamente do armário (ou não). Pedra que faz doer o pé e atrapalha a caminhada a passos cada vez mais curtos do projeto político de poder de chegar a Presidência da República. Ambos os Zés, (Serra e Aníbal), tem semelhante perfil quando ocupam o poder, passam o trator com o objetivo de eliminar qualquer suspeita de tiririca que possa brotar mais tarde; sem o menor respeito e consideração pela pessoa humana. Vídeos da internet mostram isso, são assim, não sabem, não tem noção a que vieram aqui, qual é o verdadeiro motivo da passagem deles pela terra, acham que tiveram o privilégio de exercerem função pública por serem superiores e nativos da raça ariana, mas não acordaram para ver que os contratempos a que são submetidos não são por acaso; existe uma lei maior que dela ninguém escapa, reafirmo ninguém, é chamada "Lei da Causa e Efeito". Implacável lei que dela ninguém escapa e todos nos estamos submetidos sem nenhuma exceção. Portanto os "ZÉ's", ainda há tempo para acordar e mudarem suas posturas e comportamentos e passarem a ouvir e respeitar mais o cidadão, o ser humano. Quando ocupam o poder, após a posse na maquina pública hostilizam e demitem aleatória e indiscriminadamente funcionários como se fossem os donos do estado e do município, os senhores da verdade e da razão. Não façam mais isso, chame-os para conversar e lhes dêem oportunidade de continuarem trabalhando quietinhos em outra função. O troco vem a cavalo ou pela internet, como queiram; afinal, ambos se merecem. O Aníbal vai ter que engolir o Serra e se empenhar em sua campanha para sobreviver politicamente. Se não o fizer usará o hipócrita discurso de dizer que é pela unidade do partido. Quanto aos outros, Tripolli demonstrou mais autonomia e independência no processo. Os outros dois Bruninho e o Andrea agiram como os bobos da corte, apenas para agradar o Rei e não ao público e seguramente já tem espaço assegurado num eventual governo Serra.