Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 02/Mar/2012 às 18:40
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Ex-torturadores enraivecidos clamam contra o governo Dilma e a Comissão da Verdade

Militares reformados fazem uma chamada geral, à Nação, aos colegas armados, gritam falar em nome de todos, mas falam em seus próprios, exclusivos e antigos interesses. Três deles são ex-torturadores reconhecidos por ex-presos políticos: os coronéis Carlos Alberto Brilhante Ustra, Pedro Moezia de Lima e Carlos Sergio Maia Mondaini

Brilhante Ustra Coronel Comissão Verdade

Coronel Brilhante Ustra, reconhecido ex-torturador é um dos desesperados que tentam o último suspiro

A mais recente indisciplina de militares reformados contra a Comissão da Verdade, em manifesto onde tentam intimidar com as palavras “a aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo” acende na gente duas observações.

Na primeira delas, chama a atenção que se dirigem mais aos colegas de farda, na ativa, que aos de fora dos quartéis. O que vale dizer, os generais e coronéis reformados clamam por uma quartelada, por um novo golpe de “31 de março”, mais conhecido adiante por revolução de primeiro de abril. Isso é claro porque em mais de um ponto escrevem – ou gritam, à sua maneira de escrever – que não reconhecem autoridade no atual Ministro da Defesa, nas Ministras de Direitos Humanos e de Política para as Mulheres. E, por extensão, desconhecem o poder legítimo da Presidenta Dilma.

Na segunda observação, notamos que eles – os amotinados no manifesto – fazem uma chamada geral, à Nação, aos colegas armados, gritam falar em nome de todos, mas falam em seus próprios, exclusivos e antigos interesses. A saber, quem assim reclama contra a Comissão da Verdade, teme a justiça e a punição por crimes e acobertamento de homicídios cometidos. E não é preciso muito Sherlock Holmes para essa conclusão. Três dos assinantes são ex-torturadores reconhecidos por ex-presos políticos: os coronéis Carlos Alberto Brilhante Ustra, Pedro Moezia de Lima e Carlos Sergio Maia Mondaini.

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Deste último, o ex-preso político e jornalista Ivan Seixas conta que “esse torturador, oficial médico psiquiatra, era conhecido na OBAN pelo vulgo de Doutor José. Entre outras proezas gozava nas calças ao ver as companheiras nuas se retorcendo com os choques elétricos aplicados por ele”. Daí podemos entender o tamanho da urgência desses militares reformados contra a volta do conhecimento da História em uma Comissão da Verdade. Invocam os nomes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para melhor abrigo da pessoa criminosa. Mas todos sabemos, por delegação expressa do povo as forças armadas jamais abrigarão ou abrigariam o crime e a perversão.

Ou viveríamos então em uma democracia sob tutela, onde os comandos militares fingem que não têm poder político, como se fossem pais benevolentes. Seriam crianças, ou incapazes, o poder civil, a República, a Presidenta, os Ministros, o Congresso, a Justiça? Quer esses amotinados desejem ou não, vem chegando a hora do esclarecimento e da recuperação histórica de homens e mulheres, que viveram em condições-limite. Personagens como estes voltarão:

Odijas Carvalho de Souza (1945-1971)

Odijas foi levado para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco em estado de coma, morrendo dois dias depois, aos 25 anos… ‘No dia 30 de janeiro de 1971 fui acordado cedo por uma grande movimentação. Por volta das 7 horas, Odijas passou diante da cela, conduzido por policiais. Apesar da existência da porta de madeira isolando a sala do corredor, chegaram até nós os gritos de Odijas, os ruídos das pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores. Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o banheiro, colocado sob o chuveiro para em seguida retornar ao suplício. Em uma dessas vezes ele chegou até a minha cela e pediu-me uma calça emprestada, porque a parte posterior de suas coxas estava em carne viva. Os torturadores animalizados se excitavam ainda mais, redobrando os golpes exatamente ali”.

Ou deste jornalista, intelectual, frágil de corpo e gigante de espírito:

– Teu nome completo é Mário Alves de Souza Vieira? – Vocês já sabem.

– Você é o secretário-geral do comitê central do PCBR?

– Vocês já sabem.

– Será que você vai dar uma de herói? …

Horas de espancamentos com cassetetes de borracha, pau-de-arara, choques elétricos, afogamentos. Mário recusou dar a mínima informação e, naquela vivência da agonia, ainda extravasou o temperamento através de respostas desafiadoras e sarcásticas. Impotentes para quebrar a vontade de um homem de físico débil, os algozes o empalaram usando um cassetete de madeira com estrias de aço. A perfuração dos intestinos e, provavelmente, da úlcera duodenal, que suportava há anos, deve ter provocado hemorragia interna”.

Para essas vidas vem de longe um voz coletiva que se ouvirá: presente

Urariano Mota, Direto da Redação

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Comentários

  1. Marcelo Pacce Postado em 03/Mar/2012 às 14:00

    mostros esses militatares

  2. Canagé Vilhena Postado em 04/Mar/2012 às 10:54

    O CADÁVER DE RUBENS PAIVA - que a ditadura assassina deu sumiço – simboliza a dor de todos familiares dos assassinados pela ditadura assassina O CADÁVER DE RUBENS PAIVA - que a ditadura assassina deu sumiço - vai assombrar seus assassinos até morrer o último defensor da ditadura assassina.

  3. PAULO HENRIQUE MACIEL Postado em 04/Mar/2012 às 11:02

    É apenas covarde a posição do Estado Brasileiro no caso da punição dos torturadores. Argentina, Chile e Uruguai julgaram os gorilas. Aqui, tão morrendo de velhice. Quando era no governo de FHC, os lulo-petistas criticavam a ausência de punição. Os 8 anos de Lulu "Nine Fingers" da Silva foram poucos, porque nada fizeram. Agora, Dilma, a búlgara, continua no mesmo caminho. Resumo: os torturadores vão morrer em casa, no hospital, etc., jamais na cadeia, que, seria o lugar deles. E, de lá (a cadeia) para o cemitério.

  4. GERALDA EFIGENIA Postado em 04/Mar/2012 às 15:11

    Força Presidente Dilma, o Brasil não tem mais como retroceder, e essa corja tem que calar-se MILICOS NO PODER? NUNCA MAIS SE DEUS QUIZER, E ELE QUER

  5. Edinho Postado em 04/Mar/2012 às 21:31

    Animais repugnantes! Qual é o valor da aposentadoria desses vermes malditos?

  6. Rafael Postado em 04/Mar/2012 às 22:07

    Revisão da Lei da Anistia, mais uma forma de desviar o foco para o que de fato interessa. Enfim, não sou a favor dos militares, muito menos da tortura ou, então, de qualquer outra forma de autoritarismo. Contudo, também entendo que, caso se proceda a revisão da Lei da Anistia, deve-se considerar uma revisão não somente dos crimes de tortura cometidos pelos militares, mas também dos crimes cometidos pelo próprio movimento de esquerda, durante a ditadura militar. Nesse caso, além dos "milicos", creio que a nossa presidenta, senhora Dilma, também deveria se sentar no banco dos réus para dar algumas explicações. Nesse caso, apesar da imparcialidade nunca ser alcançável, é preciso que se proceda de forma a considerar o julgamento de TODOS os crimes cometidos durante o período da ditadura, não somente por militares.

    • Luis Soares Postado em 05/Mar/2012 às 00:45

      Pérola semelhante soltou Boris Casoy, ao dizer que uma revisão da lei da anistia seria ruim para os dois lados. Estávamos sob um regime de exceção, que é exatamente o oposto de um Estado de Direito. O regime agia com força e poder de estado; os que bravamente o combatiam, reagiam. E como disse a própria Dilma, aplaudida no Senado, "feio é mentir na democracia, não numa situação de tortura para salvar seus companheiros".

  7. sonia Postado em 04/Mar/2012 às 23:06

    E como, tanto Lula como Dilma, traíram aqueles que foram presos, torturados, mortos, tomaram borrachadas na rua, etc, por um ideal que eles dois abandonaram agora, é um sinal de que vai traí-los, novamente, e não tomar nenhuma providência para punir os assassinos.

  8. Matheus Postado em 05/Mar/2012 às 17:03

    Deveríamos ter iniciado o trabalho de investigação e punição dos crimes dos agentes e líderes da ditadura civil-militar já em 1988, logo depois da promulgação da nova constituição. Com quase 25 anos de atraso, iniciaremos uma investigação meia-boca, com uma Comissão da Verdade fraca, pressionada por uma coalizão governante que inclui muitos filhotes da ditadura e fascistas religiosos. Estamos anos-luz aquém dos nossos vizinhos. TODOS os países que tiveram ditaduras golpistas nos anos 1960-1980 já realizaram estes trabalhos. A Venezuela, há pouco tempo, também instituiu uma Comissão da Verdade para investigar os crimes do governo oligárquico anterior à Chavez e à constituição de 1999. Como lidar com os milicos de pijama? Com intransigência. Não nos deixemos intimidar. Se eles temem a verdade e a justiça, é porque vivem na mentira e no crime. O problema maior é o oportunismo dentro da esquerda, que insiste em ceder às pressões dos filhotes, viúvas e agentes da ditadura. E contra estes, também, devemos manter a intransigência em defesa do direito à memória, à verdade e à justiça.

  9. Julio Rocha Postado em 06/Mar/2012 às 10:45

    A presidenta Dilma precisa colocar esta escoria no seus devidos lugares apurando as torturas or eles cometida.

  10. Ismar Couto Postado em 11/Mar/2012 às 00:10

    É DESLEAL O GOVERNO DA PRESIDENTE ENVIAR ACIMA DE 1 BILHÃO DE REAIS PARA CUBA SEM A MENOR PREOCUPAÇÃO COM AS CONSEQUÊNCIAS AO PAÍS. ESTE DINHEIRO FOI GERADO COMO ALGUMA CONTRIBUIÇÃO SUA E NOSSA PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES DESTE PAÍS. SUSTENTAR COMPANHEIROS NA BOA VIDA É DEMAIS. NÃO SOU MILITAR MAS ESTAS REMESSAS SÃO COM OU SEM PRESTAÇÃO DE CONTAS? SERIA DOAÇÃO? ALGUÉM SABERIA RESPONDER? O EXÉRCITO TÁ DE OLHO SE FOR MARACUTAIA.

  11. Jarbas Postado em 11/Mar/2012 às 02:10

    Estes grupos de esquerda não lutavam pela democracia. Eles lutavam para implementar uma ditadura de esquerda nos moldes de Cuba. Ou seja, se hoje estamos aqui discutindo democraticamente estas questões foi devido a estes grupos não terem vencido, pois como se observa em todo lugar em que eles venceram a primeira coisa que faziam era fuzilar os opositores, como o psicopata do Che Guevara e suprimir toda liberdade de imprensa.

  12. Nara Regina Marques Postado em 21/Mar/2012 às 00:23

    Como apoiar a morte??? Como apoiar a tortura??? Fico assustada quando leio E-mail, onde cidadãos brasileiros, como o Sr. Jarbas justifica de maneira tão frágil e até mesmo inconsequente, toda a dor que os cidadãos brasileiros passaram durante esse terrível período de ditadura. Temos que lutar sim, para melhorarmos o País... mas trocando o fuzil e toda a covardia, por educação e dignidade! De que tinham medo esses senhores, para que justificassem seus atos de covardia? Por favor senhor, diga-me como e onde o povo brasileiro foi beneficiado ou assistido durante esse lamentável e triste período? Façamos um exame de consciência e busquemos informações verdadeiras,para que então possamos dizer, que no período da DITADURA, éramos felizes e não sabíamos!

  13. rodrigo Postado em 07/Apr/2012 às 16:50

    Ou seja Sr Jarbas, temos que apoiar a tortura? Duvido que o Sr aguentasse 15 minutos dessas torturas. Coloque a mão na consciência! Seja brasileiro, honesto com nosso passado! Frágil em seus argumentos, frágil em suas convicções. Que ditadura de Castro o quê!!!!!??????! Tire essa máscara da ignorância e dê um voto para a democracia que permite você hoje viver em liberdade. Por um acaso existia liberdade de imprensa no período ditatorial? Pelo amor de Deus, vá ler 30 minutos por dia para ver se consegue saber um pouco mais de, pelo menos, a história de seu país.

  14. betaopernambucano Postado em 06/May/2012 às 15:37

    Sonho com um golpe contra essa presidente e tod a ma'fia PT ista criminosa que estao saqueando esse pai's

  15. Wellington A. Alves Postado em 26/May/2012 às 00:18

    Tristeza nos dá é ver a nossa digníssima presidenta, derramando lágrimas por seus irmãos de arma que tombaram em combate com as forças armadas brasileiras, que naquele momento da história impediram que Dilma e sua turma implantassem em nosso país uma ditadura do proletariado. A chefe da nação deveria governar e agir como presidente do Brasil e olhar para nação de forma igualitária, não permitindo que sua mágoas passadas se sobreponham acima do progresso e desemvolvimento da nação. Afirmar que a esquerda revolucionária brasileira agiu em defesa da democracia e contra a “Ditadura” é renegar a verdade dos fatos efetivamente ocorridos na história brasileira. Quando sabemos que o objetivo real do movimento armado de esquerda sempre foi a implantação em nosso país de um regime totalitário semelhante ao cubano, regime esse que o mundo mostrou ser um completo fracasso e contrário aos anseios do povo brasileiro. Com a afirmação de que os meios justificavam o fim, a esquerda armada jamais conseguiu que seu projeto de massificação da população brasileira, se tornasse o combustível necessário para a implantação de seus ideais revolucionários. A principal razão do fracasso do sonho revolucionário em uma visão bem realística é claramente que a revolução esquerdista não passou de uma alucinação de uma esquerda enebriada pelo comunismo que se alastrava no mundo e claramente contrariava os ideários do povo brasileiro e não dos militares que estavam no poder, pois caso as ilusões revolucionárias fossem efetivamente desejo de um povo certamente teriam suplantado os militares e implantado o comunismo no Brasil, o que jamais foi desejo da maioria da população brasileira. Porém o respeito aos termos legais que regem a Comissão Nacional da Verdade me permite lembrar que o restabelecimento da História Nacional, no período militar, deve ser completo, dando real significado a fatos históricos que têm, necessariamente, causa, meio e fim, sem qualquer outro objetivo que não seja revelar a verdade dos lados. Assim, ouvir e registrar o que ex-agentes do Estado bem como ex-militantes revelarem sobre atos em apreciação da Comissão, é imperioso. Dentro destes princípios estou certo de que a História do nosso País poderá ser enriquecida com Verdades sem distorção de versões, para conhecimento das novas gerações a quem nos cabe legar um passado adequadamente descrito e que sirva de exemplo para o futuro.

  16. ENOCH Postado em 05/Apr/2013 às 12:05

    UMA VERDADE QUE TODO BRASILEIRO DEVE SABER: Rompendo o Silêncio (Download) "Investigando por conta própria alguns casos, tive a oportunidade de conversar com guerrilheiras presas no DOI-CODI paulistano sob comando do próprio Ustra que me garantiram que ele jamais nelas tocou, reforçando os argumentos que desmentem Beth Mendes. Houve tortura no DOI? Provavelmente sim. Ustra foi um torturador? Pelos relatos que tomei, muito provavelmente não. O coronel tem um livro sobre o período que chefiou o DOI, chamado Rompendo o Silêncio e que precisa ser reeditado o mais rápido possível." - Sandro Guidalli, em Mídia sem Máscara [ 08-12-2002 ]. Faça aqui o Download em formato PDF (6 MB) -------------------------------------------------------------------------------- Trecho do livro A REVOLTA DE UMA MULHER Carta manuscrita por minha mulher, como introdução de um álbum organizado por ela para nossas filhas Patrícia e Renata. Montevidéu, 02 de outubro de 1985. Patrícia e Renata Este álbum é de caráter particular, exclusivamente para vocês, nossas queridas filhas. Nele pretendo, através de pesquisas, procurar saber o nome das organizações subversivo-terroristas que atuaram na época, de outubro de 1970 a dezembro de 1973, período em que o pai de vocês comandou o DOI/CODI de São Paulo. Os atos de terror destas organizações, como assassinatos de pessoas inocentes, atentados a bombas, assaltos a bancos, a quartéis, seqüestros, depredações e todo tipo de terror daquela época. Pretendo mostrar-lhes, se conseguir, com pesquisas em jornais, o caos que se tentava implantar no Brasil. Tentarei saber o que cada organização terrorista fez, os atos que praticou e a guerrilha urbana e rural que se implantou no país. Estes terroristas obrigaram as Forças Armadas a se lançarem às ruas e aos campos, contra o inimigo desconhecido que se escondia na clandestinidade. Os militares, para evitar danos maiores a inocentes, lutavam contra o tempo e o desconhecido. Eles, terroristas, lutavam contra o claro, o conhecido. Deste combate participou o pai de vocês e lutou com honradez, honestidade e dentro dos princípios de um homem bom, puro e honesto, assim como muitos outros. Só quem passou pelo martírio de ter entes queridos envolvidos em uma luta que não iniciaram, nem procuraram mas que apenas cumpriram com seu dever, manter a ordem no país, pode saber, como eu, os momentos de medo, incerteza, terror que uma família passa. Só estas podem compreender a dor e o desespero de uma mãe e de uma esposa. Telefonemas anônimos, perseguições, ameaças, morte de amigos em combate, a dor dos entes queridos que, como nós, não tiveram a sorte de conservar com vida aqueles que amavam. Sei e lamento que outras pessoas também passaram pelos mesmos sofrimentos de perder entes queridos, mas estes entes queridos, fanatizados, terroristas, começaram a guerrilha e os atos de terror. Houve a guerra, e em uma guerra há mortos e feridos de ambos os lados, mas os militares não a queriam nem a iniciaram. Eles foram e são preparados para defender o Território Nacional. Foram chamados a agir e acabaram com o terrorismo no Brasil. O terror era tanto que quando tu, Patrícia, foste para o Jardim de lnfância, eu passei todo o ano, no horário escolar, dentro do carro, na porta do colégio, pois não tinha condições psicológicas de ir para casa. Recebíamos ameacas de morte, de seqüestro e todo tipo de guerra de nervos. Tive amigos mortos e feridos em combate! Assim mesmo, nos “porões da tortura”, como eles chamam, onde “se ouviam gritos e se mostravam presos mortos à pauladas” como eles dizem, participei e tu também, Patrícia, ainda que pequenina (3 anos) de uma pequena “obra assistencial” a algumas presas, mais ou menos seis, uma inclusive grávida. Íamos quase todos os dias. Tu brincavas com algumas enquanto eu, com outras, ensinava trabalhos manuais como tricô, crochê e tapeçaria. Passeávamos ao sol, conversávamos (jamais sobre política), levava tortas para o lanche feitas pela minha empregada. Enfim, as acompanhávamos. Fizemos sapatinhos, casaquinhos, mantinhas para o bebê e com uma lista feita no DOI pelo “torturador” Ustra compramos um presente para o bebê. Ele nasceu no Hospital das Clínicas, se não me engano em outubro de 1973 ou 1972 (verificarei depois), tendo o “centro de torturas” mandado flores à mãe, e eu e tu, Patrícia, fomos vistá-los. Era um homenzinho lindo e forte. Minhas filhas, os aniversários delas eram sempre comemorados com bolos e festinhas. Os Natais e Anos Novos jamais passamos em casa, durante os quatro anos que o pai de vocês comandou o DOI, sempre foram passados lá (o pai, eu e tu, Patrícia, Renata não era nascida). Tu, Patrícia, às vezes a pedido das presas, ficavas sozinha com elas. Daí o artigo que pode ser encontrado neste álbum “Brinquedo Macrabro” do jornalista Moacyr O. Filho, que diz que teu pai te deixava com as presas que acabavam de ser torturadas. Se fossem torturadas, como ele diz, como podiam ter bom relacionamento com os integrantes do órgão e como podiam aceitar, e não só aceitar, mas reclamar a nossa presença, quando por algum motivo, falhávamos um dia? Pena que não tivessem os integrantes do órgão, a malícia dos terroristas!... Porque, se tivessem, fotografariam ou filmariam tudo, e casos como Bete Mendes (que não tive o desprazer de conhecer, enquanto presa) seriam comprovados como mentirosos. Sinto o nome de uma família inteira: pais, mães, sogros, irmãos, mulher e filhas, enxovalhados, e como o militar não pode e não deve, por regulamento disciplinar do Exército, se defender, tomo eu, exclusivamente eu, a iniciativa de deixar para vocês, nossas filhas, este álbum, de caráter particular, com tudo que puder vir a reunir, além do Livro de Alteracões do pai de vocês, condecorações por arriscar a vida, elogios, para que, como eu, se orgulhem, acima de tudo, de se chamarem BRILHANTE USTRA. Um nome, cujo único erro cometido, foi cumprir com seu dever e, principalmente, cumprir bem: com honra, com dignidade e humanidade, lutando sempre para evitar males maiores do que os que se passavam no momento. Compartilho a dor dos pais, mães, parentes, enfim, dos que por infelicidade perderam seus entes queridos, fanatizados por ideais que não me compete julgar, e que não deviam ter usado a violência para tentar consegui-los, mas não posso deixar de me revoltar contra as calúnias jogadas sobre um homem bom, como o pai de vocês. Beijos Maria Joseíta S. Brilhante Ustra

  17. ALEX Postado em 11/May/2013 às 21:27

    TEM QUE CONDENAR ESSES MILITARES VAGABUNDOS, BANDO DE SANGUE SUGA, QUE NÃO SERVE PRA NADA! TEM CORAGEM DE FALAR EM CORRUPÇÃO, FOI ESSA CORJA DE SANGUE SUGA QUE COMEÇOU DESMATAR A AMAZONIA, INDIVIDAR O BRASIL PEGANDO DINHEIRO COM O FMI. TEM QUE CORTAR A APOSENTADORIA DOS SANGUE SUGAS E FAZER ELES DEVOLVEREM TODA A GRANA QUE ELES RECEBERAM NA MISERAVEL VIDA DESSES LIXOS HUMANOS.