Redação Pragmatismo
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Prefeitura São Paulo 29/Dec/2011 às 16:16
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Kassab aproveita incêndio misterioso e devastador para evacuar Favela do Moinho

O incêndio que destruiu boa parte dos barracos, matou duas pessoas e desalojou centenas de famílias nas vésperas do Natal está sendo utilizado como novo pretexto para a liberação da área, como um caso típico que contrapõe interesses empresariais e o direito à moradia.

Local de disputa histórica entre Prefeitura de São Paulo e moradores, o terreno que abriga a Favela do Moinho é objeto de mais uma forte ofensiva do capital imobiliário. O incêndio que destruiu boa parte dos barracos, matou duas pessoas e desalojou centenas de famílias nas vésperas do Natal está sendo utilizado como mais novo pretexto para a liberação da área, como um caso típico que contrapõe interesses empresariais e o direito à moradia.

Favela Moinho Incêndio

Prefeito Gilberto Kassab (PSD) tenta desde 2006 despejar os moradores, primeiro com a realização de um cadastro que contabilizou 600 famílias e depois com um decreto e uma ação judicial pedindo desapropriação.

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Enquanto a grande mídia alimenta a versão de que o incêndio teria sido provocado por uma mulher desequilibrada, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) tenta aproveitar da comoção da população para consolidar o discurso de que as pessoas devem sair do local. Os moradores permanecem organizados, e, em assembleia realizada nesta terça-feira (27), rejeitaram a proposta da Prefeitura de compensar todas as perdas com o chamado bolsa-aluguel.

Kassab tenta desde 2006 despejar os moradores, primeiro com a realização de um cadastro que contabilizou 600 famílias e depois com um decreto e uma ação judicial pedindo desapropriação. Na época, foi realizada uma audiência de conciliação, onde um dos dois donos do imóvel demonstrou interesse em destinar a área de quase 30 mil m2 para moradias populares.

O terreno pertencia à Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) – extinta em 2007 -, e foi leiloado em 1999 para dois proprietários. Com quase trinta anos de ocupação, a comunidade – que adquiriu o nome de Moinho pois se iniciou dentro da sede da empresa Moinho Santa Cruz -, entrou com uma Ação de Usucapião Urbana Coletiva pois cumpria os critérios que juridicamente a coloca como proprietária do terreno.

A partir da manifestação favorável do juiz à comunidade, as ações de despejo da Prefeitura foram interrompidas até que aconteça o julgamento final, que normalmente demora muitos anos. E é essa trava que impede que o projeto de “revitalização do centro” de Kassab avance sob aquele terreno.

Vida que segue

Os moradores que perderam suas moradias e seus pertences nas chamas estão buscando abrigo. A Prefeitura disponibilizou apenas um colégio por enquanto. Algumas famílias estão divididas entre duas escolas de samba localizadas sob um viaduto e outras montaram barracas nas intermediações. Na segunda-feira, um homem foi espancado pela Guarda Civil Metropolitana por questionar a atuação da polícia contra a montagem de barracas em um dos terrenos ao lado da favela.

Francisco Miranda, presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Moinho, afirmou que foi rejeitada a proposta da Prefeitura em assembleia. Nela, os moradores receberiam o chamado bolsa-aluguel – um cheque mensal no valor de 300 reais para que arranjem algum espaço para morar. Como a maioria tem filhos, esse valor é completamente insuficiente e os mantém em situação provisória de moradia.

Algumas famílias que vieram da Favela do Gato e estavam morando no Moinho, segundo a proposta da Prefeitura, passariam por uma avaliação sobre sua vulnerabilidade social pois, em uma outra situação, tinham recebido cinco mil reais de bolsa-aluguel.

Incêndio Moinho Favela

Existe a esperança de que esses misteriosos e sucessivos incêndios em comunidades carentes sejam seriamente investigados?

Existem algumas partes que se aproveitam desta situação de desgaste”, disse Francisco. Logo depois do incêndio, por exemplo, a empresa Porto Seguro, que tem comprado terrenos na região, enviou representantes ao local e ofereceu um galpão para o atendimento da Prefeitura na retirada das famílias. A atitude foi vista com desconfiança pela comunidade. Em curso desde o início da gestão Kassab, as alterações no centro da cidade desalojaram pessoas das favelas, prédios ocupados e das ruas, mesmo sem garantir o direito à moradia. Alguns projetos de grande porte almejam parcerias público-privadas para administração de parques e praças.

Polêmica também é a tese sobre a própria origem do incêndio. Esta não é a primeira área em disputa onde incêndios forçam a saída das pessoas. E provavelmente não será a última. O incêndio tendo sido provocado de maneira criminosa ou não, a advogada do Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da PUC-SP, Julia Moretti acredita que este é um momento chave. “A comunidade deve aproveitar este momento para reafirmar a luta por seus direitos”, disse.

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Delana Corazza, socióloga que também trabalha com a comunidade, demonstra preocupação diante do impasse colocado. “Pode ser um desastre. Ninguém tem nada a perder e as pessoas estão revoltadas. Mas a arma das pessoas é muito menor que a força repressiva do Estado”, diz Delana, assustada com o nível de organização da Prefeitura para retirar as pessoas.

Fábio Nassif

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Comentários

  1. yuna007 Postado em 01/Jan/2012 às 14:10

    kassabicha nojento...se aproveitando da desgraça alheia..

  2. Janja Postado em 01/Jan/2012 às 17:36

    Quando saberemos a verdade?

  3. GILBOSTA KASSAMERDA Postado em 16/Feb/2012 às 16:17

    GILBERTO KASSABOSTA COLOCOU FOGO NO PRÉDIO PESSOALMENTE. ESSE PUTO CRIOU A CONTROLAR COM O ÚNICO INTUITO DE ROUBAR, PORQUE NÃO FARIA ISSO? KASSABUNDA, KASSABICHA, KASSALADRÃO, KASSABOSTA FILHO DA PUTA.

  4. Jorge Postado em 22/Apr/2012 às 20:44

    Sou morador de um predio proximo a favela do moinho, vemos carros dentro da favela, luxo que nao tenho, (talvez porque pago o carnêzao do meu apto, e condominio, e impostos, e agua, luz, iptu, e nao me sobra nada para comprarum carro) mas ser favelado não é nada ruim, pois é ser insento de todos esses débitos mensais que todo cidadão "normal" tem dever mensalmente.  Desculpem mas a favela do moinho tem um bar, que toca música alta de sexta à domingo, direto onde atormenta todos os outros moradores, que trabalha, talvez para pagar suas contas no final do mês, mas só talvez, pagar aluguel ou presteção de suas moradias, mas acho que estão certos mesmo, tem que festejar, festejar tanta insenção e benficio de gerados por ser favelado. Eu inicio meu mês, todo santo mês do ano com divida mensal de R$ 1.765,00 referentes a prestação da moradia; condominio, água, luz, internet, tv a cabo e telefone. Quem não tem deveres como os meus, não tem que se preocupar mesmo, não precisa trabalhar, tem que festejar de final de semana inteiro, um tapa na cara da sociedade que paga seus impostos. TROUXAS SOMOS NÓS! favelado é esperto que não paga nada e consome energia, água, tv, internet, tv a cabo e quem paga somos nós, cidadãos trabalhadores.  No dia do incendio vi, moradores tirando, na maior correria suas tvs de tela plana, carros e equipamentos tecnologicos de seus barracos, e vocês aí, com essa televisao velha em sua sala, claro né? Com tantos deveres e contas mensais não sobrou nada para comprar uma tv melhor, agora fique sem pagar a luz por 2 meses pra ver o que acontece com vcs queridinhos, ESCURIDÃO! Festa tem na favela, trafico, bandidagem, isso é um alimento para a criminalidade!  Ridiculooooo não quererem R$300 como auxilio moradia, isso obrigaria o trabalho para completar o restante do aluguel? Por isso a rejeição? Ou querem que a prefeitura dê um auxilio "boa-vida?" ahhhh ótimo! Já sou contra o pagamento R$300 que vai sair do meu bolso, mas enfim, gente acomodada como nessa favela do moinho sempre vai ter!  Favelados vão batalhar por uma vidaaaaa como todos! Prefeitura não alimente esse caos... Kassab não desperdice o dinheiro publico com marginais e favelados que não querem auxilio, e sim boa vida pra gandaiar todos dia!

    • junior Postado em 31/Mar/2014 às 06:30

      assino em baixo