Luis Soares
Colunista
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Política 19/Aug/2011 às 18:56
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Comentário

168 crianças paquistanesas assassinadas pela CIA nos governos Bush e Obama

O maior número de mortes de crianças pertence ao governo de George Bush (em dois mandatos). São 112 menores de 17 anos assassinados. 
O Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública,
identificou relatos sobre 168 crianças assassinadas – 44% dos 385 civis
mortos
– em sete anos de ataques de aviões não tripulados, pilotados
remotamente pela CIA, em áreas tribais do Paquistão.
O paquistanês Din Mohammad, por exemplo, teve a má sorte de ser
vizinho
, na região de Danda Darpakhel, no Waziristão do norte, de
supostos militantes da rede Haqqani, um grupo insurgente que luta contra
as forças americanas no vizinho Afeganistão.
Leia mais:
No dia 8 de setembro de 2010, mísseis destruíram a casa dos supostos
militantes, matando seis deles. Um dos mísseis atingiu também a casa de
Din Mohammad matando o filho, estudante em um colégio militar no
Waziristão, duas filhas e o sobrinho, todos em idade escolar.
Embora os repórteres de campo do Bureau tenham identificado detalhes
deste ataque, os EUA negam que civis tenham sido mortos na campanha
militar naquele país.
No governo Bush: 112 crianças assassinadas
O maior número de mortes de crianças pertence ao governo de George
Bush. São 112 menores de 17 anos assassinados. Durante os ataques,
morriam muitas crianças. Em apenas um deles, foi registrada a morte de
uma única criança.
Essas crianças têm mesmo que morrer?
No dia 28 de julho de 2008, por exemplo, os aviões sem tripulantes da
CIA atingiram um seminário no Waziristão do sul, matando o expert em
armas químicas da Al Qaeda, Abu Khabab al Masri e a sua equipe.
O ataque, considerado um sucesso, também vitimou três jovens rapazes e
uma mulher. Apesar do segredo em torno dessa guerra por controle
remoto, detalhes já haviam surgido em maio deste ano,
revelando que não apenas os EUA sabiam deste tipo de “dano colateral”,
mas que o chefe da CIA, Michael Hayden, pediu desculpas pelo erro
pessoalmente ao primeiro ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani.
Num colégio religoso, um dos piores ataques
– 
Em 20 de outubro de
2006, num dos piores incidentes de toda a campanha militar
norte-americana e um dos menos noticiados pela imprensa, 80 civis –
sendo 69 crianças – foram mortos num ataque da CIA a uma escola
religiosa, em Chenegai, na localidade de Bajaur Agency.
O suposto alvo era o
diretor da escola, um militante conhecido. Relatos dão conta de que
helicópteros militares paquistaneses ajudaram, tardiamente, no ataque a
escola.A mais jovem das crianças mortas tinha apenas sete anos. O
veterano jornalista da BBC, Rahimullah Yousufzai, relembrou a cena. “As
pessoas estavam devastadas. Conheci um pai que havia perdido dois dos
seus filhos.
– 
Ele era muito
paciente, e falava que fora esta a vontade de deus, mas estava
claramente traumatizado”.O exército paquistanês assumiu o ataque para
si, mas com as notícias que se espalhavam e com protestos que
paralisaram o comércio em toda região a história mudou.
O jornal britânico
Sunday Times publicou um depoimento de um assessor do então presidente
do Paquistão, Pervez Musharraf: “Nós pensamos que seria menos
prejudicial se disséssemos que fizemos o ataque em vez dos EUA. Mas
houve um grande dano colateral, e tivemos que pedir aos americanos para
não fazerem mais isso”.
– 
Na semana seguinte aos ataques, o jornal The News publicou os nomes e os vilarejos de cada uma das 80 vítimas. 69 delas tinham 17 anos ou menos.
– 
De acordo com uma
fonte ouvida, uma das vítimas tinha apenas 7 anos; três tinham 9; uma
tinha 10; quatro tinham 11; outras quatro tinham 12; oito tinham 13;
seis tinham 14; nove tinham 15; dezenove tinham 16; doze tinham 17; três
tinham 18; três tinham 19; e somente dois tinham 21 anos.
– 
O jornalista
Yousufzai não tem dúvidas de que o ataque foi obra da CIA: “tenho
certeza absoluta de que esse ataque foi feito por aviões não tripulados
dos EUA, baseado no que ouvi de testemunhas e nos comentários
subsequentes de oficiais do governo do Paquistão”.
 No governo Obama: 56 crianças assassinadas
O Bureau identificou 56 crianças assassinadas durante o seu mandato –
embora, nos últimos meses, tenha se constatado a redução do número de
vítimas.
Leia também:
O filho de 8 anos de Maezol Khan perdeu a vida em 14 de fevereiro de
2009, após sua casa ser atingida por engano num ataque que visava seus
25 supostos vizinhos militantes.
Os estilhaços dos mísseis mataram o menino enquanto dormia. “Como os
EUA podem invadir nossas casas quando estamos dormindo, e alvejar as
nossas crianças?”, desabafou Maezol.
Segundo relatos, em 11 de agosto de 2009 outro incidente vitimou
crianças e mulheres, num ataque a um suposto complexo do Talibã que
matou até 25 pessoas.
Dois anos mais tarde, Arshad Khan, um jovem sobrevivente desse
ataque, preso sob custódia da polícia paquistanesa, disse à imprensa que
o complexo era um campo de treinamento para homens-bombas adolescentes.
Ele identificou quatro vítimas jovens.Contou ainda que foi recrutado sem saber que seria um homem-bomba.
Ao falar sobre as vítimas menores de 17 anos, a porta-voz da Unicef
para a região sul da Ásia, Sarah Crowe, afirmou que “até mesmo uma morte
de criança por aviões não tripulados é demais. Crianças não deveriam
estar no meio de uma guerra e os dois lados deveriam fazer o máximo
parta protegê-las de ataques violentos a qualquer hora”.
Clique aqui para ler a reportagem original, em inglês. 
Versão em português editada por Thiago Domenici – APublica

Comentários

  1. Diego Postado em 22/Aug/2011 às 09:35

    Efeito da guerra, mostra o pior lado das pessoas