Redação Pragmatismo
Meio Ambiente 17/Jun/2011 às 18:40
4
Comentários

Ruralistas matam dois por semana mas o MST é que é violento?

ruralistas matam dois mst violento
Foto: Leonardo Melgarejo

Mais de 1600 assassinatos de lideranças ou militantes camponeses nos últimos 25 anos.

Em média, mais de um por semana.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Só nas últimas três semanas, seis mortes na Amazônia.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

No último fim de semana, arrombamento da sede da CPT do Maranhão.

E o MST é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Duas semanas atrás, um líder quilombola, também no meu Maranhão querido, sofreu atentado a bala em sua casa.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Centenas de militantes e defensores de direitos humanos sofrem com ameaças de policiais, pistoleiros e da própria Justiça, como o advogado José Batista Gonçalves, condenado por fazer o seu trabalho de assessoria jurídica e tentar evitar conflitos que levassem pessoas à morte.

Leia também: Ruralistas do Congresso vaiam anúncio da morte de extrativistas do Pará

No 24 de maio passado, enquanto Sarney Filho anunciava com pesar o assassinato de José Cláudio, na tribuna da Câmara, os agroboys da Kátia Rebelo e do Aldo Abreu vaiavam nas galerias.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical” porque derruba pés de laranja.

Só no Pará, mais de 900 trabalhadores rurais ou apoiadores da luta campesina foram assassinados nos últimos 30 anos.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Em Pernambuco ou no Rio Grande do Sul, a Polícia Militar intimida (com bombas, sirenes e tiros), prende, espanca e tortura. Ou, simplesmente, executa. Como no Massacre do Eldorado dos Carajás.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Os movimentos propõem limite para latifúndios (existentes em muitos países “mudernos”) e atualização de índices de produtividade (defasados “apenas” em três décadas e meia) e o sabujo do Bóris Casoy lê editorial dizendo que a propriedade e o Estado de Direitos estão ameaçados no Brasil.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Tipo em Coqueiros, no Rio Grande do Sul, onde uma única fazenda ocupa 30% do município e gera 6 empregos, aí o MST ocupou várias vezes…

E é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

A PEC que expropria terras onde existir trabalho escravo mofa há mais de década no Congresso Nacional, mas o Código da Motosserra que envergonha o Brasil no exterior é aprovado com folga em dois anos.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Mais de cinco mil pessoas de entidades e movimentos sociais que não aceitam a lei do latifúndio vivem e dormem com um ou dois olhos abertos, atentos a um tiro certeiro como bala que já cheira sangue.

E “os sem terra” é “violento”, “fora da lei”, “radical”.

Sem falar na ultra-esquerda (que, muitas vezes, fala para o próprio umbigo e para as paredes) que acusa o MST de ser governista ou recuado demais.

Conexão Brasília Maranhão

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Rogério Tomaz Jr. Postado em 21/Jun/2011 às 13:59

    Agradeço a citação, mas uma correção é necessária: o nome do blog é Conexão Brasília Maranhão. Obrigado.

  2. Rogério Tomaz Jr. Postado em 22/Jun/2011 às 02:49

    Camarada, não ganho nada com o meu blog, não tenho qualquer pretensão de ganhar, não concorro a TopBlogs ou qualquer espécie de prêmio, e não tenho qualquer restrição à reprodução (inclusive com alteração/edição) do que publico. A única coisa que peço e não abro mão é o crédito de autoria. Aliás, é uma prática não apenas ética jornalisticamente, mas socialmente, sobretudo na Internet. Assim, peço mais uma vez que você credite corretamente o nome do meu blog no post que você reproduz aqui: Conexão Brasília Maranhão. Assim como seria muito ético e respeitoso que você publicasse a autoria da foto, como está na minha postagem original: Leonardo Melgarejo.

  3. Luis Soares Postado em 22/Jun/2011 às 10:02

    Companheiro Rogério, confesso que a publicação me foi indicada com a citação da fonte tal qual como postei, já reproduzida por um outro portal. Agradeço pela correção.