Corretora que desapareceu misteriosamente é encontrada morta; síndico e filho são presos
Caso parecia simples, pois câmeras de seguranças registraram os últimos momentos da mulher, mas investigação só avançou após a repercussão do caso na imprensa. Cléber Rosa armou uma emboscada para a vítima no subsolo do condomínio

por Felipe Borges
A Polícia Civil de Goiás afirmou, nesta terça-feira, que o síndico Cléber Rosa de Oliveira é o responsável pela morte da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, no subsolo do prédio onde ambos moravam, em Caldas Novas. A conclusão foi apresentada em coletiva de imprensa após pouco mais de um mês de investigações sobre o desaparecimento da vítima.
Segundo a apuração, Daiane foi morta enquanto tentava religar a energia elétrica de seu apartamento, interrompida repetidas vezes apesar de não haver inadimplência. Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora deixando o imóvel por volta das 19h do dia 17 de dezembro, com o celular na mão, registrando o trajeto até a área técnica do edifício. Em vídeos enviados a uma amiga, ela mostra que o condomínio seguia com energia normal, enquanto apenas seu apartamento permanecia às escuras.
A polícia afirma que Daiane foi abordada por Cléber no subsolo, momento em que filmava os relógios de energia. O síndico admitiu à polícia que houve um desentendimento, mas optou por permanecer em silêncio ao ser questionado sobre as circunstâncias da morte. De acordo com os investigadores, após o crime, o corpo foi colocado na caçamba de um carro e abandonado em uma área de mata às margens de uma estrada. Cléber foi conduzido ao local para indicar onde teria deixado o corpo, posteriormente localizado pelas equipes.
A investigação também destacou falhas relevantes na segurança do prédio. Havia apenas dez câmeras de monitoramento instaladas, nenhuma delas nos acessos por escada — justamente por onde o síndico teria circulado. O subsolo, local do crime, é considerado um ponto cego do sistema.
Além de Cléber, o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foi detido temporariamente, suspeito de obstrução da investigação. Segundo a polícia, ele teria auxiliado o pai na compra de um novo celular após o desaparecimento de Daiane. Ainda não há confirmação sobre eventual participação na ocultação do cadáver. O porteiro do prédio também foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos; o nome não foi divulgado.
O histórico entre vítima e suspeito reforçou a linha investigativa. No início do ano, Cléber já havia sido denunciado por perseguição contra Daiane. Conforme denúncia do Ministério Público de Goiás, o síndico teria adotado condutas que colocavam em risco a “integridade física e psicológica” da corretora entre fevereiro e outubro de 2025. O documento aponta ainda indícios de sabotagem no fornecimento de água, energia, gás e internet de imóveis administrados por ela. As desavenças teriam começado após um conflito envolvendo a locação de um apartamento para um número de pessoas acima do permitido pelo regulamento interno.
Daiane morava no prédio havia cerca de dois anos. À polícia, a mãe da vítima, Nilze, relatou que os cortes de energia eram recorrentes e injustificados. “Ela saiu para religar a luz. Isso acontecia com frequência”, afirmou em entrevista.
O edifício integra um condomínio maior, formado por vários blocos com administração autônoma, o que, segundo o delegado André Luiz Barbosa, responsável pelo caso, impôs desafios adicionais à apuração. “Cada bloco tem sua própria dinâmica administrativa, o que exige cuidado redobrado na reconstrução dos fatos”, explicou à TV Anhanguera, em declarações anteriores.
A defesa de Cléber informou, em nota divulgada antes da prisão, que ele colaborava com as autoridades e havia prestado as informações necessárias para o esclarecimento do caso. Após a coletiva desta terça-feira, a reportagem voltou a procurar os advogados do síndico e aguarda posicionamento atualizado.



