Redação Pragmatismo
Notícias 23/Jan/2026 às 22:07 COMENTÁRIOS
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Um dos adolescentes que espancou cão comunitário em Santa Catarina foi mandado para a Disney

Publicado em 23 Jan, 2026 às 22h07

Moradores tentaram salvar cão comunitário, mas animal agonizava e precisou passar por eutanásia em Santa Catarina. Adolescentes que protagonizaram a covardia pertencem a famílias ricas e estão sendo protegidos. Um deles chegou a ser enviado para a Disney após o avanço das investigações e das coletas de imagens de câmeras de segurança

Cão Orelha faleceu após agressão covarde
Cão Orelha faleceu após espancamento covarde

A morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, mobilizou moradores, ativistas e expôs mais uma vez a percepção de desigualdade no tratamento dado a crimes de maus-tratos contra animais. Espancado no início do ano, o animal foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata, socorrido por moradores e levado a atendimento veterinário. Diante do quadro irreversível e do sofrimento prolongado, Orelha precisou passar por eutanásia.

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que ao menos quatro adolescentes suspeitos de participação nas agressões já foram identificados e localizados. A investigação avançou a partir da análise de imagens de câmeras de segurança e de depoimentos de moradores da região. Um boletim de ocorrência foi registrado, e o caso está sob responsabilidade da Delegacia de Proteção Animal.

Apesar do avanço formal das apurações, o episódio gerou indignação na comunidade. Moradores relatam que os adolescentes envolvidos pertencem a famílias de alto poder aquisitivo e estariam sendo protegidos. Um dos jovens, segundo relatos que circulam entre moradores e ativistas, chegou a ser enviado ao exterior — para um parque da Disney — após o avanço das investigações e a coleta de imagens, o que intensificou a sensação de tentativa de abafamento do caso.

Mobilização e cobrança por justiça

Após a morte de Orelha, moradores da Praia Brava se organizaram em mobilizações públicas para cobrar responsabilização. O cachorro era cuidado há anos por pessoas da comunidade e era considerado parte do cotidiano local. A violência contra o animal provocou forte comoção.

“Hoje minha indignação é pela morte do cão comunitário Orelha, espancado por adolescentes na Praia Brava. Um amigo de rua, cuidado por moradores por anos, foi vítima de um ato cruel que chocou toda a comunidade”, diz um dos depoimentos coletados durante as manifestações. “Maus-tratos contra animais são crime, e nós não vamos calar diante da violência.”

Outro relato resume o sentimento predominante entre moradores: “Vai acontecer nada. Soube que são ‘riquinhos’.” A frase, repetida em protestos e nas redes sociais, revela a desconfiança quanto à efetividade da responsabilização quando os suspeitos pertencem a famílias influentes.

Investigação e posicionamento da polícia

A delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo caso, afirmou que não há qualquer indício de envolvimento de policiais civis no crime e reforçou que os suspeitos já foram identificados. Segundo ela, o inquérito se encontra na fase de oitivas.

“As pessoas que, em tese, estão envolvidas já foram identificadas. Nós estamos agora na fase de oitivas para a gente conseguir finalizar o quanto antes esse procedimento”, declarou.

A delegada também destacou as dificuldades específicas desse tipo de investigação. “A vítima não fala e, muitas vezes, não permanece no mesmo local”, afirmou, lembrando que a apuração de crimes contra animais depende fortemente de imagens, testemunhos e da colaboração da comunidade.

Um problema que se repete

Dados da própria Polícia Civil indicam que, apenas no ano passado, Santa Catarina registrou 5.605 ocorrências de agressões a animais. O número reforça que o caso de Orelha não é um episódio isolado, mas parte de um problema estrutural que envolve violência, impunidade e, em muitos casos, indiferença institucional.

Para moradores e ativistas, a brutalidade do ataque e a condição social dos envolvidos tornam o episódio ainda mais simbólico. “É apavorante ver jovens praticando maus-tratos de forma sádica e, em vez de consequências, receberem proteção. Isso não pode ser normalizado”, afirmou um manifestante durante ato realizado na capital.

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