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Zambelli no hospital e militantes na casa de Bolsonaro: as consequências das falas de Delgatti e Mauro Cid

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Carla Zambelli foi internada e até agora não se manifestou sobre a participação de Walter Delgatti na CPMI. Hospital afirma que deputada não tem previsão de alta. Após os depoimentos do hacker e do coronel Mauro Cid, que externou seu desejo de confessar tudo, alguns militantes passaram a acampar na frente da casa de Jair Bolsonaro para evitar que ele seja preso ou se entregue. Alexandre de Moraes atendeu pedido da PF e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-presidente e de Michelle

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi hospitalizada em Brasília nesta quinta-feira (17). A princípio, a assessoria da parlamentar não explicou o motivo da internação. Horas depois, afirmaram que Zambelli teria sido diagnosticada com um quadro de ‘diverticulite aguda’.

“Seu quadro de saúde permanece estável, e Carla expressa sua gratidão pelas manifestações de apoio e votos de recuperação”, diz a nota da deputada.

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O Hospital DF Star confirmou a internação e disse que a deputada não tem previsão de alta médica. “No momento encontra-se internada para tratamento clínico e antibioticoterapia endovenosa, sem previsão de alta hospitalar”, afirma o comunicado do hospital.

Nos corredores de Brasília, o que se comenta é que Zambelli está muito perto de ser presa. “Apesar de ter foro privilegiado, é muito provável que ela seja presa antes de Bolsonaro”, disse um parlamentar em Pragmatismo.

Segundo a assessoria de Zambelli, ela acompanhou o depoimento do hacker Walter Delgatti à CPMI dos Atos Golpistas diretamente de seu quarto no hospital.

Delgatti, em depoimento à Polícia Federal, mencionou ter recebido R$ 40 mil de Carla Zambelli para realizar invasões em sistemas judiciais. A defesa da parlamentar rejeitou veementemente as acusações feitas por Delgatti e negou qualquer conduta ilícita ou pagamento ao hacker em questão.

Tempestade perfeita

O depoimento de Delgatti, que incrimina Jair Bolsonaro, aconteceu no mesmo dia que o advogado de Mauro Cid revelou o desejo do seu cliente de confessar tudo.

Ou seja, de um lado o ex-presidente foi bombardeado com as acusações que o apontam como chefe de uma trama criminosa para golpear as eleições presidenciais e a democracia brasileira. De outro, é acusado de comandar o esquema de contrabando internacional de joias.

No final da noite de ontem, uma pequena movimentação foi percebida na frente do condomínio de luxo onde mora Jair Bolsonaro em Brasília (DF). Alguns militantes relataram que estavam dispostos a acampar no local para evitar que o ex-presidente seja preso pela Polícia Federal.

O que disse Mauro Cid

O advogado do tenente-coronel Mauro Cid, Cezar Bittencourt, revelou que seu cliente deverá assumir que vendeu joias da Presidência da República a mando de seu ex-chefe, Jair Bolsonaro, a quem entregou em espécie o dinheiro adquirido com a venda. Cid atuou como ajudante de ordens do então presidente, sendo um de seus principais homens de confiança. As informações são da revista Veja.

O valor obtido com a venda ilegal dos presentes oficiais pode ter ultrapassado R$ 1 milhão. Fariam parte do esquema Mauro Cid; seu pai, o general da reserva Mauro César Lourena; o segundo-tenente do Exército Osmar Crivelatti, braço direito de Mauro Cid; e o ex-advogado da família Bolsonaro Frederick Wassef.

Ainda ontem, o ministro Alexandre de Moraes atendeu um pedido da Polícia Federal e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Jair Bolsonaro e de sua esposa, Michelle Bolsonaro, com o objetivo de identificar se o dinheiro adquirido com a venda de joias da Presidência foi repassado ao ex-presidente.

O que disse Delgatti

O hacker afirmou que, em uma reunião com Bolsonaro em 2022, ouviu que o governo já tinha conseguido grampear o ministro Alexandre de Moraes. E que Bolsonaro teria, nesse encontro, sugerido que Delgatti “assumisse a autoria” do grampo.

A conversa, ainda de acordo com o hacker, foi intermediada pela deputada federal Carla Zambelli. “Ela pegou um celular que estava com ela, enviou mensagem a alguém e o presidente da República entrou em contato comigo”, disse Delgatti.

“E segundo ele [Bolsonaro], eles haviam conseguido um grampo, que era tão esperado à época, do ministro Alexandre de Moraes. Que teria conversas comprometedoras do ministro, e ele precisava que eu assumisse a autoria desse grampo”, diz o hacker.

Ainda segundo Delgatti, a ideia por trás dessa estratégia era evitar questionamentos “da esquerda” – já que, por ter hackeado autoridades ligadas à operação Lava Jato, em anos anteriores, ele gozaria de certo prestígio entre os opositores de Bolsonaro.

“Lembrando que, à época, eu era o hacker da Lava Jato, né. Então, seria difícil a esquerda questionar essa autoria, porque lá atrás eu teria assumido a ‘Vaza-Jato’, que eu fui, e eles apoiaram. Então, a ideia seria um garoto da esquerda assumir esse grampo”, relatou.

Delgatti disse ainda que o grampo, segundo ouviu de Bolsonaro, teria sido feito por “agentes de outro país” e que, em troca de assumir a autoria do grampo, receberia um indulto presidencial.

Delgatti também disse que, em uma reunião com assessores de campanha de Jair Bolsonaro, em outubro de 2022, foi aconselhado a criar um “código-fonte falso” para sugerir que a urna eletrônica era vulnerável e passível de fraude. A proposta teria partido do marqueteiro Duda Lima em uma reunião com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e outras pessoas ligadas à parlamentar.

“A segunda ideia era no dia 7 de setembro, eles pegarem uma urna emprestada da OAB, acredito. E que eu colocasse um aplicativo meu lá e mostrasse à população que é possível apertar um voto e sair outro”, disse Delgatti.

“O código-fonte da urna, eu faria o meu, não o do TSE. Só mostrando, a população vendo que é possível apertar um voto e imprimir outro. Era essa a ideia.”

“Eles queriam que eu fizesse um código-fonte meu, não o oficial do TSE. E nesse código-fonte, eu inserisse essas linhas, que eles chamam de ‘código malicioso’, porque tem como finalidade enganar, colocar dúvidas na eleição.”

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