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Morre Boris Fausto, um dos historiadores mais importantes do Brasil

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Boris Fausto é autor do clássico "A Revolução de 1930", obra que propôs uma interpretação nova a respeito das classes sociais e das forças armadas no Brasil. Boris classificou o ex-governo Bolsonaro como 'espantoso' e sem paralelos na história republicana brasileira. Sobre a morte, Boris costumava reproduzir uma citação de Elias Canetti: “Eu odeio a morte. Vou lutar até o fim contra ela, embora eu saiba que vou perder”

Boris Fausto

Boris Fausto morreu na terça-feira (18) aos 92 anos em São Paulo. O historiador havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) em 2021. Seu corpo será velado nesta quarta-feira (19) no centro da capital paulista.

Ele ganhou projeção com seu livro de estreia, “A Revolução de 1930”, lançado em 1970. A obra é considerada um clássico e influenciou a historiografia brasileira com suas análises sobre o tenentismo e o fim da Primeira República.

“Perdemos Boris Fausto. Ele foi um dos mais lúcidos e coerentes pensadores brasileiros contemporâneos”, publicou o cientista político Sergio Abranches, em mensagem no Twitter.

Em obituário publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, Fausto é descrito como “um dos maiores historiadores do país, autor de livros fundamentais para a compreensão do Brasil do século 20”.

Seu último livro foi “Vida, morte e outros detalhes” de 2021, um compilado de contos e memórias que terminava com um episódio em que o autor “matava a morte”, como lembra o obituário publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Doutor pela Universidade de São Paulo, o historiador venceu três Jabutis, um dos principais prêmios da literatura brasileira. Ele foi coordenador da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), pesquisador da Rockefeller Foundation e professor visitante da Brown University. A TV Câmara lançou um documentário sobre sua vida em 2018.

Em 2019, Boris chegou a classificar o governo Bolsonaro como ‘espantoso’ e sem paralelos na história republicana brasileira. “Não vejo [nada parecido]. É uma situação absolutamente inusitada [a composição do então governo] e uma situação que produz espanto”.

Sobre a morte, Boris costumava reproduzir uma citação de Elias Canetti: “Eu odeio a morte. Vou lutar até o fim contra ela, embora eu saiba que vou perder”.

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