Direita

Bolsonaro rebate críticas de Zambelli e diz que foi traído pela deputada

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Zambelli criticou ida de Bolsonaro para os EUA e disse que pensou diversas vezes que seria acordada pela PF batendo de manhã na porta da sua casa. A deputada garante que mudou de opinião e não é mais a favor do impeachment de Alexandre de Moraes. Ex-presidente chamou a parlamentar de traíra e acredita que ela fez um acordo com o ministro do STF

Zambelli e Bolsonaro (Imagens: Evaristo Sá/AFP/Reuters)

Aliada de Jair Bolsonaro (PL), a deputada Carla Zambelli (PL-SP) disse ao jornal “Folha de S.Paulo” discordar da forma que o ex-presidente se comportou após a derrota nas urnas para Lula na eleição de 2022.

“Ele levou aquele tempo todo [para falar após a eleição] e o silêncio que teve. Ele tinha que organizar a oposição, orientar a gente, ele era experiente, tinha 28 anos de Câmara. Tínhamos que mostrar nosso descontentamento até para incentivá-lo a ser a voz da oposição”, reclamou Zambelli.

Questionada sobre a ida de Bolsonaro para os EUA, Zambelli disse que “passar um tempo fora para pensar no que vai fazer é legítimo, mas ele deveria estar aqui para liderar a oposição. A gente teria mais condições, capacidade e força”.

A deputada ainda falou sobre outros temas polêmicos. “Depois do dia 8 de janeiro, estou sendo bem mais cuidadosa para não ter mais pessoas se enganando. A gente está em outro patamar, agora não é hora de bater no STF, não é hora de fazer manifestação”, disse.

Zambelli falou que não tem medo de ser presa, mas tem “expectativa” de que isso ocorra. “Várias vezes fui dormir pensando que ia ter que acordar às 6h com a Polícia Federal na minha porta”.

A deputada também afirmou que a prioridade dela agora não é mais defender Bolsonaro, mas sim atacar o presidente Lula (PT). “Eu tinha o papel de defender Bolsonaro e o governo, qualquer um que os atacasse tinha que virar um alvo meu. Nesta legislatura, Bolsonaro não é mais presidente, então nosso alvo tem que ser Lula, seus feitos e desfeitos”.

Zambelli garante que agora é contra o impeachment de Alexandre de Moraes, defendido pelo ex-presidente quando ainda estava no comando do país: “Bolsonaro não ganhando, a gente tem que virar a chave. Qualquer impeachment no STF, o substituto vai ser indicado por Lula. Pode entrar uma pessoa que faça as maldades do Alexandre de Moraes parecerem uma criança chupando picolé”.

Bolsonaro fala em traição

Após as declarações de Zambelli, Bolsonaro afirmou a interlocutores com quem mantém contato direto no Brasil que foi traído pela deputada. Bolsonaro disse acreditar que a parlamentar fez um acordo com o ministro do Supremo Tribuna Federal (STF) Alexandre de Moraes para retornar às redes sociais e se ver livre da ameaça de ser presa.

Ele teve essa certeza no dia 6 de fevereiro, quando leu a notícia de que o magistrado tinha permitido que Zambelli reativasse suas redes, então suspensas por ordem do tribunal.

Na decisão em que desbloqueou os perfis dela no Facebook, Twitter, Instagram, TikTok, Gettr, WhatsApp e Linkedin, o magistrado afirma que houve “a cessação”, por parte de Zambelli, “de conteúdos revestidos de ilicitudes e tendentes a transgredir a integridade do processo eleitoral”.

Bolsonaro foi questionado pela CNN sobre a entrevista de Zambelli à Folha e se irritou. “Não discuti o assunto dessa notícia com ninguém. Eu não li essa entrevista, nem vou ler”.

O senador Flávio Bolsonaro já chegou a responsabilizar Zambelli pela derrota eleitoral do pai. Ele acredita que o episódio em que a parlamentar ameaçou um homem negro com uma arma de fogo tirou votos de Bolsonaro na reta final.