ELEIÇÕES 2022

Operação da PRF para impedir nordestinos de votar foi traçada na residência de Bolsonaro

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Diretor-geral da PRF apagou storie publicado na noite de ontem em que pedia voto a Bolsonaro. Reunião que definiu as operações de hoje contra o povo nordestino aconteceu a portas fechadas no Alvorada, residência oficial de Bolsonaro

(Imagem: Pedro Ladeira)

A ação protagonizada hoje pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) que acontece hoje nas estradas brasileiras com ações que dificultando o transporte de eleitores começou a ser articulada na noite do dia 19 de outubro. Naquela quarta-feira, o núcleo duro da campanha de Jair Bolsonaro (PL) se reuniu no Palácio da Alvorada e traçou as ações fundamentais que devem ser tomadas na reta final do segundo turno.

Uma delas era justamente a ação que está sendo feita desde a madrugada de hoje: os chefes dos órgãos que auxiliarão a Justiça Eleitoral, como as Forças Armadas, Polícia Federal (PF) e PRF, seriam instruídos para que os seus comandados ficassem atentos ao transporte irregular de eleitores, sobretudo no Nordeste.

Obviamente, nunca se tratou de uma preocupação com a marca da imparcialidade.

Desde sempre, a expectativa do comando bolsonarista é que fossem barrados, impedidos ou dificultados apenas eventuais locomoções irregulares de eleitores de Lula.

Diz um integrante da campanha: “Nem seria preciso dar uma ordem explícita para nada. Como o efetivo dessas forças policiais é basicamente composto de simpatizantes do presidente, a consequência é de uma operação como essa é óbvia”.

Diretor-geral da PRF pede voto a Bolsonaro

O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, publicou nas redes sociais uma imagem em que pede o voto no presidente Bolsonaro.

Ele postou uma foto da bandeira do Brasil com as frases “vote 22. Bolsonaro presidente”. A publicação na forma de “stories” na rede social, que tem prazo máximo de 24 horas, foi apagada.

Na noite de sábado (30), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, proibiu a realização de operações da PRF contra veículos utilizados no transporte público de eleitores para impedir atuação do órgão em favor da campanha de Bolsonaro.

A decisão atendeu pedido do deputado federal petista Paulo Teixeira (SP). Na peça encaminhada ao TSE, ele cita reportagens publicadas pela imprensa sobre o suposto aparelhamento da PRF e da PF.

Na decisão, Moraes ainda afirmou que o descumprimento da decisão poderá acarretar a responsabilização criminal dos diretores das corporações por desobediência e crime eleitoral.

Moraes intima diretor da PRF

Nesta manhã, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, intimou o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a explicar, com urgência, as razões pelas quais estão sendo realizadas operações policiais. Segundo a decisão, os diretores das polícias podem ser responsabilizados criminalmente em caso de descumprimento da medida.

As operações estariam sendo realizadas mesmo após a proibição de qualquer ação que afete o transporte público dos eleitores, determinada por Moraes na noite de ontem.

Diretor-geral da PRF determinou “curso natural” de ações “não conflitantes” com a decisão do TSE. Silvinei Vasques disse em ofício circular aos superintendentes da corporação que ações deveriam ocorrer até o dia 1 de novembro. No mesmo documento, o diretor-geral da PF disse que determina o “fiel cumprimento” da decisão do ministro, mas não detalha quais ações “não conflitantes” seriam liberadas.

“Reafirmo o compromisso da PRF com o fortalecimento da segurança Pública Nacional, quer seja na proteção das vidas, na preservação dos patrimônios públicos e privados e na garantia da mobilidade nas rodovias e estradas federais e nas demais áreas de interesse da União, razão pela qual a OPERAÇÃO ELEIÇÕES 2022, nas ações não conflitantes com a decisão proferida pelo TSE […], deve seguir o seu curso natural até o dia 1º de novembro de 2022, com o Debriefing das ações do 2º turno”, escreveu Vasques.

Eleitores reclamam de operações

Pelas redes sociais, eleitores estão compartilhando registros de operações e abordagens da PRF que estariam atrapalhando a viagem aos locais de votação. Um passageiro de uma van que foi parada na BR-101, na cidade de Teotônio Vilela (AL), logo depois da Usina Seresta, conversou com a reportagem do Uol, descreveu a abordagem como “tranquila”, mas disse que atrasou a viagem em “cerca de 30 minutos”.

Campanha de Lula acionou TSE

A coligação Brasil da Esperança, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enviou uma manifestação ao tribunal afirmando que teve conhecimento de operações conduzidas pela PRF, “principalmente na região Nordeste”, para supostamente impedir a circulação de veículos com eleitores do petista. Depois, o grupo pediu ao ministro Alexandre de Moraes a prisão de todos os envolvidos em operações da PRF que estejam afetando o transporte de eleitores.

O pedido de prisão seria a medida a ser adotada caso a PRF não suspendesse as operações. A campanha de Lula também pediu ao TSE que multe o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, em R$ 500 mil por hora de descumprimento.

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