ELEIÇÕES 2022

Quem é a empresária que bancou painéis que associam a esquerda ao PCC

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Bolsonarista que bancou painel gigante que associa esquerda ao PCC foi citada em recente inquérito do STF. Painel com a fake news custou R$ 18.478,26

Bolsonaro e Tuty

Responsável pela contratação de outdoor que associava a esquerda a facção criminosa PCC, em Porto Alegre, a empresária bolsonarista Nair Berenice da Silva, conhecida como Tuty, foi mencionada no inquérito dos atos antidemocráticos do Supremo Tribunal Federal (STF) por ter pago pelo menos um trio elétrico para manifestação do dia 3 de maio de 2020, em Brasília.

Painel associando a esquerda ao PCC (Imagem: reprodução)

Com um lado amarelo, com a bandeira do Brasil, e outro vermelho, com uma foice e um martelo cruzados, ícones do comunismo, o painel ladeava supostos opostos como “agro” versus “MST” e “bandido preso” versus “bandido solto” e “liberdade” versus “censura”.

A imagem relacionava esquerda ao PCC e narcotráfico encabeçado pela frase “Você decide”. Outros outdoors com mesmo conteúdo e formato foram encontrados em outros estados do país, o que sugere algum tipo de orquestração.

O outdoor, que também fazia um convite à manifestação do dia 7 de setembro, foi retirado na última quarta-feira (17) por decisão do juiz Márcio André Keppler Fraga, após uma denúncia de parlamentares do PT e PSOL. Para os vereadores Leonel Radde e Matheus Gomes, o painel configurava propaganda eleitoral antecipada.

Em uma nota fiscal apresentada à Justiça Eleitoral, Nair Berenice consta como a responsável por pagar R$ 18.478,26 à empresa Life Mídias Urbanas pela instalação do outdoor em um prédio da capital gaúcha. Veja abaixo:

Nota fiscal declara que outdoors foram contratados por Nair Berenice da Silva (Imagem: Reprodução)

Em sua conta numa rede social, reconhecida como propagadora de informações falsas, Tuty chegou a postar imagens do painel gaúcho.

O perfil trazia também fotos e vídeos de Paula Cassol e imagens da empresária em atos de apoio ao presidente Bolsonaro. A conta foi apagada depois de revelado que Tuty foi financiadora do outdoor.

Tuty informou, por meio de nota, que as informações sobre seu envolvimento no outdoor e nos atos antidemocráticos, que constam de documentos oficiais disponíveis tanto no site do TRE-RS como no site do STF, são “fake news”.

Segundo um relatório da Polícia Federal, que compõe o inquérito dos Atos Antidemocráticos, Tuty foi apontada como responsável por dividir o pagamento de R$ 7 mil reais do aluguel de um trio elétrico junto a Paula Cassol, ex-coordenadora do Movimento Brasil Livre (MBL) e atualmente candidata a deputada estadual pelo PL do Rio Grande do Sul, atual partido do presidente Jair Bolsonaro. O caminhão teria sido utilizado em uma manifestação do dia 3 de maio de 2020.

A informação do pagamento foi repassada para a PF pelos donos do trio elétrico, durante a Operação Lume.

No pedido de arquivamento do inquérito feito ao relator, ministro Alexandre de Moraes, o Ministério Público Federal argumenta, entre outras coisas, que Tuty e Cassol não foram ouvidas pela PF e que o elo entre elas e outros contratantes de caminhões utilizados nos atos não foi investigado.

Paula Cassol confirmou que fez a contratação do caminhão de som. Segundo ela, o dinheiro foi arrecadado por meio de uma vaquinha para uma manifestação pelo impeachment de ministro do STF. “Não existe nada de antidemocrático em pedir a responsabilização prevista na Constituição Federal”, disse ainda a candidata em nota.

Questionada pela Folha, Cassol disse que não conhecia o conteúdo dos painéis. “Sabia que ela [Tuty] e um grupo estariam contratando painéis, mas não conhecia o conteúdo”, informou, sem especificar quem faria parte deste grupo, formado, segundo ela, por “voluntários que lutam para livrar o Brasil do comunismo”.

Nas redes sociais, é possível encontrar anúncios de vaquinhas organizadas por Tuty, para a contratação de trios elétricos e telões em manifestações contra o STF.

Em publicações mais recentes, Tuty aparece compartilhando publicações e vídeos de Paula Cassol, ainda no período de pré-campanha. Entre o conteúdo da candidata à deputada estadual compartilhado pela militante bolsonarista estão vídeos e fotos que fazem menção ao outdoor, como a postagem abaixo:

Nair Berenice compartilha postagem de Paula Cassol em que ela comenta o outdoor (Imagem: Reprodução)

Paula Cassol disse que não teve participação na instalação do outdoor.

O inquérito dos Atos Antidemocráticos acabou arquivado em julho de 2021 pelo relator, o ministro Alexandre de Moraes, que atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Para a PGR, a PF não aprofundou o suficiente a investigação quanto a participação de Nair Berenice e Paula Cassol, além de outros nomes, nos eventos narrados. Após o arquivamento, no entanto, o ministro abriu uma nova frente de investigação, voltada para apurar a ação de milícias digitais que atuariam contra a democracia. Nela, os nomes de Berenice e Cassol não aparecem.

Com Globo e FolhaPress

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