Esporte

Campeonatos estaduais tentam sobreviver à crise

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Os próximos anos serão fundamentais para determinar não apenas se os campeonatos estaduais sobreviverão, mas também se eles continuarão a ter importância no cenário futebolístico brasileiro

(Imagem: Marcos Corrêa | PR)

No Brasil, devido a seu tamanho continental, o futebol sempre foi muito regionalizado e nesse sentido os campeonatos estaduais sempre tiveram grande importância no país. Tanto é assim, que o primeiro campeonato futebolístico realmente de alcance nacional, o Campeonato Brasileiro, só começou a ser disputado em 1971. Ou seja, com muitas décadas de atraso em relação a outros países com tradição no esporte e que possuem campeonatos nacionais que começaram a ser disputados já no fim do século XIX ou no início do século XX.

Contudo, a medida que o Campeonato Brasileiro foi ganhando importância e, junto com outros campeonatos, foram tomando conta do calendário futebolístico brasileiro, os campeonatos estaduais foram, cada vez mais, sendo deixados de lado pelos grandes clubes brasileiros. Esse cenário piorou ainda mais com a pandemia que se abateu sobre o Brasil e o mundo a partir de 2020. Agora, os campeonatos estaduais tentam não só sobreviver, mas também voltar a ter importância em meio a um futebol brasileiro que cada vez mais quer ser global. E é sobre isso que nós da Betsonly (verifique aqui) falaremos hoje nesse texto.

O futebol chegou ao Brasil no final do século XIX, trazido da Europa. Contudo, devido as dimensões continentais do país e a falta de estrutura de transporte da época, o esporte se desenvolveu de forma muito regionalizado. Primeiro, nos grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro, e depois se espalhando pelo interior dos estados. Nesse cenário, os campeonatos estaduais logo surgiram e tomaram conta da paisagem futebolística brasileira.

Assim, as rivalidades e os grandes clubes surgiram e se desenvolveram em cada estado. O primeiro campeonato estadual a ser fundado foi o Campeonato Paulista, criado em 1902, devido aos esforços de Charles Miller, esportista considerado o “pai” do futebol brasileiro. Nos anos 1950, surgiu a Taça Brasil, uma tentativa de criar um primeiro campeonato de âmbito nacional. A taça, no entanto, era disputada apenas pelos campeões estaduais de cada unidade federativa brasileira e, portanto, para jogá-la um time era obrigado antes a disputar o campeonato em seu estado.

Em 1971, surge o Campeonato Brasileiro. A primeira competição futebolística realmente nacional e completamente separada dos campeonatos estaduais. De lá para cá, o Campeonato Brasileiro (apelidado de “Brasileirão”) cresceu bastante em importância e vencê-lo tornou-se um dos maiores sonhos de todos os clubes brasileiros. Além disso, outros campeonatos se popularizaram e se tornaram sonho de consumo dos clubes. O mais importante deles é a Copa Libertadores da América, que fundada em 1960 era, em seu início, praticamente ignorada pelos clubes brasileiros, mas que hoje é mais cobiçada que o próprio campeonato brasileiro. A esses, agregaram-se outras competições como a Copa do Brasil, a Copa Sul-Americana e até mesmo campeonatos inter-estaduais, como a Copa do Nordeste.

Nesse cenário, o campeonato estadual passou a ser, para os grandes clubes brasileiros, a competição menos cobiçada e menos importante entre todas as que são disputadas ao longo do ano. O campeonato estadual, inclusive, passou a ser considerado, por muitos clubes, como uma espécie de “pré-temporada” ou uma “oportunidade para testar o time” antes das “competições de verdade”.

Alguns clubes passaram, inclusive, a disputar essas competições com times reservas ou mesmo com times juniores. Isso, por sua vez, fez com que o torcedor perdesse interesse nesses campeonatos e assim, pouquíssimas partidas dessas competições conseguiam realmente angariar o interesse do grande público. Essas partidas que se destacavam eram quase sempre os jogos das fases finais e os clássicos entre os clubes mais populares de cada estado. Isso fez com que houvesse perda de interesse por parte das emissoras em transmitir essas competições. Antes mesmo do ínicio da pandemia de Covid, a Rede Globo, emissora que é a principal transmissora de futebol no país e que transmitia grande parte dos campeonatos estaduais, anunciou que não renovaria o contrato de transmissão com uma série de federações estaduais.

Esse cenário junto com a pandemia fez com que as coisas ficassem extremamente difíceis para o futebol à nível estadual e mais crítico ainda para aqueles clubes pequenos cuja existência depende dessas competições. Assim, clubes e federações estaduais tiveram que se movimentar para tentar manter esses campeonatos vivos. A solução foi buscar nossos formatos que tornassem essas competições mais rápidas, dinâmicas e interessantes.

Além disso, clubes e federações estaduais tentaram procurar nossos parceiros e emissoras que se interessassem em transmitir as partidas desses campeonatos. Nesse cenário, outras emissoras e empresas de comunicação passaram a transmitir essas competições, como a TV Record, que comprou os direitos de transmissão tanto do Campeonato Paulista quanto do Campeonato Carioca e a Sempre Editora, que passou a transmitir as partidas do Cruzeiro no Campeonato Mineiro. Os próximos anos serão fundamentais para determinar não apenas se os campeonatos estaduais sobreviverão, mas também se eles continuarão a ter importância no cenário futebolístico brasileiro.

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