Tragédia

Autoridades confirmam 55 mortos após chuva em Petrópolis

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"Cenário de guerra". Em 3 horas, choveu mais do que o esperado para o mês de fevereiro inteiro. Imagens da tragédia são chocantes e repercutem até na imprensa internacional. Bombeiros ainda não conseguiram calcular número total de desaparecidos. Mulher desesperada abre caminho na lama em busca de bebê de 1 ano

Mulher tenta abrir caminho na lama em busca de bebê de 1 ano (reprodução)

As autoridades de Petrópolis (RJ) afirmaram que já são 55 os mortos confirmados após a forte chuva que atingiu a cidade nesta terça-feira (15). O Corpo de Bombeiros ainda não conseguiu calcular o número total de desaparecidos.

A Prefeitura decretou estado de calamidade pública e informou que as equipes dos hospitais foram reforçadas para o atendimento às vítimas. Quem tiver parentes desaparecidos deve procurar a delegacia.

A Defesa Civil informou que ainda há previsão de chuva moderada a qualquer momento no município nesta quarta-feira (16). Em caso de emergência, o telefone 199 está disponível.

Com o dia claro, era possível ver o tamanho da devastação — embora, em muitos locais, fosse difícil distinguir o que era casa, o que era terra ou o que era rua.

Morros vieram abaixo, carregando pedras do tamanho de carros; veículos ficaram empilhados com a força da correnteza; vias importantes foram bloqueadas, dificultando o acesso aos desabrigados.

O Alto da Serra foi uma das localidades mais devastadas. A prefeitura estima que pelo menos 80 casas foram atingidas pela barreira que caiu no Morro da Oficina. Um vídeo mostrou o momento da queda.

“A situação é quase que de guerra. Vimos carros pendurado em poste. Carro virado de cabeça para baixo. Muita lama e muita água ainda”, descreveu o governador Cláudio Castro.

Castro afirmou que “as sirenes funcionaram perfeitamente”. “Tanto que a tragédia não foi maior porque as sirenes funcionaram”. “Mas foi uma tragédia de uma hora para outra, com uma quantidade de chuva raramente vista: 200 milímetros em duas horas é uma quantidade absurda e infelizmente, não teve como salvar todas as pessoas”.

Veículos de comunicação da Argentina, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Índia e Estados Unidos noticiaram a tragédia em Petrópolis. “Centenas de mortos após fortes chuvas no Rio”, destacaram o DW e a Reuters.

O que provocou tanta chuva?

De acordo com dados da Climatempo e da MetSul Meteorologia, a chuva extrema foi consequência da formação de intensas áreas de instabilidade sobre o estado do Rio de Janeiro com a passagem de uma frente fria pela costa.

“Nós tivemos uma frente fria passando pela região costeira fluminense que canalizou a umidade da Amazônia em direção ao estado do Rio de Janeiro, e essa umidade toda ficou aprisionada na região serrana do Rio, por conta do excesso de montanhas da região”, explicou César Ferreira Soares, da Climatempo.

Por causa da interação desta frente com o ar quente e úmido sobre o continente, um aglomerado de nuvens carregadas se formou sobre sobre a região no começo do dia. À tarde, com fluxo de ar mais frio vindo do oceano, novas áreas de instabilidade se formaram de forma mais localizada e levaram ao temporal que afetou a cidade, de acordo com a MetSul.

Mulher procura bebê

No que sobrou do Morro da Oficina, um dos locais mais devastados pela chuva em Petrópolis, uma mulher com uma enxada tentava abrir caminho na lama, atrás da filha da afilhada. “Tem que mexer, mas ninguém tá mexendo. É uma bebê de 1 ano sem respirar debaixo dessa lama. Você consegue?”