Desigualdade Social

7 mil crianças morreram por desnutrição infantil no governo Bolsonaro

Mortes por desnutrição infantil no Brasil voltam ao patamar da década de 1990. Informações são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde

Share
Imagem: reprodução

Victor Dias, DCM

Neste ano, até o mês de setembro, já foram registradas 3.061 mortes de crianças de 0 a 9 anos por desnutrição no país, de acordo com a plataforma DataSUS, do Ministério da Saúde. Em todo o ano de 2020, foram quase 4 mil mortes. Os números só aumentaram desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro, que assumiu em 2019.

Os dados são de uma pesquisa feita pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde, obtida pela Globonews por meio da Lei de Acesso à Informação. Somente 1 em cada 4 crianças atendidas nos serviços de Atenção Básica realiza as três principais refeições do dia — café da manhã, almoço e jantar.

Assista: Homem desesperado implora por comida em Brasília

Em todo o Brasil, entre janeiro e outubro de 2021, apenas 26% das crianças atendidas pelo SUS, com idades entre 2 e 9 anos, realizavam pelo menos essas três principais refeições.

A piora aconteceu com Bolsonaro

No ano passado, o índice foi ainda pior: apenas 21% das famílias entrevistadas pelo SISVAN disseram que as crianças consumiam ao menos três refeições por dia — ou seja, somente 1 em cada 5 crianças.

Leia também: Pacto pelo emprego deveria estar no centro da política econômica

O índice começou a retroceder há cerca de sete anos. Em 2015, 76% dessas crianças realizavam pelo menos três refeições por dia. No ano seguinte, o número caiu para 42%. Em 2019, já eram apenas 28% das crianças que conseguiam fazer as três refeições.

Para a nutricionista Fernanda Maba, a desnutrição está ativamente ligada à distribuição de renda e situação econômica, e que a doença no Brasil teve uma queda tão significativa a partir de 2003 por uma série de fatores, a mais relevante sendo uma facilidade maior do acesso ao alimento. Principalmente no período de introdução alimentar da criança, que acontece dos seis meses aos dois anos de idade, há uma forte distribuição de fórmula infantil por parte da saúde pública e diversos trabalhos específicos para as pessoas de baixa renda.

Siga-nos no InstagramTwitter | Facebook