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Grupo que incentivava suicídio é preso após jovem de 19 anos se matar em Brasília

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Operação teve início após uma jovem de 19 anos tirar a própria vida. A garota foi incentivada pelo grupo e agonizou por cerca de duas horas antes de morrer. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia

Grupo foi preso por incentivar a prática de suicídio – Foto: Reprodução/PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu na última quarta-feira um grupo suspeito de incentivar a prática do suicídio nas redes sociais. A detenção aconteceu após uma jovem de 19 anos tirar a própria vida. A vítima morava em uma região nobre de Brasília.

A megaoperação deflagrada resultou na prisão de quatro pessoas. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), São Paulo (SP), São Roque (SP) e Rio de Janeiro (RJ), após meses de investigação.

A ação da polícia em torno do caso teve início com o falecimento de uma mulher de 19 anos em fevereiro, em Brasília. A vítima, que não teve a identidade revelada, tirou a própria vida em sua residência, após ingerir uma substância tóxica.

A jovem teria sido instruída por esse grupo a tomar a substância para “testar” seus efeitos no corpo, em busca de um possível suicídio futuro. Com o aparecimento de graves sintomas, a garota chamou pelos pais e contou o que havia acontecido. Ela chegou a ser levada a um hospital da Região Leste da capital federal, mas não resistiu.

A investigação do caso descobriu que a vítima fazia parte de um grupo de WhatsApp chamado CTBus (referência a “catch the bus”, expressão em inglês utilizada para tratar do comprometimento com o suicídio), no qual este grupo incentivava e orientava o autoextermínio.

Os suspeitos também atuavam em outras redes sociais e na Dark Web. A polícia, agora, investiga se há outros casos de suicídios ligados ao grupo.

Jovem agonizou por duas horas

Segundo informações do portal Metrópoles, a garota que tirou a própria vida em fevereiro agonizou por duas horas antes de morrer. Sofrendo com fortes dores decorrentes da ingestão da substância, ela foi levada a um hospital pelo Corpo de Bombeiros.

Após uma primeira análise, os médicos avisaram que sua sobrevivência dependeria de um medicamento chamado Azul de Metileno, que, no entanto, estava em falta naquela e em todas as unidades da rede.

Desesperados, os familiares saíram atrás do tal remédio por toda Brasília, mas sem sucesso. A jovem teve o óbito declarado às 3h40, duas horas após ingerir a substância tóxica.

Mãe de uma das vítimas desabafa

A empresária Viviane Argentino, 42, perdeu a filha de 22 anos. A jovem também foi incentivada pelo mesmo grupo a ingerir uma substância tóxica capaz de matar.

Viviane relata como é lidar com a dor do luto e clama por justiça. A empresária se mantém forte por causa do caçula, de 8 anos. “Hoje, só sobrevivo pelo meu filho. No começo, eu fui muito forte e soube lidar com a situação da melhor forma, mas, agora, está sendo muito complicado. Às vezes, tenho um surto. Faço tratamentos psiquiátricos e tomo medicações. Toda a família sofre muito”, desabafa.

A filha de Viviane estava avançando na carreira. Aos 22 anos, ela havia sido contratada por um escritório de advocacia e tinha recebido uma proposta para trabalhar em uma agência bancária, quando tudo aconteceu, em 30 de março. A jovem fazia tratamentos psiquiátricos e tinha tentado tirar a própria vida havia um tempo. “Eu não suspeitava de nada, mas, quando recebi a notícia, logo imaginei que pudesse ter algo envolvido com o ‘tal’ grupo que a amiga dela participava. Veio na minha mente de imediato”, detalhou.

“Eles precisam ser punidos. Eu sei que minha filha tinha depressão, mas eles a induziram, e incentivaram essa morte. Aproveitaram de uma pessoa fragilizada, a troco de nada”, pontuou.