Nordeste

Capacidade de amar de Juliette Freire encantou o Brasil

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Vencedora do BBB 21 extrapolou o entretenimento e mostrou a força e generosidade da mulher nordestina e paraibana

Juliette Freire Feitosa (Imagem: Rede Globo)

Brasil de Fato

O que Juliette Freire fez para cair nas graças de parte do povo brasileiro? Quem quis e quem não quis acompanhar a 21ª edição do Big Brother Brasil (BBB), reality show da TV Globo, percebeu os burburinhos em torno desta paraibana de 31 anos, nascida em Campina Grande (PB).

Com uma história de vida comum a muitas paraibanas e paraibanos, Juliette Freire agradou famosos e comuns ao mostrar capacidade de diálogo e bondade dentro da casa, mas principalmente por apresentar uma personalidade aguerrida fora da casa. Marcada pela pobreza, filha da cabeleireira Dona Fátima e do mecânico Seu Lourival, cresceu em uma família simples entre os bairros de Pedregal e Zé Pinheiro, em Campina. As dificuldades financeiras a acompanharam ao longo de toda a vida e, em 2020, ela recebeu o auxílio emergencial por causa da crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Formada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no campus de Santa Rita, Juliette havia passado para Medicina, mas abriu mão para se formar em Direito.

Aos seis anos já ajudava a mãe em um salão de beleza. Ela tem quatro irmãos mais velhos: Washington, de 38 anos, Lourival Junior, de 43, Otto, de 42, e José Valdelino, de 35.

Hoje tem 25,3 milhões de seguidores em uma rede social, isso até a manhã desta quarta (5). Mas, afinal de contas, quem é Juliette?

Aos seis anos, Juliette já ajudava a mãe em um salão de beleza. Ela tem quatro irmãos mais velhos: Washington, de 38 anos, Lourival Junior, de 43, Otto, de 42, e José Valdelino, de 35.

Minha família é pobre, muito pobre. Meus irmãos eram mais pobres que eu, tipo ‘materialmente’. Vieram quatro irmãos de uma vez só. Minha mãe não tinha nenhum filho, tinha perdido um. Aí ela ficou com meu pai e descobriu que ele já era ‘casado’ e tinha quatro filhos. A ex-mulher do meu pai deixou ele com os quatro filhos. Minha mãe conta que chegou lá, tinha os quatro meninos com ‘feridas’ na cabeça, dormindo em um papelão, todo cheio de xixi. Ela se sentiu culpada e foi morar com meu pai e depois de três anos eu nasci”, relembrou Juliette em um dos episódios do BBB.

Aos 19 anos, Juliette viu a irmã mais nova, Julienne, à época com 17 anos, morrer vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. “Quando eu nasci, eu já me senti culpada, porque eu era uma única filha da minha mãe. Depois a minha irmã que tirou minha culpa, só que ela morreu”, comentou Juliette em conversa com Sarah no BBB.

Em 2019, sua mãe também sofreu um AVC e Juliette agora diz que vai usar o dinheiro da vitória do BBB, 1 milhão e 500 mil reais, para dá assistência médica a mãe e fazer o que não teve oportunidade de fazer por sua imã, que morreu em um hospital público.

Depois de passar no vestibular para o curso de Direito, Juliette deixou Campina Grande e foi morar em João Pessoa. Na capital da paraíba, foi dividir apartamento com uma amiga e começou a trabalhar como maquiadora, para poder pagar as contas.

Há quatro anos, Juliette e outras três amigas abriram um estúdio de maquiagem em João Pessoa. Mas, com a pandemia do novo coronavírus, as clientes desapareceram a empresa precisou ser fechada e Juliette recebeu auxílio emergencial de R$ 600 destinado a trabalhadores informais atingidos pela crise financeira

Talvez seja essa história comum e de tantas lutas diárias, recheadas de dificuldades e nãos, que tenham feito de Juliette uma pessoa admirada.

Depoimentos

Para Mônica Lourenço Cabral, moradora de Campina Grande, o motivo para Juliette ter ganhado tanta força foi o fato de que “ela foi excluída e sofreu muito com xenofobia, então, há essa identificação de que “eu já passei por isso””, relata.

Para Nathalia Bellar, Artista paraibana, Juliette participou intensamente, com lealdade, afetividade e acreditando em seus princípios.

Segundo Jonas Duarte, professor de História, da UFPB, Juliette Freire ganhou o coração do povo brasileiro por sua generosidade e capacidade de amar.

Zilma de Souza, que é contadora, viu transparência e autenticidade em Juliette, “ela é uma mulher arretada como nós nordestinos somos”, disse.

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