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Jornalista Mendel Bydlowski fala pela primeira vez após morte do filho de 5 anos

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"O Mendel que eu conhecia morreu junto com o Arthur. Me pego falando com ele, mas sem esperar uma resposta". Mendel Bydlowski fala pela primeira vez após trágica morte do filho de 5 anos

Mendel Bydlowski e o filho Arthur (reprodução)

O jornalista Mendel Bydlowski, 38, muito querido e conhecido no meio esportivo, viu seu filho de 5 anos morrer após cair do quinto andar de um apartamento no Guarujá, litoral de São Paulo.

A tragédia aconteceu no dia 10 de janeiro deste ano, mas só agora o jornalista da ESPN criou forças para falar publicamente da perda.

O pequeno Arthur brincava com o irmão mais novo, de menos de dois anos, próximo a uma janela do imóvel que já apresentava sinais de rachadura. Em um determinado momento, o garotinho se sentou no chão, apoiou as costas no vidro e ele rompeu.

“Sempre gostei de contar histórias na minha profissão, e de uma maneira sensível. E muitas delas eram de pessoas que passaram por momentos delicados. De repente, me vejo contando a minha, absurda, mexendo lá dentro”, disse Mendel, que tem quatro Copas do Mundo e três Olimpíadas no currículo.

Confira trechos do depoimento de Mendel ao portal UOL:

No primeiro momento, é um impacto que te paralisa. Você não sabe o que fazer e nem como viver. Com o tempo, passa por outros processos. Tem uma tristeza profunda, um questionamento e a cabeça fica desorganizada. Hoje em dia, consigo pensar que é como se a nossa família estivesse caminhando e lá na frente visse toda aquela vida planejada. Só que aparece um buraco no meio do caminho e a gente cai dentro dele. A primeira intenção é escalar o buraco e tentar voltar à vida que tinha antes. Mas eu acabo caindo de novo e me machucando. O ponto em que a gente está agora é o que desiste de voltar ao que era antes e cavar um túnel nesse buraco. Eu não sei onde vai dar esse túnel. Só sei que tem um caminho em que é preciso ir bem devagar. Com paciência e muita ajuda.

O Mendel que eu conhecia morreu junto com o Arthur. Nos meus pensamentos e nos meus projetos, o Arthur está inserido. Tudo o que eu imaginava pra fazer amanhã, no fim de semana, nas próximas férias, ele estava inserido. Tive que deixar o pai do Arthur lá pra trás. E viver com a memória e a saudade dele, mas tentando construir um novo Mendel devagarzinho. Que tem o Arthur de outra forma. E que tem o Tomaz [o filho caçula], e que tem a Juliana [esposa], e que tem o meu trabalho. Eu sinto muita falta do que eu era com ele. Das trocas, do olhar, dos abraços.

Não desejei morrer. Acho que muito por causa do Tomaz. E pela Juliana. Às vezes, não dá coragem de sair da cama, de seguir o dia. Mas ao mesmo tempo que o Tomaz passa a responsabilidade de estarmos aqui, ele também dá força. Ele é pequeno, mas é muito alegre. Ele empurra a gente. Mantém a gente nessa terra. Quando vê algum de nós chorando, sempre reage abraçando e beijando.

Quem perde os pais vira órfão, quem perde o marido é viúva, mas não tem nome pra encaixar o pai que perde o filho. É tudo muito fora do normal. Espero que, no futuro, eu tenha uma resposta melhor sobre o meu sofrimento, sobre quem eu sou agora, sobre o que foi tudo isso que aconteceu. Eu só não busco o porquê. Nem no aspecto técnico de um acidente tão surreal, nem no espiritual. Eu vou atrás do que fazer e como fazer daqui pra frente. E sempre com o Arthur dentro de mim.

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