Redação Pragmatismo
Eleições 2018 18/Oct/2018 às 20:40 COMENTÁRIOS

Jair Bolsonaro parece ser um personagem da trilogia Matrix

Jair Bolsonaro é um paradoxo. Ele é real, mas parece ser um personagem da trilogia Matrix. Coloquem seus óculos 3D. Em breve haverá novo conflito épico

Jair Bolsonaro personagem da trilogia Matrix

Fábio de Oliveira Ribeiro, Jornal GGN

Jair Bolsonaro é um paradoxo. Ele é real, mas parece ser um personagem da trilogia Matrix (1999 e 2003). Ele não está preparado para governar. Entretanto, já está ficando evidente que ele não aceitará a derrota. A vitória ou a derrota dele, portanto, causarão o mesmo resultado: um prejuízo inestimável ao Brasil.

Numa guerra civil quem tem mais não perde menos. Logo, os maiores prejudicados pela tempestade serão justamente aqueles que criaram o fenômeno Bolsonaro. Quem devastou arena política mediante ataques ferozes e irracionais ao PT desde de 2002 não vai conseguir tirar proveito do poder. Afinal, a própria ideia de um poder legitimado pelo voto se tornou a principal fonte do nosso problema.

Não há poder sem que sua legitimidade seja voluntariamente tolerada. Bolsonaro não acredita em tolerância ou no respeito à autonomia da vontade dos cidadãos. No imaginário dele a legitimidade democrática é apenas uma máscara que recobre a realidade. Como todo militar, o Coiso acredita que o poder deriva da força bruta e que esta não pode ser nem construída nem destruída pelas eleições.

Bolsonaro é um fenômeno político anormal que somente consegue existir na anormalidade. O Coiso não poderá governar sem usar a violência. Assim que começar a utilizá-la ele se tornará ilegítimo aos olhos da população. Por outro lado, ao questionar uma eventual derrota eleitoral tentando dar um golpe de estado, Bolsonaro irá apenas expandir a ideologia que compartilha com seus seguidores de que o exercício do poder eleitoralmente atribuído não tem qualquer legitimidade.

O poder só pode ter três fundamentos:

– força bruta
– origem divina
– voto popular

A Constituição da República prescreve expressamente que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Esse princípio deixará de existir com ou sem a eleição de Bolsonaro. Portanto, no Brasil pós eleições de 2018 o novo poder terá que ser necessariamente antigo. Ou retornaremos a viver num país em que o poder emana das baionetas e dos canhões e a coação substitui a submissão voluntária ao governo (como ocorria durante a Ditadura Militar) ou num território dominado pela intolerância religiosa (fundamentalismo evangélico/neoliberal/bolsonariano).

Nos dois casos, o Brasil estará condenado à instabilidade política. Essa instabilização permanente do país já está sendo antevista pelos militares. Se Haddad for eleito o uso da violência irá recair sobre Bolsonaro e seus amigos golpistas? Não creio.

Yanis Varoufakis afirmou numa entrevista que a primeira vez que foi negociar a dívida da Grécia, um banqueiro disse a ele o seguinte:

– A política não pode modificar economia.

Imediatamente o ex-ministro da economia grego teria dito ao interlocutor algo como:

– Os chineses concordariam com você. Eles também acreditam que as eleições democráticas são desnecessárias.

A democracia grega foi sabotada pelo mercado. A brasileira está sendo destruída de uma maneira semelhante. “Quando tudo for privado, seremos privados de tudo” diz um cartaz que vi em algum lugar. Essa mensagem é apenas parcialmente verdadeira. De fato, antes de sermos privados de tudo nós já fomos privados da democracia pela imprensa que possibilitou o crescimento de anomalias políticas como o Coiso.

Jair Bolsonaro serviu à Ditadura Militar, mas foi expulso do Exército em razão de ser mau militar. Como o agente Smith após ser desplugado da Matrix, o Coiso se transformou numa anomalia dentro do sistema. Ele cresceu com a anormalização da política promovida pelos meios de comunicação que odiavam Lula e Dilma Rousseff e se fortaleceu quando o ódio conseguiu legitimar o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016.

Coloquem seus óculos 3D. Em breve haverá novo conflito épico na Matrix. O Coiso é, sem dúvida alguma, a encarnação brasileira do agente Smith. Nas ruas, os duplos dele já estão assimilando e/ou eliminando todas as pessoas que consideram diferentes. O processo de assimilação/purificação somente irá acabar quando o agente Smith do mercado for derrotado durante o auto-sacrifício voluntário de um Neo tupiniquim.

Leia também:
Bolsonaro: mito é um verbo que se faz carne
Qualquer coisa e o Coiso
Reputação de Bolsonaro no exército era assustadora, mostram relatórios
Como evitar a tragédia Bolsonaro?
O que acontece com o Brasil depois de Bolsonaro?
Jair Bolsonaro é realidade e pode vencer em outubro

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Comentários