Redação Pragmatismo
Juristas 25/May/2018 às 19:01 COMENTÁRIOS

Vaza áudio de Gilmar Mendes e Celso de Mello sobre caminhoneiros

Sem perceber que o microfone estava ligado, Gilmar Mendes e Celso de Mello falaram intimamente sobre a paralisação dos caminhoneiros. Os ministros do STF criticaram o movimento

Gilmar Mendes Celso de Mello
Gilmar Mendes e Celso de Mello

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Celso de Mello fizeram críticas à paralisação nacional dos caminhoneiros durante a a sessão desta tarde (25). Eles não perceberam que o microfone estava ligado enquanto conversavam.

O vazamento do diálogo ocorreu durante uma votação na qual a Corte decidiu sobre a recondução da ministra Rosa Weber para o cargo de ministra efetiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Enquanto os demais ministros votaram sobre a questão, Mendes iniciou a conversa com Celso, mas não percebeu que o microfone estava ligado.

“Que crise, hein! Guiomar [mulher de Gilmar] está na rua agora, está impossível”, disse. Em seguida. Celso respondeu: “Um absurdo, faz-nos reféns. Tudo bem que eles até possam ter razão aqui, mas isto é um absurdo. Minha filha está vindo de São Paulo…”. A partir desse trecho, a conversa continuou, mas o áudio foi cortado na transmissão ao vivo.

Os caminhoneiros protestam há cinco dias contra os seguidos aumentos do preço do diesel. O movimento tem feito bloqueios em estradas, o que já impacta no abastecimento de combustível e alimentos em algumas regiões do país.

As principais reivindicações da categoria são: redução de impostos sobre o preço do óleo diesel, como PIS/Cofins e ICMS, e o fim da cobrança de pedágios dos caminhões que trafegam vazios nas rodovias federais concedidas à iniciativa privada.

Forças Armadas

O presidente Michel Temer (MDB) veio a público e anunciou há pouco o uso das “forças federais” para desobstruir bloqueios de rodovias em todo o país.

No discurso, Temer alegou direitos sociais como o direito de ir e vir estão ameaçados, o que autoriza o uso da “autoridade” do governo. “Quem bloqueia estradas, quem age de maneira radical, está prejudicando a população e, saliento, será responsabilizado. Vamos garantir a livre circulação”, advertiu o presidente.

A Advocacia-Geral da União (AGU) já avisou que vai recorrer à Justiça para que a greve dos caminhoneiros seja declarada ilegal. A AGU já havia conseguido liminares em diversos estados não só para desbloquear rodovias, mas também para garantir o abastecimento de combustível em aeroportos e outros serviços estratégicos.

Em outra frente, a Polícia Federal já está em campo para investigar eventuais crimes decorrentes da mobilização nacional. “Em relação ao movimento de paralisação dos caminhoneiros, a Polícia Federal informa que já está investigando a associação para prática de crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de transporte e outros serviços públicos”, informa a entidade.

A prova de que o acordo não foi de fato fechado, como desejava o governo, é a permanência de centenas de milhares de caminhoneiros em rodovias Brasil afora. A mobilização não só continua, como ganhou o reforço de motoqueiros e motoristas de outros setores da economia popular.

Locaute

Ao se debruçarem sobre a verdadeira natureza da greve dos caminhoneiros, alguns analistas passaram a tratar o movimento como um ‘Locaute’ — prática proibida pela legislação brasileira. Saiba mais: Greve ou Locaute?

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