Eleições 2018

Golpistas: Eles vão ficando

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Eles chegaram. Se demoraram. E ficaram. E estão. E a pergunta que faço é: quem e como tirá-los do despótico poder?

Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político

No final das eleições de 2014, a direita derrotada e inconformada começou a articular planos para separar o nordeste do Brasil e/ou derrubar a recém eleita Dilma. A primeira intenção não prosperou. Mas a segunda ideia sabemos bem como e a que preço teve êxito. Em contraponto ao “tchau, querida!”, os defensores da democracia ecoavam em inaudível: “Golpistas: não passarão!

Passaram…

Desde que assumiu, o conspirador Fora Temer se propôs a e vem paulatinamente e em nome do deus Mercado retirando direitos dos trabalhadores e das classes mais baixas da população. Os representantes dos trabalhadores alegavam que não iam aceitar nenhum direito a menos.

E a PEC do congelamento dos gastos públicos e a destruição trabalhista foram com folga aprovadas pelo cúmplice Congresso conservador que temos, formado majoritariamente não por trabalhadores e/ou seus representantes, mas por homens velhos ricos brancos e corruptos, mais preocupados com o grande agronegócio (não com a agricultura familiar e nem muito menos com uma necessária reforma agrária) e com a classe empresarial.

A Destruição Previdenciária só não passou graças à proximidade das eleições, em que os homens velhos ricos brancos e corruptos, mais preocupados com o grande agronegócio (não com a agricultura familiar e nem muito menos com uma necessária reforma agrária) e com a classe empresarial voltarão às suas bases buscando votos pra se reelegerem. Prometerão lutar sobretudo pelos assalariados e pelos pequenos produtores.

E se reelegerão.

Ao contrário da eleita Dilma, que teve contra si somente a acusação de cometer uma imprudente manobra contábil, as pedaladas fiscais (justamente pra salvar os pequenos e médios produtores rurais, mas isso ninguém soube explicar na época e hoje é que não importa mesmo), contra o Fora Temer ecoam inúmeras denúncias de corrupção, inclusive com gravação de madrugadinas conversas extra-agenda oficial (“tem que manter isso aí, viu?“). Disseram que, naquele momento, mais do que nunca, era a hora “Fora Temer!”

Ele ficou.

O cerco ao Lula já vinha se fechando há tempos. Foram slides, power point e convicções. As provas foram inconsistentes e frágeis, mas a condenatória avançava na justiça com o salvaguardo do pensamento médio de que é uma batalha contra a corrupção. Militantes e simpatizantes garantiram que iam impedir que ele fosse preso, além de alegar que eleições sem Lula é fraude.

Embora algumas dezenas de esperançosos se colocaram ao portão do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (onde Lula estava desde que negado seu habeas corpus pelo Supremo) impedindo que ele se entregasse, horas depois ele se rendeu. Literalmente nos braços do povo. E foi preso mesmo sem o trânsito em julgado, contrariando pétrea constitucional.

E, ao que tudo indica, as eleições (se as houver) terão em torno de quinze candidatos, pelo menos. Mas o líder das pesquisas, com reais condições de vencer já no primeiro turno, não poderá concorrer. E o parágrafo primeiro da nossa Lei Maior, que aponta o povo como emanador de todo o poder, não será também observado. A ideia do poder popular é do iluminista Rousseau. Portanto, nem déspotas esclarecidos podemos enquadrar os que sabotam as eleições desse jeito.

Eles chegaram. Se demoraram. E ficaram. E estão. E a pergunta que faço é: quem e como tirá-los do despótico poder?

*Delmar Bertuol é professor de história da rede municipal e estadual, escritor, autor de “Transbordo, Reminiscências da tua gestação, filha”

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