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Bolsonaro e apoiadores tumultuam sessão dos 50 anos do Golpe de 1964

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Jair Bolsonaro e apoiadores provocam confusão em sessão que rememora os 50 anos do Golpe de 1964. Faixa pró-militares foi erguida, houve empurra-empurra e muita gritaria

Faixa estendida na Câmara provocou polêmica durante sessão destinada a relembrar o golpe de Estado que deu origem à ditadura militar no Brasil (Antonio Augusto / Agência Câmara)

Sessão solene realizada nesta terça-feira (1º) na Câmara dos Deputados para lembrar os 50 anos do golpe de 1964 foi encerrada após confusão no plenário.

Uma faixa que dizia “Parabéns aos militares. Graças a vocês o Brasil não é Cuba!” foi estendida por militantes na galeria do plenário enquanto discursava a deputado Luiz Erundina (PSB-SP). Segundo a segurança da Câmara, a faixa foi trazida pelo deputado conservador Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Pessoas contrárias e a favor ao golpe entraram em conflito. Houve vaias, gritaria e empurra-empurra.

Vítimas de tortura e familiares de assassinados pela ditadura participavam de sessão que lembrava os 50 anos do golpe de 1964 (Agência Câmara)

O evento foi retomado, mas houve nova interrupção quando o deputado Bolsonaro começou a discursar. Manifestantes que ocuparam o plenário se viraram de costas, o que, segundo o deputado Amir Lando (PMDB-RO), que presidia a sessão, é proibido pelo regimento interno da Casa.

A sessão chegou a ser retomada pela segunda vez, mas a confusão continuou e Lando encerrou o evento.

Deputados do PSOL e do PT, além dos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e e Eduardo Suplicy (PT-SP) , fizeram protesto contra o encerramento da sessão do lado de fora do plenário da Câmara.

O Bolsonaro não discursou porque não quis e porque o presidente da sessão não quis. Que isso fique bem claro”, afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

“O requerimento que apresentamos para lembrar os 50 anos do golpe de forma alguma pretendia valorizar a ditadura. A Casa foi leniente e omissa ao permitir que esse elemento [Bolsonaro] discursasse. O que queremos é completar o processo de redemocratização , que só será possível quando a Lei da Anistia for revista”, afirmou Erundina.

Jair Bolsonaro debocha das vítimas da ditadura militar (Ag. Câmara)

Para o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), os militares precisam pedir desculpas ao povo brasileiro pelos crimes cometidos pela ditadura. “Os oficiais novos que não sujaram a farda de sangue não precisam levar a culpa de seus antecessores.”

Mais cedo, o deputado Jean Wyllys comento em tempo real, via rede social, a confusão no Congresso Nacional:

O deputado fascista e meia dúzia de canalhas que lhe segue conseguiram tumultuar a sessão solene que rememora os 50 anos do Golpe. Com a complacência da Segurança da Câmara, dois canalhas subiram à galeria e abriram uma faixa louvando a Ditadura Militar e seus crimes.

O tumultuo foi programado pelo deputado fascista justo para a hora do discurso de Luiza Erundina, mas o plenário reagiu à presença dos apologistas do fascismo e dos crimes da Ditadura Militar com gritos de “Assassinos! Assassinos!”.

O presidente da sessão determinou que a faixa em apologia a Ditadura fosse retirada. E isso motivou a crise histérica de uma mulher – uma única – que xingava os “comunistas!” (Será que essa gente sabe mesmo que isso significa?) e pedia a volta da Ditadura.

Os apologistas foram retirados da sessão, que voltou ao seu curso normal.

com Agência Câmara