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Aécio Neves chama ditadura militar de “revolução”

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Aécio Neves chama ditadura de “revolução”. Alguns veículos de imprensa do Brasil que flertaram com o regime militar, como Globo e Folha, também chamavam o golpe de 64 de revolução

O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, referiu-se nesta quinta-feira 4 ao golpe militar de 1964 como “revolução”.

Aécio Neves chama ditadura militar de “revolução” e gera polêmica

A fala ocorreu no 57º Congresso Estadual de Municípios de São Paulo, em Santos, litoral paulista.

O termo “revolução” é comumente usado por militares e simpatizantes do regime repressivo que comandou o Brasil por 21 anos, entre 1964-1985.

Os militares negam que neste período tenha se caracterizado uma ditadura no País.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ao ser questionado sobre o uso do termo, Aécio desconversou. “Ditadura, revolução, como quiserem”. Depois, o senador afirmou que “era um regime autoritário, que lutamos para que fosse vencido”.

O tucano usou o termo durante um discurso no qual apresentava breves relatos de episódios históricos, que, segundo ele, retratam a política centralizadora do governo federal que se mantém por décadas. “Veio a revolução de 64, novo período de grande concentração de poder nas mãos da União, apesar de ter sido um período em que foram criadas políticas compensatórias para determinadas regiões menos desenvolvidas.”

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Folha também costumava chamar golpe de revolução

O jornal Folha de S.Paulo, entre outros veículos de comunicação, destacou nesta sexta-feira que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) chamou o golpe militar de 1964 de “revolução de 64” durante o Congresso Estadual de Municípios paulistas, em Santos, na quinta-feira. Pois a própria Folha costumava chamar o golpe de revolução, como comprova recorte do jornal de 1974.

A nota, publicada na capa do jornal no dia 31 de março de 1974, anuncia um pronunciamento do então presidente Ernesto Geisel “numa mensagem alusiva ao transcurso do décimo aniversário da Revolução”. A mensagem, que seria transmitida por uma cadeia de rádio e TV, havia sido gravada na biblioteca do Palácio da Alvorada e teria duração de nove minutos e vinte e cinco segundos, informava o jornal.

A relação da Folha de S.Paulo com a ditadura foi motivo de polêmica recente. Em editorial do dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal comparou regimes autoritários contemporâneos aos que dominaram a América Latina no século passado, referindo-se à ditadura militar brasileira como “ditabranda”, dando a entender que foi menos violenta que outros regimes similares do continente. A publicação foi seguida por um intenso debate nas páginas do próprio jornal e fora delas.

Com CartaCapital e Brasil 247. Edição: Pragmatismo Politico