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A luta por um prato de comida nas proximidades da Arena de R$ 500 milhões

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O avanço da prostituição de crianças e adolescentes chama ainda mais atenção porque os investimentos feitos em Fortaleza em função da Copa atingem a cifra de R$1,08 bi

O PAC (‘Plano de Aceleração da Copa-14’) informa ao sempre atento e esfolado contribuinte. Três dias antes da inauguração da Arena Castelão, uma modesta obra de mais de R$ 500 milhões, jovens mulheres se prostituíam a um quilômetro do estádio. Uma delas aceitava fazer programa por R$ 10 ou por um prato de comida.

A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza afirma estar “muito preocupada” com a realização da Copa do Mundo, devido ao possível crescimento da prostituição infantil nos bairros do entorno do Castelão. “Meninas e meninos de 10, 11 e 12 anos estão sendo agenciados por um prato de comida, e não existe política pública para impedir esse crime contra a infância e adolescência”, afirma a vereadora Eliana Gomes (PCdoB/CE).

Viva a Copa! A um quilômetro da arena de R$ 500 milhões, a luta por um prato de comida.

A obra que está consumindo mais de meio bilhão de reais é cercada por centenas de casas simples, desemprego, drogas e prostituição. A beleza do estádio contrasta com o drama humano do entorno, visível à luz do dia. Segundo a vereadora Eliana Gomes, “meninas e meninos se prostituem também por pedras de crack”. Uma pedra pode ser comprada por menos de R$5 das mãos de agenciadores e traficantes.

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Ao inaugurar a Arena Castelão, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que a conclusão do primeiro estádio da Copa e a conquista do título mundial pelo Corinthians são provas da capacidade brasileira de vencer dentro e fora de campo.

Isto posto, segue o baile… O Tribunal de Contas da União constatou que o Ministério do Esporte fez pagamentos indevidos para a consultoria Consórcio Copa-2014.

Segundo o TCU, houve enriquecimento ilícito das empresas integrantes do grupo. Ao longo de quatro anos, o consórcio beliscará um camarãozinho de R$ 48 milhões. A Copa é deles, a conta é nossa.

José Roberto Malia, ESPN Brasil