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Vereador Agnaldo Timóteo defende torturador Brilhante Ustra e a ditadura

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Integrante da Comissão da Verdade de São Paulo, Agnaldo Timóteo rasgou elogios ao regime militar

O vereador Agnaldo Timóteo, que elogiou o regime militar na Câmara de SP. Foto: divulgação

O vereador Agnaldo Timóteo (PR-SP) afirmou ser “insuportável” o trabalho da comissão da verdade paulistana e saiu em defesa do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo como torturador do regime militar (1964-1985).

Na tarde desta quinta (16), em discurso na Câmara Municipal, durante um encontro da comissão, ele afirmou que o país só é o que é por causa dos militares. “Deveríamos colocar a bunda para a lua e agradecer a eles”, disse depois da declaração.

Segundo Timóteo, que já endossou o regime militar em outras ocasiões, o “brilhante torneiro mecânico Lula” e a “contestadora menina Dilma” surgiram desse contexto.

O vereador era membro da comissão (“o único discordante”), mas foi desligado hoje, após o rompante.

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‘INSUPORTÁVEL’

Timóteo também criticou a atuação da procuradora Eugênia Gonzaga, convidada para falar sobre sua experiência acompanhando a busca de ossadas em valas clandestinas de cemitérios paulistas, como Perus e Vila Formosa.

“É insuportável a maneira parcial com que todos que vão lá e falam do regime. A procuradora só fala de um lado, não fala daqueles que andaram armados, sequestrados, roubaram mataram.”

Ele diz que guerrilheiros da esquerda também deveriam ser investigados pelo grupo. E que muitos militares acabaram pobres, enquanto ícones esquerdistas hoje são “milionários”.

“Se acharam 1.000 corpos lá [no cemitério de Perus], e descobriram que um era vítima do regime, deveriam perguntar: era inocente ou um terrorista disposto a matar? Então, tem que estar disposto a morrer”, completou.

Em seguida, pediu respeito à “anistia ampla, geral e irrestrita que nos foi presenteada pelo [general] Golbery do Couto e Silva”.

Timóteo disse ter tentando falar com o coronel Ustra por telefone. Gostaria que ele tivesse sido ouvido pela comissão. “Será que foi só o Ustra culpado?”

A procuradora Eugênia define como “contrassenso” a participação do vereador numa investigação com a qual ele não concorda. “Ele começou a adotar postura irônica, rindo de tudo que se falava. Viu uma moça bem jovem acenando com cabeça, mostrando que ela não estava concordando com o que ele dizia. Virou para ela e falou: ‘Você é muito jovem, não viveu [o período militar]. Provavelmente é filha de alguém que morreu na militância e tem que acabar com essa frescura.”

Anna Virgínia

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