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Celso Russomanno e Bárbara Gancia protagonizam barraco na Folha

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Russomanno dá e leva em bate-boca com Bárbara Gancia. "O senhor é Jabazeiro", apontou Bárbara Gancia. "Abro mão da minha candidatura se você provar", respondeu candidato a prefeito de São Paulo

Celso Russomanno durante sabatina da Folha. Foto: Folha

“Por questão de isonomia com os outros debates, vamos encerrar o debate”, disse Maurício Stycer. “Não tenho direito a considerações finais?”, disse Russomano. “Sem considerações finais”, reagiu o jornalista, mas ainda deu para o candidato agradecer. No final, ele apertou a mão de todos os quadro e deu um beijinho em Bárbara Gancia.

Ao final da transmissão, discussão entre platéia e jornalistas continua. “Isso foi um massacre”, disse correligionário de Russomano. “Vocês não estavam preparados para este debate”, completou. Na verdade, desde o início Russomano procurou evitar perguntas que cortavam suas longas colocações. O tempo todo discutiram Bárbara Gancia e ele.

“Por mim tanto faz. Ele generalizou bastante, é bem preocupante. O mais evasivo, o mais perigoso”, disse Bárbara, após o debate. “Eu tenho mais o que fazer”. Você achou a claque com propensão à violência? “Não, torcida é assim mesmo”. Mas ela precisou esperar um pouco para sair do auditório, sobre o palco, à vista de seguranças, até houvesse a primeira leva de dispersão na platéia. Nada intimidatório, mas também não tão normal assim.

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Início

Começou com uma derrapagem, engraçada, por que não?, a sabatina do candidato do PRB, Celso Russomano, ao jornal Folha de S. Paulo, no auditório Cultura Artística, em São Paulo.

“Qual era mesmo a sua pergunta?”, questinou o candidato ao repórter especial do Uol Maurício Stycer. Mediador da sabatina, o jornalista havia perguntado qual seria a primeira medida de Russomano se vier a ser eleito. Depois do deslize, falou sobre saúde e foi atalhado, depois de quase dois minutos, de Bárbara Gancia:

“Eu vou terminar de falar, depois eu te respondo”, bateu de frente o candidato. “Falar de saúde em poucos segundos não é objetivo”, disse

“Dá a impressão que o sr. está enrolando”, devolveu Bárbara. Stycer ficou do lado dela: “O sr. está querendo mediar o debate, mas quem media somos nós, o sr. tem de ser objetivo”. Russomano trombou de novo: “Eu vou responder a primeira pergunta”. Tá macho!

“O sr. aprendeu com o seu padrinho Paulo Maluf, não responde as perguntas da gente”, disparou Bárbara. “Ele não é meu padrinho”.

“O sr. promove um jeito antigo de fazer política, antigo”, malhou Bárbara. “Quem conhece a lei sabe que Maluf é procurado pela polícia, não pode entrar nos Estados Unidos, é procurado pela interpol”, assinalou. Ela disse que o comitê central da campanha dele, instalado dois dias atrás perto da casa dela, na avenida Nove de Julho, provocou “balbúrdia” na região e a impediu de chegar ao endereço dela a tempo. “Se isso aconteceu, é porque havia muitos jornalistas para cobrir a inauguração do comitê”, disse Russomano. “Me desculpe, não é verdade”, insistiu. “Ah, ah, ah: a culpa foi dos jornalistas outra vez”, gargalhou Bárbara.

Naquele momento, Russomano conduzia mal seu posicionamento na sabatina. Bateu de frente com Bárbara Gancia, Maurício Stycer e Ricardo Baltazar. Esqueceu qual foi a primeira pergunta, não aceitou pergunta objetiva da colunista da Folha, discutiu com Stycer e atalhou Baltazar. “Por que a Folha de S. Paulo, para qualquer um que vai se inscrever lá, pede boa formação e isso o jovem da periferia não consegue”, disse ele, anunciando planos educacionais para os bairros periféricos.

Pinta o cabelo?

Primeira etapa foi quase toda de bate-boca, a partir do fato de o candidato querer “mediar” o debate, segundo Stycer. Russomano devolveu perguntas, disse que Bárbara estava faltando com “a ética” e reclamou de não conseguir responder as perguntas por completo. Exagerou.

“Quando eu denunciei a morte da minha mulher por erro médico foi porque isso aconteceu”, disse ele, em questão a respeito de usar a vida pessoal para se promover politicamente. Na semana passada, ele foi fotografado no exame de ultrassom de sua atual mulher, que está grávida. “Eu não convidei jornalistas, eles quiseram ir”, disse. “Quando eu fui candidato a prefeito, a imprensa cobriu o parto do meu filho”, lembrou. “Todos nós estamos sujeitos aos fotógrafos e aos papparazzi”, avançou. “Não vejo problema algum”.

“O sr. está pintando os cabelos?”, questinou Bárbara. “Estou bem, não acha?”, rebateu Russomano.

Bárbara Gancia em sabatina da Folha. Foto: Folha

“Não sei quantos são, mas vou extinguir os cargos de confiança da Prefeitura”, prometeu ele. Bárbara vê populismo. Antes de abrir a segunda etapa, Stycer pede para platéia se comportar “de maneira civilizada e não como torcida”. É que, entre os cerca de 60 presentes, a maioria é de chefes da campanha dele. Eles aplaudiram Russomano nas trombadas com Bárbara e os demais (abaixo).

“Vera, na sua simplicidade, você não entende disso”, atacou Russomano na direção da jornalista Vera Magalhães. “Não é na minha simplicidade, eu sou formada em Direito”, devolveu ela, que lançaram uma pergunta sobre o plano dele para a defesa do consumidor. “O sr. está sendo reducionista. Isso funciona para o Aqui Agora (antigo jornal popular de televisão), mas não aqui”, finalizou ela, lembrando que planos de Russomano para a defesa do consumidor passam por privatizações no setor (foi, ao menos, o que entendemos). Debate bastante entrecortado.

Virou barraco

“Eu não vou assinar medida nenhuma, vou colocar em prática o programa de saúde da família”, disse Russomano, depois de intenso bate-boca entre o candidato Celso Russomano, do PRB, e o jornalistas que estão no palco do auditório Cultura Artística, em São Paulo, na sabatina do jornal Folha de São Paulo. “Você não está sendo ética”, disse ele a Bárbara Gancia, que viu custar quase dez minutos para ver respondida sua pergunta para o candidato: “Qual vai ser a sua primeira canetada na Folha”.

Russomano radicalizou, não apenas no comportamento, como nas respostas. Terçando com os jornalistas, tratando-os como adversários, disse desejar uma “igreja em cada quarteirão” e, em seguida, que “a população é temente a Deus”. Russomano não abre mão de sustentar sua relação com os chamados evangélicos, contingente que os analistas acreditam estar engajado no apoio a ele. Chegou a dizer que o PRB foi fundado por “um católico”, o então vice-presidente da República José Alencar, morto no ano passado.

Bate-boca tomou toda a primeira parte da sabatina, que agora (11h40) está no intervalo. Platéia com cerca de 60 pessoas, a maior parte de chefes da campanha de Russomano. Ele foi aplaudido na discussão com jornalistas. “Assim não vai funcionar”, disse o repórter especial do UOL Maurício Stycer, com seu forte sotaque carioca. Debate ficou quente. E deve esquentar. “A gente espera que a participação dos candidatos seja civilzada, e não de torcida”, disse ele.

Segunda parte

“Todas as perguntas específicas feitas até agora o sr. não respondeu”, julgou o mediador Maurício Stycer, ao encerrar o segundo bloco da sabatina da Folha. Último roud vai começar. Ou melhor, bloco. Maior barraco. Acompanhe:

“Desejo uma igreja em cada quarteirão”, disse Russomano. “Me parece que isso é ilegal”, rebateu jornalista Ricardo Baltazar, editor de Poder do jornal Folha de S. Paulo, que promove a sabatina com o candidato. “Não estou dizendo que vou fazer isso, é o meu desejo”, devolveu o postulante. Ele afirmou que vai continuar com sua empresa de produção de vídeos mesmo se vier a ser eleito prefeito. “Não trabalho para órgãos públicos nem nunca trabalharei”, disse ele. “Uma promessa”, saudou a jornalista Vera Magalhães.

Internautas fazem perguntas, pela primeira vez na sabatina. Todas versam sobre religião.

O sr. apóia o ensino de religião nas escolas?. “Desde que todas possam ensinar”, admitiu Russomano. Ele disse que, no Pará, um candidato a prefeito foi barrado por ser homossexual. “E ele é do PRB, com muito orgulho”, emendou, respondendo a pergunta específica sobre sua posição a respeito das questões dos gays na sociedade.

Bárbara Gancia interrompe série de perguntas religiosas para perguntar se ele não tem mesmo conta corrente no exterior. “Se você encontrar uma referência no exterior a Celso ou Russomano, eu abro mão da minha candidatura”, respondeu ele, arrancando leves aplausos. Ele mostrava, neste momento, folha xerox com reprodução de notícia a esse respeito veiculada pelo jornal Correio Brasiliense. “Estou processando o jornal civil e criminalmente, e também o jornalista”.

Última parte

Na terceira e última etapa da sabatina ao candidato Celso Russomano ao jornal Folha de S. Paulo, ele afirmou que pretende usar o ISS – Imposto Sobre Serviço — para fazer uma política fiscal de incentivo à permanência de empresas na capital paulista. “As cidades vizinhas estão roubando os nossos empregos”, afirmou. Prometeu ônibus com o “piso baixo para ajudar na entrada de dos idosos e com ar condicionado”.”O sr vai trocar a frota toda de uma vez?”, perguntou Vera Magalhães. “Aos poucos, não dá para fazer tudo de uma vez”.

“Existe um pacto de não agressão entre o sr. e o prefeito Kassab e o candidato Serra, é por isso que o sr. não dá nota para a gestão Kassab?”, disse Vera Magalhães, quando Russomano não quis dar nota para o prefeito. “A ele nem dou nota. O que há é que a população não gosta dos serviços públicos”, respondeu ele.

“O sr. já foi assessor de imprensa do hotel Dela Volpe, onde o governador do Acre foi assassinado”, lembrou Bárbara Gancia. “O sr. já foi acusado de jabazeiro”, completou ela, usando a gíria dos jornalistas para classificar os profissionais que aceitam dinheiro ou favores em troca de matérias. “Russomano defende o povo de dia e faz jabás à noite”, insistiu Bárbara. “O que é jabazeiro?”, candidamente perguntou Russomano. Ela explicou. Citou, em seguida, reportagem da revista Veja São Paulo que mostrava esse recebimento de dinheiro e favores, por ele, no programa Night and Day.

“Isso não é merchandising?”, rebateu Russomano, apontando os logotipos da Folha e do UOL, atrás de si. “Não, isso não é merchandising, são os logos de quem está promovendo este evento”, disse ela. “Aqui não se está escondendo isso”, completou Stycer. “Todos os merchadinsings do meu programa de televisão tiveram notas fiscais expedidas”. Uma pessoa do público grita, reclama. Pequenas vaias. “Ye! Vaias!”, sauda Bárbara. “Eu não vou debater com o sr.”, reagiu Stycer ao homem que reclamava aos brados, da platéia. “Imprensa marrom”, grita outro sentado ao meu lado esquerdo, nas últimas fileiras do auditório. “Peço respeito à claque”, diz Stycer. “Ele está reclamando como assinante da Folha e do Uol”, defendeu Russomano. Fica engraçado de novo.

“Vocês não me deixam responder”, reclama, de novo, Russomano. Finalmente, o debate deslancha.

Brasil 247

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