Categories: Política

Influência do meio

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O caso Bruno ainda movimenta as multidões, como tudo que envolve nosso esporte favorito, a curiosidade mórbida. Embora todas as evidências apontem para o goleiro – e para uma impressionante multidão de oito cúmplices – os comentaristas estão fazendo um esforço impressionante para inocentá-lo. Vejamos.
A culpa primordial do crime, segundo vários articulistas, vai para 1) o mundo do futebol, meio bastante corrompido pelo dinheiro circulante e por surubas nervosas e 2) para a favela, de onde vêm a maior parte dos jogadores, uma escola do crime em forma de aglomeração urbana.
Engraçado que quando playboys brigam em boate, atropelam pedestres bêbados ou queimam índios a culpa é do excesso de liberdade na educação de classe média. Parece que não existe vizinhança ideal para criar nossos filhos, uma lástima.
E em relação ao elemento sexual do assassinato, predomina a versão pré-rafaelita de que o sexo corrompe. A Veja sobre o caso usou a manchete “Traição, orgias e horror”, incluindo a festa do cabide na equação que levou Bruno a dar a ex para os cachorros e estimulando a reificação do clichê que afirma que jornalista não trepa. O Fantástico foi atrás, chamando churrasco com primas e pagodão de SUBMUNDO.
Esse moralismo de ocasião lembra a piada do marido traído que acha que resolve o problema da infidelidade da esposa se tirar o sofá da sala. Mas o grande problema é que esses desvios de percurso afastam o foco do verdadeiro culpado: Bruno, um psicopata monstruoso que não pode ser simplesmente explicado pela influência do meio.
Entre o determinismo e a pudicícia, a besta humana sai impune. Como disse o Nelson Rodrigues, pra esses sociólogos de galinheiro quem nada é a piscina, e não o nadador.
Arnaldo Branco