Redação Pragmatismo
Eleições 2018 04/Apr/2017 às 10:59
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João Doria perde oportunidade em desafio lançado por André Singer

Cientista político e professor da USP, André Singer deu ao prefeito João Doria, na Folha, uma ótima chance de se apresentar como uma alternativa viável em 2018. Além de deixar passar a oportunidade, Doria se inspirou em Kim Kataguiri para rebater o acadêmico

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Sergio Saraiva, GGN

André Singer é uma das grifes do jornal Folha de São Paulo, cientista político e professor da USP – seus leitores são o que se chama de “público qualificado”.

Singer deu ao prefeito João Doria a oportunidade perfeita de se apresentar como uma alternativa viável de candidatura à presidência da República. Singer fez um desafio a Doria, era o momento de Doria apresentar, se não um programa de governo, pelo menos, uma ideia central do que faria para tirar o Brasil da crise.

Mas ele deixou passar a oportunidade e, pior, baixou o Kim Kataguiri no prefeito.

André Singer em sua coluna na Folha de 01 de abril de 2017:

Candidatura de Doria é uma aventura desesperada

“A ascensão de João Dória é sinal do desespero que tomou conta dos partidos tradicionais. Ao atual prefeito de São Paulo falta o componente essencial para postular o cargo. Doria carece de um projeto nacional que esteja ancorado em bases sociais consistentes.

Fernando Henrique Cardoso alinhou a nação brasileira à globalização neoliberal, obtendo em troca a estabilidade monetária. Lula estabeleceu marco inédito nos investimentos voltados aos mais pobres, reforçando ao mesmo tempo a confiança na democracia.

FHC e Lula tinham legitimidade por resultarem de um lento enraizamento durante a luta contra a ditadura. Surgidos para a política representativa entre os anos 1970 e 1980, o professor renomado e o sindicalista carismático haviam contribuído para a construção de instituições desde a sociedade.

Perto deles, Doria soa apenas como um empresário “pop star” que flutua nas telas”

É verdade que PSDB e PT encontram-se numa tremenda encalacrada, assim como tudo o que foi construído desde a redemocratização. Tendo se envolvido, ao que parece, no sistema corrupto de financiamento político vigente a partir de 1945, os irmãos-adversários podem acabar ambos tragados pela Lava Jato. Mas se buscarem atalhos em lugar de uma renovação profunda, aí, sim, a porta será aberta para aventuras que nunca terminam bem.

Os exemplos de Jânio Quadros e Fernando Collor estão aí para nos lembrar.

Resposta de João Doria no Painel do Leitor da Folha em 02 de abril de 2017:

“Ao petista André Singer, quero dizer que não respeito suas posições e sua crítica, porque, depois de ter sido porta-voz do Lula, ele não tem credibilidade para fazer qualquer observação no plano político, muito menos a meu respeito. Vá passear em Curitiba, Singer”.

Resumo da ópera

Singer: “Doria carece de um projeto nacional que esteja ancorado em bases sociais consistentes”.

Doria: “Vá passear em Curitiba, Singer”.

Com tal poder de argumentação, Doria só emociona o pessoal do MBL.

O prefeito João Dória parece ter dificuldade em perceber que está se tornando rapidamente uma figura folclórica.

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