Redação Pragmatismo
Corrupção 24/Mar/2017 às 15:18 COMENTÁRIOS

Polícia Federal pode abrir investigação contra Fernando Holiday, do MBL

Fernando Holiday (DEM) pode ter as contas investigadas pela Polícia Federal após reportagem que revelou prática de caixa 2 na campanha eleitoral do vereador. O jovem ganhou projeção após ser alçado pelo MBL, grupo que se dizia apartidário e que costumava ir às ruas "contra a corrupção de Dilma Rousseff"

PF investiga Fernando Holiday
(Imagem: O vereador Fernando Holiday (DEM-MBL)

A Polícia Federal anunciou nesta sexta-feira (24) que poderá investigar as contas de campanha do vereador Fernando Holiday (DEM) — jovem que ganhou projeção após ser alçado pelo MBL, grupo que se dizia ‘apartidário’ e que costumava ir às ruas “contra a corrupção de Dilma Rousseff”.

O Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal devem analisar se a campanha de Holiday em 2016 fez uso de caixa 2, prática considerada crime eleitoral.

O que motiva a investigação é uma reportagem publicada pelo site Buzzfeed segundo a qual a campanha de Holiday teria pagado 26 colaboradores de campanha em dinheiro vivo, na eleição do ano passado, sem prestar contas dessas despesas à Justiça Eleitoral

No último dia 17 de março, o diretório do PT na cidade de São Paulo protocolou um pedido no MPE para que o caso fosse remetido à PF para instauração de inquérito que apurasse eventual infração ao Código Eleitoral.

O caso segue sob análise do promotor Luiz Henrique Cardoso Dal Poz, da 1ª zona eleitoral da capital, o qual não se pronunciou a respeito.

No texto da representação, o PT argumenta que Holiday declarou gastos de campanha de R$ 52.551,68.

“Considerando apenas os dados disponíveis pela reportagem, o valor utilizado, por meio de caixa 2, chega a quase a 10% do valor arrecadado, não podendo ser considerado simples irregularidade, uma vez que o caixa 2 constitui uma fraude”, diz texto da ação, que afirma haver, nos fatos narrados, “toda evidência da configuração de condutas passíveis de serem consideradas como abuso de poder político e econômico”.

“A conduta [de Holiday] corrói a credibilidade do sufrágio universal. Holiday aparece com uma plataforma de novidade, anticorrupção, mas utilizando os mesmos expedientes (caixa dois) ganha as eleições”, diz a medida.

Na semana passada, em uma entrevista polêmica à rádio Bandeirantes, o vereador se defendeu das acusações alegando que os serviços com os colaboradores mencionados foram realizados e pagos por eleitores dentro da lei.

O promotor José Carlos Bonilha, que atuou como promotor eleitoral à época da prestação de contas de campanha em 2016, afirmou haver “indícios de que há uma grande inconsistência na prestação de contas” do hoje vereador.

“Há indícios de que houve ou uma omissão de informações que deveriam estar na prestação de contas, ou uma inserção de dados falsos”, afirmou, a partir da análise da reportagem. “Mas isso é algo que precisaria ser investigado na esfera criminal, pela Polícia Federal, já que o prazo para questionamento da prestação de contas encerrou 15 dias após a diplomação do candidato”, explicou.

Inquérito policial

Fernando Holiday já esteve encrencado com a Justiça no ano passado por causa de uma outra ilegalidade.

Na ocasião, o Ministério Público pediu abertura de inquérito policial contra o vereador porque ele pediu votos no domingo, dia da eleição, o que não é permitido por lei.

“No dia da eleição não se admite propaganda de qualquer natureza, e ele se utilizou de seu perfil, de sua página do Facebook, pra fazer propaganda. Isso é o crime do art. 39, parágrafo quinto, inciso III, da lei das eleições (9.504/97)”, afirmou o Ministério Público.

Na manhã do domingo de eleição, Holiday publicou a mensagem: “Bom dia! Hoje é dia de votar 45 e 25.024 para renovar a política e colocar o dedo na cara dos corruptos.”

Pouco depois, Holiday publicou um vídeo em que apareceu dentro de um carro dizendo já ter votado e novamente divulgando o número de sua campanha.

com informações de Agência Estado

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