Wallison Ulisses Silva dos Santos
Economia 14/Mar/2017 às 14:20
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Um Governo sem expectativa

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Wallison Ulisses Silva dos Santos*, Pragmatismo Político

O Boletim Focus divulgado nesta segunda (13) reduziu a expectativa de crescimento da economia para 2017 de 0,49% para 0,48. A piora das previsões para a economia de 2017 e 2018 tornou-se um fato quase certo das segundas-feiras, mostrando a desconfiança do mercado em relação ao Governo Temer.

A PEC 55/241 que congelou os gastos públicos por 20 anos foi aprovada, assim como a “reforma” do ensino médio. Todos os fatos levam a crer que a reforma da previdência e até mesmo a trabalhista serão aprovadas, ou seja, as reformas de natureza neoclássica do governo estão em pleno andamento, todavia os resultados e até mesmo as expectativas econômicas continuam ladeira a baixo. O FMI que tem como propensão defender medidas de austeridades fiscais divulgou uma estimativa de crescimento de apenas 0,2% para o Brasil em 2017, confirmando a desconfiança com as políticas econômicas do atual governo.

Temer assumiu o governo no mês de maio de 2016, sendo que no início deste mês a expectativa de crescimento para 2017 era de 0,50%, que de fato já não era um cenário que mostrava otimismo do mercado, todavia a tendência que se formou deste mês em diante quando Temer passou a comandar a política econômica mostrou-se preocupante, pois indicava que o mercado não melhorou a sua expectativa como acreditavam os defensores do impeachment.

O gráfico abaixo mostra a tendência de estagnação da expectativa do crescimento da economia para o ano de 2017 segundo os dados do Boletim Focus:

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Os dados do Boletim focus mostram que a partir de maio quando Temer assumiu provisoriamente o mercado passou a ter mais otimismo em relação à economia para o ano de 2017, esse primeiro período vai de maio a setembro de 2016. Em agosto Michel Temer assumiu definitivamente a presidência, todavia a onda de otimismo só durou até o mês de setembro quando as expectativas começaram a piorar e as previsões para o crescimento começaram a reduzir.

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A maior parte dos economistas, assim como a maior parte da população, acreditavam em um milagre econômico instantâneo após o impeachment, todavia a realidade bateu a porta e mostrou a farsa do discurso econômico que foi usado durante o afastamento da Presidente Dilma. É bem provável que o FMI acerte o crescimento do PIB do Brasil para 2017, tendo este um resultado entre 0 e 0,2%. As delações da Odebrecht e possíveis manifestações populares contra o governo, podem ainda aumentar a instabilidade política e piorar o resultado da economia. As reformas da previdência e do trabalho também irão agravar a crise econômica, caso aprovadas, irão agravar o desemprego, concentração de renda, criminalidade e diminuir o consumo.

Caso estas reformas não sejam aprovadas o mercado interpretará isto como um sinal de fragilidade política do governo o que gerará mais desconfiança e menos investimentos. Em resumo as medidas propostas pelo governo atual são tão ruins que aprovadas ou reprovadas conseguirão afetar negativamente a economia.

*Wallison Ulisses Silva dos Santos é economista e mestre em economia pela UFMT, especializando-se em Direito Trabalhista pela UNOPAR, professor de economia no Instituto Cuiabano de Educação (ICE), assessor econômico da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Mato Grosso (AGENCIAUTO MT), membro da Associação Sustentabilidade para Todos MT e colabora para Pragmatismo Político

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