Redação Pragmatismo
São Paulo 15/Dec/2016 às 16:58
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Coordenador de Doria diz que apostou na manipulação através do marketing

Coordenador de João Doria (PSDB) diz que apostou na capacidade de manipular o pensamento do paulistano pobre e classe média através do marketing político

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Campanha João Doria Jr. par prefeito de São Paulo de 2016 (reprodução)

Sheilinha Couto, via Google+

No último mês houve uma palestra sobre marketing político na Semana de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP. Estavam presentes os profissionais que coordenaram as campanhas de Marta, Russomano, Haddad e Dória.

O destaque da noite, no entanto, foi Luiz Flávio Guimarães, responsável pela campanha de Dória. Segundo ele, foi relativamente fácil conduzir a campanha, principalmente pela capacidade de se moldar o pensamento da massa acrítica paulistana.

Luiz disse que a gestão Haddad foi uma das melhores que a Prefeitura já teve, que boa parte das políticas feitas pelo prefeito fazem parte de outras realidades, como as europeias, e que talvez façam sentido em São Paulo só em 2050.

O modo de reorganizar o trânsito, por exemplo, humanizando-o e dando maior fluidez não faz parte da cultura paulistana, acostumada ao caos, ao transporte individual e às altas velocidades que matam diversas pessoas diariamente. Logo, realizar mudanças de paradigmas sem a devida comunicação de massa gera um choque cultural na cidade, facilitando ataques e jargões como a “indústria da multa”.

O comunicador apontou, também, o ódio ao PT que cega as pessoas. Para ele, os veículos de comunicação falam mal do PT durante a manhã, a tarde e a noite. Isso acaba por gerar um desconforto no imaginário da população, fazendo com que suas convicções as ceguem. Logo, não importa se Haddad tenha sido um ótimo prefeito, pois o ódio ao partido falará mais alto na hora da escolha.

Outro ponto importante foi a imagem de João Dória Jr. que eles conseguiram construir. Luiz disse que a imagem de um empresário é muito impopular. O fato de Dória ter nascido em berço de ouro e seu patrimônio ser fruto de heranças não é algo que geraria uma identificação na massa. Logo, era necessário enaltecer os pontos positivos e contornar os pontos negativos: “vamos dizer que ele é um sujeito bem sucedido (afinal ele é rico) e vamos passar a imagem de que ele cresceu a partir de seu trabalho – JOÃO TRABALHADOR“. Assim, toda classe trabalhadora, seja da periferia ou do centro expandido, acabou por se identificar com o perfil de um trabalhador que empreendeu e subiu na vida.

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Poderia destacar diversas outras falas que comprovam o quanto a alienação está presente nos discursos anti-petistas e anti-esquerda. Mas daria um textão maior ainda. Concluo com a necessidade de conscientizar a população, de modo a quebrar tabus e dogmas, fomentando as discussões saudáveis porém bem posicionadas e esclarecedoras, ainda mais num momento de retrocesso político com projetos como a Escola Sem Partido.

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