Redação Pragmatismo
Eleições 2016 03/Nov/2016 às 16:08
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Aécio Neves perde espaço no PSDB após 3ª derrota seguida em casa

Terceira derrota seguida em casa diminui tamanho de Aécio no PSDB. Depois de ser derrotado na disputa com Dilma em Minas e ver seus candidatos a governador do Estado e prefeito de Belo Horizonte perderem, senador perde esperanças de chegar ao Planalto e é ofuscado pelo sucesso eleitoral de Alckmin

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Aécio Neves da Cunha (reprodução)

Leonel Rocha, Congresso em Foco

Além da derrota histórica do PT e do ex-presidente Lula já desenhada desde o primeiro turno, o segundo turno das eleições municipais reforçou uma vitória política e numérica do PSDB, mas uma derrota significativa de seu presidente, o senador Aécio Neves (MG). O PSDB foi o partido que atraiu o maior número de votos nacionalmente e passou a administrar as cidades com a maior concentração de eleitores.

O PSDB foi a legenda que mais se beneficiou das crises política, econômica e moral experimentada pela política brasileira há alguns anos. Os tucanos ganharam. Mas o presidente do partido, o senador mineiro Aécio Neves, perdeu externa e internamente porque não conseguiu eleger seu candidato, o deputado estadual João Leite (PSDB) para a prefeitura de Belo Horizonte, derrotado pelo folclórico Alexandre Kalil, do minúsculo PHS.

Aécio se empenhou na campanha de BH porque sabia do simbolismo da disputa para ele que foi governador mineiro duas vezes e fez o sucessor Antônio Anastasia, também para dois mandatos. Aécio concorreu ao Planalto em 2014 e perdeu para Dilma Rousseff (PT) em sua própria casa. Embora também seja mineira, Dilma tem base política no Rio Grande do Sul. Como líder partidário, já tinha perdido a última eleição estadual para o petista Fernando Pimentel, que venceu o tucano Pimenta da Veiga ainda no primeiro turno.

A derrota do presidente do PSDB na capital mineira, sua principal base eleitoral, enfraquece sua articulação interna para ser escolhido o nome do partido para concorrer às eleições presidenciais de 2018. Mas a campanha eleitoral presidencial – que começa, na prática, nesta segunda-feira – dependerá das consequências da Operação Lava Jato, que poderá atingir políticos de todas as legendas, além de quem já está preso ou processado.

Ainda no primeiro turno os tucanos ganharam em São Paulo, maior cidade da América do Sul, e neste domingo reelegeram os prefeitos de Manaus (Arthur Virgilio Neto) e de Belém (Zenaldo Coutinho). Também vencerem pela primeira vez em Porto Alegre (Nelson Marchezan Junior) e cidades símbolos como Santo André e São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo e berço do PT.

A vitória mais significativa do partido foi mesmo em São Paulo que escolheu João Doria Jr.. O empresário derrotou tucanos tradicionais que o rejeitaram ainda na convenção partidária. A inédita vitória tucana em primeiro turno entre os paulistanos representa o sucesso pessoal e político do governador paulista Geraldo Alckmin.

O governador também ganhou ao eleger aliados na região do ABC Paulista, onde os petistas mantinham um cinturão vermelho há vários pleitos. Em São Bernardo, onde Lula fundou o PT, venceu o tucano Orlando Morando, em Santo André, outro berços petista, a vitória foi de Paulo Serra e em Ribeirão Preto quem ganhou foi o deputado Duarte Nogueira, ex-secretário de Alckmin. Estas vitórias simbólicas são creditadas ao governador.

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Administrando pouco mais de 700 prefeituras espalhados pelo país, o PSDB obteve mais votos nestas eleições municipais que o PMDB. O partido do presidente Michel Temer continua com o maior número de vereadores e prefeitos. Mas perdeu 12% dos votos em comparação com as eleições municipais de 2012. Os tucanos disputaram o segundo turno em cinco capitais e outras nove cidades com mais de 200 mil habitantes. O PSDB ganhou em Porto Velho, Teresina e Maceió.

Na capital alagoana os tucanos derrotaram o governador Renan Filho, do PMDB, herdeiro político do presidente do Senado, Renan Calheiros. Este ano o PSDB elegeu quase 800 prefeitos e está aliado a prefeitos de outros partidos eleitos, como o do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), e o de Salvador, ACM Neto (DEM).

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