Redação Pragmatismo
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Economia 05/Oct/2016 às 13:48
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Greve dos bancários é a mais longa em 12 anos

Com 30 dias de paralisação, greve dos bancários têm nova rodada de negociação nesta quarta. Fenaban marca nova reunião com Comando Nacional da categoria às 17h em São Paulo. Movimento iniciado em 6 de setembro iguala o de 2004, mais longo desde a nacionalização da convenção coletiva

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RBA

O Comando Nacional dos Bancários terá nova rodada de negociação com a Fenaban, a entidade que representa as instituições financeiras, na tarde desta quarta-feira (5), às 17h. A reunião foi solicitada pelos bancos. Os bancários, que completam no mesmo dia 30 dias em greve em nível nacional, cobram uma proposta que tenha condições de ser apresentada para a categoria. A última vez que uma proposta foi levada a apreciação em assembléia – reajuste de 6,5% e abono de R$ 3.000 – foi em 1º de setembro, o que desencadeou a deflagração da greve cinco dias depois.

A oferta foi considerada incompatível com o desempenho dos bancos – apenas os cinco maiores tiveram lucros de R$ 30 milhões no primeiro semestre. As tentativas seguintes da Fenaban, de elevar o reajuste para 7% e o valor do abono único (primeiro para R$ 3.300, em 15 de setembro, e depois para R$ 3.500, no dia 28), foram descartadas na própria mesa de negociação, por não alterar o conceito interpretado pelo comando da categoria como política de redução salarial, uma vez que o reajuste não repõe a inflação e o abono não produz efeito sobre a renda futura dos trabalhadores.

Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, para que uma proposta seja levada à avaliação é necessária uma mudança de postura. “É preciso valorizar os bancários, debater mecanismos de proteção aos empregos, melhorias as condições de trabalho, inclusive com reajuste para vales e auxílios que têm defasagem maior que a inflação”, afirma. “Nesta quarta-feira, a categoria está completando 30 dias de greve. Esperamos que os bancos venham para a mesa com proposta que possa resolver a campanha.”

Ontem (4), 791 locais de trabalho fecharam na base do sindicato, de acordo com a entidade, e cerca de 42 mil trabalhadores participaram das paralisações. A adesão tem abrangência nacional e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) lembra que, ao completar 30 dias, a greve iguala o movimento de 2004, primeiro ano com negociações unificadas entre bancos públicos e privados. A greve mais longa na história da categoria, iniciada em 28 de agostos de 1951, durou 69 dias.

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O presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, observa que a paralisação desafia o aparato repressivo e judicial acionado pelos bancos. “Em algumas regiões os bancos colocaram a polícia para pressionar e obrigar os bancários a trabalhar. Tem bancos produzindo documentos com ameaças e informações falsas. Isso é mentira e a categoria está ciente”, diz.

A categoria tem conseguido reverter na Justiça tentativas de criminalização do direito de greve. Na segunda-feira (3), a Justiça do Trabalho negou pedido de prisão da presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues, feito pela seccional da Ordem dos Advogados do Brasil. Em seu despacho, a juíza Mariana de Carvalho Milet considerou o pedido de prisão “medida excepcional e extrema” e que não se adequa ao tratamento jurídico que deve ser dado à greve dos bancários.

Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo e da Contraf-CUT

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Comentários

  1. José Ferreira Postado em 05/Oct/2016 às 14:48

    Podem fazer por mais tempo, pois eles não são importantes, visto que existem caixas eletrônico e a internet. Eles se acham a última bolacha do pacote. É melhor eles tomarem vergonha na cara e voltarem a trabalhar, para o bem deles mesmos.

  2. João Paulo Postado em 06/Oct/2016 às 00:38

    Dizem que a greve não é de toda ruim para os banqueiros, motivo pelo qual não estão muito empenhados em negociar. O Itaú iniciou um serviço de abertura de conta-corrente por smartphones. Parece que uma das cabeças da Fenaban é da diretoria do Itaú. Com a greve, os clientes são impulsionados a testar os serviços virtuais e sugestionados a adotá-los. Logo, a greve é um empurrãozinho para clientes deixem de frequentar agências físicas, o que enfraquecerá os bancários a curto/médio prazo. Não há ponto sem nó. Vide bancos "originais" da vida.

  3. Thiago Teixeira Postado em 06/Oct/2016 às 07:33

    TV Record (neoglobismo) aqui de Mato Grosso ignorou as reinvindicações dos sindicalistas numa entrevista e jogou toda a população contra eles, como se eles fossem o mau da história versus povo e banqueiros que para o jornalismo golpista, são o lado do bem. "O que vocês tem a dizer a população?"; "O que vocês sugerem as pessoas que precisam de atendimento presencial"; "Quando vocês voltam ao trabalho?"; "Vocês acham certo a população ficar sem atendimento?". Porque não colocam o microfone na boca dos Setúbal, Safra?