Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 21/Sep/2016 às 10:47
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Pesquisa sobre quem é culpado pelo estupro apresenta números assustadores

Um em cada três brasileiros acredita que a mulher é culpada por ser estuprada, revela nova pesquisa. Esse índice aumenta entre os idosos e adultos com mais de 35 anos. 37% dos entrevistados dizem ainda concordar com a seguinte frase: "Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas". Confira os dados

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Uma pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgada nesta quarta-feira (21) revela que um em cada três brasileiros concorda que a mulher vítima de estupro é, de alguma forma, responsável pela violência sexual sofrida. A pesquisa foi realizada pelo instituto Datafolha.

Dos entrevistados, 30% afirmaram que concordavam com a seguinte afirmação: “A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”. O percentual foi o mesmo entre homens e mulheres.

Esse índice aumenta entre os idosos e adultos com mais de 35 anos e entre as pessoas com menor grau de escolaridade. O maior percentual de entrevistados que disseram concordar com a frase é da região Norte do país (38%).

Os participantes da pesquisa também foram questionados se concordavam com a frase “Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. 37% do total de entrevistados falaram que sim. O percentual foi maior entre os homens (42%) em relação às mulheres (32%).

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Segundo a enquete, o índice dos que concordaram foi menor entre os adolescentes e jovens e entre as pessoas com nível maior de estudo. Moradores da região Sul foram as que mais disseram discordar da afirmação (30%).

“A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”

30% concorda
65% discorda
4% não concorda nem discorda
1% não sabe

“Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”

37% concorda
57% discorda
4% não concorda nem discorda
1% não sabe

“O resultado da pesquisa indica que muitas vezes as próprias mulheres ainda são consideradas responsáveis pela violência sexual, seja por não se comportarem “adequadamente” ou por usarem roupas provocantes. Esse pensamento vem de um discurso socialmente construído, o qual considera que se a mulher é vítima de alguma agressão sexual é porque de alguma forma provocou esta situação”, afirma o texto do estudo.

A pesquisa foi realizada com 3.625 pessoas, com 16 anos ou mais, que moram em 217 municípios, entre os dias 1º e 5 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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O levantamento revelou também que 85% das mulheres entrevistadas têm medo de ser estupradas. Entre os homens, esse percentual é de 46%. O temor é mais frequente entre as adolescentes e mulheres mais jovens e entre as moradoras das regiões Norte e Nordeste do país.

Segundo a pesquisa, nove em cada dez mulheres que vivem no Nordeste afirmaram ter medo de sofrer violência sexual. No Norte, o percentual é de 87,5%.

“Além de afetar a saúde física e psíquica das vítimas diretas, o medo do estupro se coloca como um elemento permanente na vida das mulheres em geral, limitando suas decisões e seu pleno potencial de desenvolvimento e de sua liberdade”, diz o estudo.

Violência sexual

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), violência sexual é “qualquer ato sexual ou tentativa de obter ato sexual, investidas ou comentários sexuais indesejáveis, ou tráfico ou qualquer outra forma, contra a sexualidade de uma pessoa usando coerção”.

“Se na última década avançamos consideravelmente no debate sobre violência doméstica no Brasil, o debate sobre violência sexual permanece travado por uma série de tabus e disputas ideológicas, que inviabilizam o tratamento de questões fundamentais relativas ao atendimento das vítimas”, diz a pesquisa.

informações de Folhapress

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Comentários

  1. João Pedro Bif Postado em 21/Sep/2016 às 12:49

    A pesquisa só revela que foram criados estereótipos de pessoas que sofrem essa violência, igualmente como qualquer outra violência.

  2. José Ferreira Postado em 21/Sep/2016 às 14:05

    Corrigindo: O estuprador é um filho saudável da impunidade. Castração química, já!!! Não se combate estupros com "textões" e plaquinhas.

  3. Rodrigo Postado em 21/Sep/2016 às 15:11

    (Outro Rodrigo) E, analisando de forma mais profunda os dados, merece atenção a conexão entre a falta de instrução formal (ou sua presença de forma deficitária) mantém pensamentos medíocres como esse, bem como que ainda há uma carga de valores nefastos trazidos do passado, ainda em voga. Nesse sentido, dentre os que que afirmaram culpa à vítima: 41% têm só o Ensino Fundamental completo; 16% têm Ensino Superior; 44% entre os que têm 60 anos ou mais; 23% entre os de 16 a 34 anos; 37% nas cidades de até 50 mil habitantes; 26% em cidades de 100 mil habitantes ou mais.

    • Rodrigo Postado em 21/Sep/2016 às 17:26

      (Outro Rodrigo) *[...] merece atenção a aparente conexão entre a falta de instrução formal (ou sua presença de forma deficitária) e a manutenção de pensamentos medíocres como esse [...].

    • Roberto Pedroso Postado em 23/Sep/2016 às 09:18

      Então Rodrigo seu argumento é valido mas devo levantar um ponto no qual discordo: não creio que somente o índice de escolaridade interfere decisivamente para se disseminar a cultura do estupro,vemos por exemplo casos de estupro que ocorrem em universidades(envolvendo jovens escolarizados) que não são devidamente investigados ou são subnotificados, creio que infelizmente a cultura machista sexista marcada pela estrutura social estabelecida com bases no patriarcado gera um caldo de cultura deletério que fomenta e determina qual será o espaço da mulher em nossa sociedade e isso independe de classe social ou escolaridade é um problema muito maior isso se refere a nossa cultura as bases de formação de nosso povo,estas questões são difíceis de se tratar pois envolve inclusive uma mudança profunda em nossas bases culturais,aliais a cerca da pesquisa uma pessoa com grau mais elevado de instrução pode muito bem ter a malicia de mentir e não revelar sua verdadeira opinião não revelando sua posição real sobre o assunto abordado.Mas o que você acha?trata-se apenas de uma questão de escolaridade ou (como eu acredito)trata-se de algo mais profundo que envolve inclusive a forma como criamos educamos e ensinamos os meninos a enxergarem o sexo oposto envolvendo inclusive as nossas raízes culturais ?

      • Rodrigo Postado em 23/Sep/2016 às 10:37

        (Outro Rodrigo) Por isso expressamente delimitei que há uma "aparente conexão", entre a falta de instrução formal ou sua presença deficitária, Roberto, ainda expondo expressamente que a pesquisa revela que, em percentual menor (mas ainda expressivo), há ainda 16% que têm ensino superior e concordam com culpa da vítima em casos de violência sexual. Por isso sugiro atenção quanto ao todo de minha fala (mesmo ao adendo com correção que fiz, incluindo o termo "aparente"), tanto a pesquisa quanto o comentário devendo ser lidos e compreendidos quanto ao todo, mas não apenas quanto à parte. Por fim, quanto à sua pergunta direta sobre o que "eu acho", digo que a falta de instrução ou sua presença deficitária é extremamente danosa ao indivíduo, à sua compreensão de mundo e sua reflexão sobre o mesmo e melhor escolha no momento da interação com o meio e com os demais que o rodeiam. Mas, quando o indivíduo é alguém sem caráter ou que não valora visão de mundo permeada por valores como fraternidade, caridade, respeito próprio e ao próximo (a chamada "regra de ouro"), instrução alguma o capacitará a um agir melhor. Talvez, pois, tenha faltado na pesquisa questionar mais sobre a educação doméstica, discussão de valores humanitários no lar, ao lado da instrução escolar, vez que são formações complementares e que não se substituem. E você, Roberto, o que acha?

  4. João Paulo Postado em 21/Sep/2016 às 18:34

    Por mais que esse zé povinho seja retrógrado, TEMERoso, mau caráter e ignorante, esses números assustam. Vagabundo sequer sente vergonha em concordar publicamente com uma merd... dessa.

  5. Roberto Pedroso Postado em 24/Sep/2016 às 11:37

    Entendo Rodrigo e obrigado por responder; concordo quase que inteiramente contigo só creio que infelizmente as questões acerca deste tema são complexas dizem respeito a forma pois não se trata de educação apenas ou nível de instrução e escolaridade(não estou contrariando sua opinião entendi o você escreveu estou apenas levantando uma outra discussão) e sim uma questão cultural infelizmente nossa sociedade alicerçada sobre os princípios do patriarcado o sexismo e todo o caldo de cultura que isso representa estabelece que o principio normativo é a exclusão/segregação da mulher, mesmo com os avanços da luta pela igualdade de direitos capitaneados pelas feministas creio que demoraremos muito para termos mudanças reais em nossa sociedade no que diz respeito as questões da desigualdade entre os gêneros infelizmente.Mas o debate está posto, só estranhei que este tema tão importante e de grande interesse não contou com a participação de nenhuma mulher até agora.....