Redação Pragmatismo
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Impeachment 01/Sep/2016 às 15:49
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O primeiro discurso de Dilma Rousseff após ter o mandato cassado

"Nós voltaremos. Nada poderá nos fazer recuar. Não direi adeus a vocês". Dilma Rousseff faz discurso incisivo em defesa da continuação da luta e diz que a história será implacável com os golpistas

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A agora ex-presidente da República Dilma Rousseff fez seu primeiro discurso após a decisão do Senado que pôs fim ao seu segundo mandato depois de um ano e oito meses de exercício, mas manteve seus direitos políticos.

Cercada de aliados, ex-ministros e lideranças sociais, a petista leu pronunciamento em um púlpito instalado no Palácio da Alvorada denunciou o golpe de Estado que sofreu. A certa altura do discurso, Dilma ainda sinalizou retorno à vida pública.

“Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano”, declarou a ex-presidente, exortando correligionários a lutar “contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia”.

Leia a íntegra abaixo:

Pronunciamento da presidenta Dilma após aprovação do golpe parlamentar

Ao cumprimentar o ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, cumprimento todos os senadoras e senadores, deputadas e deputados, presidentes de partido, as lideranças dos movimentos sociais. Mulheres e homens de meu País.

Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma Presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.

Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado.

É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

É uma inequívoca eleição indireta, em que 61 senadores substituem a vontade expressa por 54,5 milhões de votos. É uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.

O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social.

Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment.

Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.

O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.

O golpe é contra o povo e contra a Nação. O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência.

Peço às brasileiras e aos brasileiros que me ouçam. Falo aos mais de 54 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que avalizaram a eleição direta como forma de escolha dos presidentes.

Falo principalmente aos brasileiros que, durante meu governo, superaram a miséria, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e deixaram de ser invisíveis aos olhos da Nação, passando a ter direitos que sempre lhes foram negados.

A descrença e a mágoa que nos atingem em momentos como esse são péssimas conselheiras. Não desistam da luta.

Ouçam bem: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Sei que todos vamos lutar. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Quando o Presidente Lula foi eleito pela primeira vez, em 2003, chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por mais de 13 anos, realizamos com sucesso um projeto que promoveu a maior inclusão social e redução de desigualdades da história de nosso País.

Esta história não acaba assim. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano.

Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos, todos juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento pleno da democracia.

Saio da Presidência como entrei: sem ter incorrido em qualquer ato ilícito; sem ter traído qualquer de meus compromissos; com dignidade e carregando no peito o mesmo amor e admiração pelas brasileiras e brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando pelo Brasil.

Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi de minhas responsabilidades. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi na luta contra a miséria e a fome, combati a desigualdade.

Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles.

Às mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho, peço que acreditem que vocês podem. As futuras gerações de brasileiras saberão que, na primeira vez que uma mulher assumiu a Presidência do Brasil, a machismo e a misoginia mostraram suas feias faces. Abrimos um caminho de mão única em direção à igualdade de gênero. Nada nos fará recuar.

Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer “até daqui a pouco”.

Encerro compartilhando com vocês um belíssimo alento do poeta russo Maiakovski:

‘Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.’

Um carinhoso abraço a todo povo brasileiro, que compartilha comigo a crença na democracia e o sonho da justiça.”

VÍDEO:

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Comentários

  1. Renan Pantojo Postado em 01/Sep/2016 às 20:37

    Se eu fosse da turma do Temer, estria vendo com assassinos profissionais quanto sairia a cabeça da Dilma, do Lula e dos seguidores deles numa bandeja de prata, literalmente. Meus correligionários me chamariam de herói.

  2. Salomon Postado em 01/Sep/2016 às 21:54

    É isso aí Monteiro, daqui a pouco você vai tentar se esconder atrás de algum argumento tosco inventado pela Globonews. Já vem com essa de que a Dilma tinha amizade com o Cunha e que escolheu o Temer como vice, como se isso pudesse eximir sua responsabilidade de batedor de panela. Grite bem alto: eu sou um coxinha! Seja homem. Honre as calças. Você vestiu a camisa da CBF e saiu por ai dizendo 'somos milhões de Cunha', pedindo a volta da ditadura. Ah, você não escapa, a ditadura vai te pegar! Vai ter que encarar as consequências de ser um midiota. Ah, vai.

  3. Alfa Postado em 02/Sep/2016 às 01:09

    Meu Deus... acorda, cara. Sai dessa de "Dilma era incompetente" e vai ver a destruição de direitos fundamentais q o Temer explicitou logo no primeiro discurso. Ainda ñ acabou essa conversa de "fora petralhas"? Ta feliz? Acha q fez justiça? Trabalhador sem férias, folga semanal, jornada de 44h e 13o é a justiça q vc queria? O fim do SUS e da Educação pública? Chega dessa conversa de Lula na cadeia e vai enxergar quem vc pôs no comando do país...

  4. Salomon Postado em 02/Sep/2016 às 06:09

    Desculpa Monteiro, eu confundi você com um coxinha. O coxinha pelo menos tenta argumentar. Você tem é merda na cabeça.

  5. Deisi Postado em 02/Sep/2016 às 07:33

    Salomon, acho que o Monteiro e um trouxinha escondidinho, só mudou o Nick.