Redação Pragmatismo
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América Latina 09/Sep/2016 às 15:41
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Jornalista argentino cita Macri e envia 'recado urgente' a Michel Temer

"Se Michel Temer dedicar alguns minutos a espiar um pouco o que acontece na Argentina, nove meses depois da posse do seu colega Mauricio Macri, talvez descubra que as coisas não são tão simples". Confira o texto do jornalista Ernesto Tenembaum publicado no El País

Michel Temer Mauricio Macri Argentina
Michel Temer e Mauricio Macri

Por Ernesto Tenembaum, El País
Mensagem argentina (e urgente) para Temer

Se o brasileiro espiar um pouco o que acontece no vizinho, talvez descubra que as coisas não são tão simples

Nos últimos tempos do kirchnerismo, instalou-se na Argentina uma ideia um tanto simplista sobre o futuro.

Sustentava basicamente que o país se atrasou e se complicou demais por causa de uma série de políticas equivocadas, executadas por gente desagradável, que foram na contramão da sensatez e das exigências do mercado. E que tudo consistia em pôr as coisas em seu devido lugar: mandar os desagradáveis embora e colocar abaixo o que estava em cima, e vice-versa. Algo assim acontece neste momento no Brasil.

Os mercados não queriam o PT, dizem alguns analistas. E parece que basta expulsar Dilma Rousseff do poder e adotar algumas políticas supostamente sensatas para que todas as flores floresçam.

Se Michel Temer dedicar alguns minutos a espiar um pouco o que acontece na Argentina, nove meses depois da posse do seu colega Mauricio Macri, talvez descubra que as coisas não são tão simples. Porque essa ideia hoje parece quase uma vulgaridade, um absurdo, uma ilusão, um caso típico de wishful thinking, como se diz na parte de cima do mundo.

Claro que o filme da Argentina macrista mal começou, e que ninguém pode saber o seu final. Mas a fotografia é bastante inquietante. Macri disse que chegava para reduzir a inflação, a pobreza e o desemprego, e para encaminhar definitivamente o país no rumo do desenvolvimento. Entretanto, os primeiros efeitos são exatamente o contrário disso.

A Argentina sofre a inflação mais alta desde 1991, uma das contrações mais fortes do seu setor industrial, uma alta de aproximadamente três pontos percentuais na quantidade de desempregados e a queda de centenas de milhares de pessoas abaixo da linha de pobreza.

Existe uma discussão sobre quem é o responsável por tudo isto, e por isso Macri mantém um respeitável nível de apoio: muitos acreditam que os males derivam do passado. Mas os males estão aí e contrastam muito com o clima festivo que se vivia no momento da posse do novo presidente.

Há meses, neste contexto, o Governo anuncia que tudo está a ponto de mudar, que o ponto de inflexão é iminente. Comemora agora a queda da inflação, apesar de os custos sociais terem sido enormes para um período tão curto.

Com o resultado dado, é bastante simples explicar o que aconteceu. A Argentina vinha de quatro anos consecutivos de estancamento. O Governo então decidiu liberar a taxa de câmbio, o que desatou uma corrida inflacionária, disparada pelo crescimento dos preços de importação. A isso o Governo adicionou um aumento das tarifas de gás e eletricidade – necessário, mas abrupto demais… Imediatamente, o consumo se retraiu sensivelmente.

O faturamento das pequenas empresas e pequenos comércios, que já era frágil, despencou, enquanto seus custos subiram. Precisaram se ajustar ou fechar. Quem percorrer hoje o centro de Buenos Aires se surpreenderá com a quantidade de pontos comerciais para alugar.

O Governo acreditava que, como era isso que o mercado exigia, a reimplantação da sensatez geraria um boom de investimentos. A única coisa que chegou foram os créditos, já que a Argentina é um país desendividado que pode pagar juros altos em dólar, até que um dia – e aqui convém rezar, porque seria muito traumático – não lhe emprestam mais. Mas, como também foram eliminados impostos dos setores exportadores para estimular seu crescimento, o déficit fiscal aumentou enormemente.

De modo que a alegria inicial foi substituída por uma grande incerteza e pela convicção de que as coisas definitivamente não são simples nestes tempos na América Latina. Os mercados, seja lá o que for isso, exigem medidas, comemoram-nas, mas aí os investimentos não necessariamente chegam, ou não chegam tão rápido, e as coisas começam a engrossar.

Ou seja: se Temer está pensando em privatizar setores estratégicos, ou em ajustar as contas públicas, ou em desativar programas sociais, talvez devesse saber que, em vez de sair, pode estar se enredando ainda mais no labirinto herdado do Governo do qual participou como vice-presidente.

Não está claro se para todo problema há de fato uma solução. Mas, antes de aplicar algumas receitas, melhor pensar duas, três e até quatro vezes. Em todo caso, a experiência argentina oferece ao Brasil um espelho no qual se olhar, um reflexo de que sair de certos esquemas é muito mais custoso e complexo do que se diz numa campanha eleitoral ou num processo de impeachment.

Tomara que lhes seja mais leve.

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Comentários

  1. John J. Postado em 09/Sep/2016 às 18:14

    Homilia | Dom Angélico Sândalo Bernardino https://www.youtube.com/watch?v=N6DoRD1i5Vk

    • Edison Carleti Postado em 13/Sep/2016 às 23:35

      John J. Eu assisti o vídeo do Dom Angélico no You Tube. É simplesmente SENSACIONAL! Peço aos editores do PRAGMATISMO POLÍTICO que façam um post sobre esse vídeo. Nos dias sombrios e intolerantes pelos quais vivemos, assistir ao vídeo da homilia feita por Dom Angélico é algo de UTILIDADE PÚBLICA. Pena que, nos dias atuais, para cada um Dom Angélico e um Papa Francisco existam pelo menos uns vinte Padres Alessandro e Marcelo Rossi. Isso sem também se esquecer dos mais de trezentos Pastores (ops! eles preferem o tratamento de Missionários) Edir Macedo, RR Soares, Valdemiro Santiago e por aí vai. Pessoas como Dom Angélico, Papa Francisco, Irmã Dorothy e Zilda Ars (in memorian) nos mostra o quanto não podemos fazer as polarizações. Mesmo ainda sendo essencialmente conservadora, a Igreja Católica também tem pessoas de mente aberta, que interpretam o Evangelho de uma forma diferente. Sou marxista convicto, mas tenho que admitir que quando Marx disse que "a religião é ópio do povo", isso seria muito bem aplicado à igreja (principalmente a católica) na metade do século 19, período em que ele viveu. Hoje não podemos mais fazer essa generalização, pois além da Igreja Católica há também tendências em outras religiões que lutam pelas minorias, pelos pobres e por uma sociedade justa.

  2. Pedro Accioli Postado em 13/Sep/2016 às 14:40

    Você irá chorar lágrimas de sangue até o final do ano que vem pois o país estará em uma desgraceira enorme meu caro coxinha burro!