Redação Pragmatismo
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Direita 14/Sep/2016 às 12:06
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Homem mostra pênis para funcionária do Instituto Lula em restaurante

Homem xinga e mostra pênis para funcionária do Instituto Lula em restaurante. Testemunhas presenciaram o ocorrido e um boletim de ocorrência foi lavrado em uma delegacia de polícia

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por Leonardo Sakamoto*

Uma funcionária do Instituto Lula foi vítima de agressão de conteúdo misógino e sexual, na tarde desta terça (13), na porta de um restaurante perto do seu local do trabalho, no bairro do Ipiranga, em São Paulo.

Ao ouvir a conversa de colegas de trabalho que estavam com ela durante o almoço e perceberem que eles trabalhavam no instituto, seis homens se aproximaram e passaram a chamá-los de ladrões. Quando ela sacou um celular para registrar os xingamentos, um dos homens retirou o pênis da calça e disse que ela deveria fazer sexo oral nele. Depois de um momento, repetiu a cena.

Quando os presentes reclamaram, eles saíram rindo do local. Os homens – fotografados por outros clientes, ainda não foram identificados. Testemunhas presenciaram o ocorrido e um boletim de ocorrência foi lavrado em uma Delegacia de Polícia.

O artigo 233 do Código Penal considera que ”praticar ato obsceno em lugar público ou aberto ou exposto ao público” prevê de três meses a um ano de detenção mais multa. Mas o que aconteceu não foi apenas um ato obsceno ou uma ação tresloucada de um analfabeto político ou de um maníaco, mas uma agressão bem mais estrutural.

A agressão sofrida pela trabalhadora se utilizou de misoginia e violência sexual para demonstrar ódio político e intolerância social. Pois não basta ignorar um enfrentamento de ideias através do diálogo limpo e, ao mesmo tempo, tripudiar e ofender um posicionamento político diferente do seu – o que já é um absurdo em um ambiente que se pretende uma democracia. Isso é feito de forma violenta, para que não se deixe dúvidas: uma mulher que não aceita o lugar de silêncio e os xingamentos que lhe são impostos deve ser calada com um pênis em sua boca.

O ator Alexandre Frota, durante uma entrevista a um programa de TV, narrou um caso de violência sexual do qual foi protagonista contra uma mãe-de-santo e a plateia, em deleite, riu como se fosse uma piada. Acusado por organizações sociais de estupro e de apologia ao estupro, deu de ombros.

O deputado federal Jair Bolsonaro, durante um debate com a também deputada federal Maria do Rosário, afirmou: ”Jamais iria estuprar você, porque você não merece”. Ao dizer que ela não merecia ser estuprada, deixando claro que há mulheres que merecem, sabia que seu discurso receberia o apoio de uma quantidade considerável de pessoas. Tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal por afirmar isso a um jornal, mas parte de seus seguidores dizem que ele está sendo injustiçado e que a deputada realmente merece isso. Ele conta com uma considerável intenção de voto, principalmente entre as classes mais ricas segundo as recentes pesquisas de opinião.

Em outras palavras, uma sociedade na qual há espaço para defender e glorificar atos como os de Frota e Bolsonaro ou, ainda, como os que realizaram estupros coletivos no Rio de Janeiro ou no Piauí, não é uma sociedade doente. Pelo contrário, é uma sociedade em que parte de seus membros acreditam, dentro de suas perfeitas faculdades mentais, que homens devem mandar e mulheres (principalmente negras), obedecer.

Vivemos em uma sociedade que garante que a violência de gênero continue a ser um instrumento de poder, de dominação, de humilhação. Uma sociedade na qual uma agressão ao corpo e/ou à mente de outro ser humano é banalizada, menosprezada e tratada como piada ou como válida punição por suas opiniões. Uma sociedade em que mulheres ainda são consideradas objetos descartáveis à disposição dos homens.

Quando mulheres são sistematicamente abusadas, não apenas seus corpos e almas são violentados. E a dignidade de toda a sociedade é coletivamente agredida e negada. Porque falhamos profundamente em garantir um dos direitos mais fundamentais.

E se isso acontece junto a discursos que louvam e relativizam essa violência, podemos começar a nos questionar que tipo de povo somos nós. Pois não importa quais as ideias defendidas por alguém, à direita ou à esquerda, ou a qual partido político pertencem. Não há qualquer justificativa aceitável para o contraponto ser dado na forma de um abuso como esse.

Vale lembrar que violência sexual não é monopólio de determinada classe social e nível de escolaridade. Quem espanca e violenta pode ter apertado o sinal de parada do ônibus ou roçado o banco de couro de um BMW. O que une os diferentes no Brasil, afinal de contas, não é o futebol, a religião ou a comida. É a violência de gênero.

A cultura de estupro é um ”privilégio” masculino, que vem sendo derrubado pelo feminismo ao longo do tempo, mas com dificuldade, porque encontra a resistência de homens pelo caminho.

Nós, homens, temos a responsabilidade de educarmos uns aos outros, desconstruindo nossa formação machista, explicando o que está errado, impondo limites ao comportamento dos outros quando esses foram violentos, denunciando se necessário for. O constrangimento público é uma arma poderosa e precisa ser usada insistentemente. As pessoas precisam entender que o seu discurso e suas atitudes violentas não cabem mais no ambiente em que estão.

Todos nós, homens, de esquerda, de direita, de centro, somos sim inimigos até que sejamos devidamente educados para o contrário. E, tendo em vista a formação que tivemos e a sociedade em que vivemos, que autoriza e chancela comportamentos inaceitáveis, é um longo caminho até que isso aconteça.

(*) A identidade da funcionária foi omitida para preservar sua integridade.

*Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 14/Sep/2016 às 13:23

    Se uma mulher mostrasse a vagina para um funcionário do Instituo FHC estaria na cadeia.

    • poliana Postado em 14/Sep/2016 às 18:43

      Antes disso teria sido estuprada lá mesmo e o fato seria amplamente aplaudido, já q a culpa seria toda dela q provocou.

  2. Salomon Postado em 14/Sep/2016 às 13:25

    A sociedade brasileira é machista. Aí, incluídas as mulheres, que são mães, e formam filhos machistas. Esse machismo arraigado vem de longe. Quando o mundo já estava no renascimento, o medievalismo se encastelou na península ibérica e depois foi transportado para o Brasil, na época das grandes navegações. Depois vieram a casa grande a senzala. E tome-lhe machismo nas negras, pois as senhorinhas já eram recatadas e do lar. O problema não é o machismo, o problema é a impunidade, insuflada pelos meios de comunicação de massa. E a crise está apenas no começo.

  3. José Ferreira Postado em 14/Sep/2016 às 13:30

    O cara comete uma atitude condenável, mas não precisava fazer um textão sobre isso, com conexões que não possuem nenhuma ligação com o fato e acusações generalistas (como se todos os homens fosses estupradores). Não existe "cultura do estupro", existem estupradores. E para estupradores a castração química, pois não é com textão e protestinho que se resolve a situação.

    • Trajano Postado em 15/Sep/2016 às 11:33

      Se trata de uma matéria antes de ser textão. O mundo não é e nunca foi um Twitter gigante com restrição de caracteres. Compartilhar e disponibilizar informações são ações fundamentais. Isso impede, por exemplo, de se cair no canto da sereia e achar alguma seriedade em seu comentário, afinal, não existe castração química: manipulação de testosterona não castra ninguém. A aplicação para alteração hormonal em homens para diminuição do impulso sexual não funciona simplesmente por não ser permanente e por uma questão básica: violências sexuais não requerem unicamente ereção e não existe "pílula" contra a brutalidade. Por outro lado, a direita quando quer que o Estado - sim, o Estado - tenha o poder de ficar injetando substâncias em alguém que altere o funcionamento do organismo não será a mesma direita que irá se responsabilizar quando esta medida folclórica não der certo, menos ainda quando o Estado for processado pelos eventuais problemas de saúde correlacionados por alteração hormonal abrupta no corpo do indivíduo, coisa que não está prevista em nenhum alicerce constitucional. A informação, portanto, é importantíssima, pelo menos para você não pagar mico por aí citando pauta inútil de político néscio. Assim, segue uma fonte de informação, vulgo "textão", caso queira entender o mínimo antes de falar besteira: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/06/17/a-castracao-quimica-impede-estupradores-entenda-como-o-processo-funciona.htm

      • José Ferreira Postado em 15/Sep/2016 às 13:58

        Então vamos usar o facão mesmo. É bem melhor, principalmente se não tiver anestesia.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 14/Sep/2016 às 14:41

    Mais uma agressão padrão coxinha. Absolutamente desproporcional, cheia de ódio e apenas ódio, politicamente vazia, escancaradamente misógina, e sobretudo covarde. Porque em 6 - SEIS BARBADOS ELEITORES DO PSDB - contra uma mulher, dentro de um restaurante, é fácil demais ser machão e botar a minhoca pra fora. Em 1, na minha frente ou na frente de qualquer homem, a facada no pinto era certeira. No mínimo, se me pegasse de bom humor, a cumbuca de feijão fervente voaria pra queimar a micropenia do mendigo. Mas eles não são loucos de fazer isso. Esses cidadãos "de bem", nobres homens brancos representantes da "família brasileira", são sempre, todos, necessariamente: 1- desorientados politica e ideologicamente, só sabem que são anti-PT e o odeiam, e 2- covardes tangas-frouxas que chamam pela mãe na primeira batida de pé que der no chão, e em assim sendo, eles contam demais com a certeza da impunidade e com a certeza da não-reação dos atacados, e só por isso deitam e rolam. No dia que sangue nobre começar a sujar o solo de vermelho, essa palhaçadinha acaba.

    • José Ferreira Postado em 14/Sep/2016 às 17:53

      Tá bom, Cabra Macho.

      • Salomon Postado em 14/Sep/2016 às 18:36

        Eduardo, os coxinhas não dão as caras, são covardes e medrosos. Atacam mulheres. Tiram self com policiais pra ter quem os proteja e o diabo que os carregue. Ficam atrás do teclado, digitam e se escondem. Sou contra a violência, mas tudo tem limites. Gostaria de pegar um depravado desses numa chave de braço. Até me segurarem, o babaca já foi a óbito. Dia virá, que fascistas como o José Ferreira, e esses animais que mostraram o pênis, terão que ser mais cautelosos. A Justiça no Brasil já era. Não serve pra nada além de melosquências inúteis. Têm muito ódio acumulado contra o preconceito de classes. Agora é justiça de mão própria. Olho por olho, dente por dente. E a crise está apenas começando.

      • Thiago Teixeira Postado em 14/Sep/2016 às 23:05

        Falou tudo, os direitistas golpistas são covardes, só agridem mulheres. Veja o caso das senadoras da bancada de esquerda, são tratadas como lixo pelos trogloditas dentro e fora do local de trabalho.

      • José Ferreira Postado em 15/Sep/2016 às 14:00

        Esses aí são os mesmos que dizem "vamos pegar em armas", mas, quando apanham da Polícia, ficam de choradeira a dizer que são "vítimas".

  5. a.ali Postado em 18/Sep/2016 às 01:45

    Que aula Trajano! mas acho que é "muito" para o destinatário, pois continua vomitando besteira, aliás, como percebo que coxinha vem beber nos blogs progressistas, porque será, hem?.