Redação Pragmatismo
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Impeachment 29/Aug/2016 às 22:24
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A repercussão do discurso de Dilma Rousseff na imprensa internacional

A mídia internacional repercutiu o discurso de Dilma Rousseff no Senado Federal. De acordo com o espanhol El País, a fala da presidente foi “dura e emocionante”. Confira o que disseram outros veículos

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Jornais internacionais repercutiram o discurso da presidente Dilma Rousseff perante o Senado brasileiro nesta segunda-feira (29/08). O espanhol El País classificou a fala da mandatária como “dura e emocionante”. Dilma foi ao Senado para se defender das acusações de crime de responsabilidade que visam destitui-la de seu cargo.

Em artigo, o El País disse que Dilma “apelou aos sentimentos, à sua história política, ao seu caráter e à sua trajetória para deixar claro de que está sendo expulsa [da Presidência] injustamente”.

“Ela sabe. Sabe que só um milagre a salvará [do impeachment], sabe que tudo está perdido. Ou quase. Por isso, apesar desta interpelação, Rousseff não dirigiu seu discurso só aos senadores, mas ao país inteiro, aos livros de história, ao seu próprio retrato e à sua própria biografia, consciente da dimensão do momento, da importância do discurso”, escreveu o autor do texto, Antonio Jiménez Barca.

Para o jornal espanhol, Dilma conseguiu atingir o “triste objetivo de sua própria defesa” nesta segunda: “deixar para os historiadores um precioso discurso inútil”.

Ainda na Europa, o jornal diário português Público, ao tratar do discurso de Dilma, deu como provável seu impeachment.

“A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, não poupou nas palavras na sua defesa perante o Senado, no julgamento em que deverá ser destituída do cargo, do qual está suspensa desde maio”, afirmou o veículo.

“A presidente defende-se destas acusações [pedaladas fiscais] — muitos analistas dizem que esta contabilidade criativa não é muito diferente da realizada por outros governos”, escreveu a autora do texto, Clara Barata.

Além disso, o jornal trata da operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção que envolviam desvio de dinheiro da petrolífera Petrobras. Apesar de reconhecer que nunca foi descoberto nada que “visasse concretamente Rousseff — sua honestidade pessoal nunca foi posta em causa”, o Público diz que “a presidente convivia com esse sistema político que ninguém duvida que seja corrupto”.

A emissora norte-americana CNN também comentou o discurso da presidente quem, segundo o veículo, “não tem intenção de aceitar seu impeachment sem uma luta”.

“Não está claro se um discurso emocionado irá fazer algum bem [para ela]. A maré de opiniões está contra ela, e sua aparição [perante o Senado] é esperada que seja seu último pronunciamento público”, afirmou a CNN.

Segundo a emissora, o processo de impeachment se arrastou por meses e é um “retorno desagradável à realidade” para o Brasil após as celebrações dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que, “apesar de ter orquestrado, Rousseff foi impedida de comparecer”.

“[Esta] é uma crise política que os brasileiros comuns poderiam ficar sem — o país está tentando sair de uma recessão”, disse a emissora.

Outro veículo norte-americano que também abordou o discurso da presidente foi o jornal USA Today.

“Após quatro dias de briga intensa na capital do Brasil sobre as acusações enfrentadas por Rousseff, ela teve sua chance de se defender (…) Rousseff usou seu discurso de 45 minutos para ressaltar sua história política e pessoal”, escreveram os autores do artigo.

Para o jornal, vem se construindo um “momentum” contra a mandatária brasileira, “que está ficando sem tempo de convencer os outros senadores a mudarem seus votos [em seu favor]”.

“Você pode até não gostar da Dilma ou das suas políticas, mas é muito difícil chamá-la de covarde. Ela sabe que está caindo, mas encara as acusações”, observa Vicent Bevins, do LA Times.

Na América do Sul, o jornal argentino Clarín também se pronunciou em relação ao discurso da mandatária, que classificou como “uma histórica declaração de defesa”.

“A presidente enfrenta agora sua última batalha, em uma sucessão de crises que arrasta desde que iniciou seu segundo mandato, em 1º de janeiro de 2015”, escreveu a jornalista Eleonora Gosman.

Os parlamentares precisam de 54 votos para impedir Dilma. Em maio, quando era votado seu afastamento, apenas 22 dos 81 senadores votaram pela permanência da presidente. Caso ela perca a votação, o presidente interino e vice-presidente Michel Temer assumirá definitivamente o Palácio do Planalto até 2018. A votação no Senado deve ocorrer na quarta-feira (31/08).

Opera Mundi

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Comentários

  1. Julia Postado em 30/Aug/2016 às 00:52

    O golpe contra Dilma foi tramado nos porões do inferno. Infelizmente, acho que ela sairá ferida. O povo aqui tem sangue de barata!

    • Elizabeth Salvioli Postado em 30/Aug/2016 às 02:44

      Na Turquia não conseguiram,o povo não deixou.....

    • josino lima Postado em 30/Aug/2016 às 11:42

      certo juliá tambem acho e bem tramado depois dizem que veio das ruás ., abço

  2. Marley Goes Postado em 30/Aug/2016 às 00:53

    Mag Lismar Acho que esse povo que rumina ódio, não sabem que são feitos de carne e ossos, e muito menos que possuem uma alma, que prestarão contas dos seus atos , destilam atoa palavras alicatinas contra uma mulher que comprovadamente não é corrupta. Por despeitos a perseguem por serem da extrema direita, e tudo que visam é ter um governo que os privilegiem com facilidades que perpetuarão suas vidas boêmias e vazias.Tudo que sabem fazer é gastar em um dia o que o pobre nem tem para gastar em um mês, é apenas a distorção da distribuição de rendas, que vai para um bolsão, onde só os portentosos donos do poder podem meter a mão. Este é claramente o motivo de termos um pais afundado em misérias, só em São Paulo o produto interno bruto arrecada trilhões (trilhóes mesmo) em impostos, tudo isto é amealhado (roubado,) por esta gente que se sente imortal, achando que luxo e plásticas vão garantir que vivam pela eternidade num mundo irreal que sonham,mas que de repente ficamos sabendo que ja não existem mais. Pelo menos isto consola os menos favorecidos. Danem-se quem vestir a carapuça,. Só advirto que tomarei providencias contra quem destilar sua ira me xingando, com palavras que de longe não me ofendem porque não me cabem. Só sei que gente ruim não teria vez numa nova barca para salvar aqueles puros de coração, seriam banidos e devorados por tubarões. O mundo precisa sofrer uma grande e definitiva transformação

  3. VALZINHA Postado em 30/Aug/2016 às 04:07

    QUERO SABER ONDE ESTÃO OS CRETINOS DOS BLACK BLOCS QUE SE DIZEM ANARQUISTAS REVOLUCIONÁRIOS. FORAM PAGOS PELA DIREITA PARA BRIGAR POR 20 CENTAVOS E NÃO BRIGAM PELOS DIREITOS PERDIDOS DO POVO? QUERO VER ANARQUISTAS EM GOVERNO FASCISTA

    • Lucas Postado em 30/Aug/2016 às 12:08

      Maravilhoso comentário... Fez-se passar por esquerdistas revolucionarios, eram atores golpistas... certamente tbm manipulados e acima de tudo perdidos...

    • julio Postado em 30/Aug/2016 às 13:54

      Estava me perguntando exatamente isso, minha cara.

  4. Leonardo Postado em 30/Aug/2016 às 08:57

    Infelizmente só a história vai provar que a Dilma era inocente. Infelizmente ela esteve rodeada de incapazes, e pela corrupção de seu partido político(assim como todos os outros). Mas essa batalha está perdida.

    • Goethe-Br Postado em 30/Aug/2016 às 14:17

      ...-caro Leonardo...: a esperança , é o que deve morrer por último !..."-ainda ha tempo para que o senso de compreensão e de justiça ,toquem os corações dos congressistas...e os façam refletírem, sôbre a importância dos seus atos perante a nação e a história !...ora, seria inimaginável que no senado só existam sacrílegos para com DEUS e para com Pátria !...-tenhamos a paciência que o momento requer...e confiemos na justiça maior !... -Goethe-Br

  5. GERSON Postado em 30/Aug/2016 às 10:07

    Essa tragédia não atingirá somente a Presidente Dilma, mas sobretudo todos os brasileiros das classes médias e baixa. Os trabalhadores de maneira geral serão atingidos através da reforma da Previdência Social. O PSDB e o PMDB já estiveram no Governo quando do mandato do senhor Fernando Henrique Cardos. Naquela época houve a maior Reforma da Previdência Social na qual foram retirados vários direitos dos aposentados. Houve as maiores privatizações, inclusive do Sistema Telebrás. O senhor Fernando Henrique justificava a necessidade da privatização da telefonia alegando que o setor estava falido e necessitava de investimento. Ocorre que a operadora de telefonia fixa (atualmente Lelemar Norte Leste) sempre foi mantida com dinheiro público oriundos do BNDES, BB e CEF. E, atualmente essa empresa requereu recuperação judicial para forçar esses entes estatais perdoar-lhes as dívidas. Novamente pagaremos as dívidas do PMDB e do PSDB.

  6. Maurinete Postado em 30/Aug/2016 às 11:27

    Meus netos irão ouvir muito falar desta mulher guerreira que foi arrastada ea previdência sem crime pelos piores ladrões.

  7. Alô Iesu Postado em 30/Aug/2016 às 12:18

    Ficarão nos livros de história para as gerações futuras verem a farsa desse golpe disfarçado de impeachment os torturadores serão lembrados com suas biografias manchadas semelhantes a judas Iscariotes,um ótimo legado pra essa corja de corruptos.

  8. myriam Postado em 30/Aug/2016 às 12:33

    Todos virao que mais uma vez da Dilma foi torturada. nao por tortura fisica. e sim tortura piscologica. eu ja imaginava que seria assim senadores e quem manda no Brasil. jamais vao admitir que uma presidenta ou presidente mecham com seus intereses. os ricos do pais sao eles. o que lhes interesa pobre subir de vida?

  9. Thiago Teixeira Postado em 30/Aug/2016 às 12:48

    JN é tão escroto, que deu um break no discurso e trouxe uma reporcagem do Instituto Lula dizendo que em 2011 (isso mesmo) a empresa deverá pagar um imposto que eles tinham isenção fiscal, como que se esse problema só acontece com eles. Tentativa visível de sempre relembrar o ex-presidente em notícias negativas. Ridículo.

    • Wagner Bahia Postado em 30/Aug/2016 às 16:36

      Verdade, Thiago. Notei isso ontem quando vi o Jornal.

    • Wagner Bahia Postado em 30/Aug/2016 às 16:41

      Acompanhamos um dos processos mais covardes feitos a um dirigente de um país. A questão não é nem mais estar claro ser um golpe, mas ao fato de estarem entregando o governo de bandeja a um grupo politico que implementará um programa que seria recusado nas urnas. Programa que jamais seria aceito pela maioria da população, se fosse proposto. Quem votaria em alguém que propusesse flexibilização da CLT/terceirização, flexibilização da educação escolar/Prouni e esta reforma vergonhosa na aposentadoria? Cômico o pessoal dizer que estava sendo implantada uma ditadura comunista aqui. Durante os governos de Lula e Dilma os bancos nunca ganharam tanto dinheiro, assim como as indústrias e o comércio, por conta da ascensão dos menos abastados, que passaram a ter algum poder de consumo. Mais triste ainda é ver um montão de boçais nos youtubes da vida fazendo comentários ridículos, descontextualizados, preconceituosos, verdadeiros papagaios que não sabem nem o que estão falando...

  10. Eduardo Postado em 30/Aug/2016 às 15:56

    Voltemos então a décadas atrás, todos os avanços conquistados nos serão arrancados por uma classe escrota de políticos inescrupulosos e corruptos, é inadmissível um representante do povo não votar com a consciência e pelo bem do Brasil, condenando não só uma pessoa inocente, mas assassinando as vistas de todos uma democracia conseguida a custos de sangue, infelizmente, pensei que tínhamos superado essa fase obscura da história que muito nos inoja.

  11. Maria Angela Marques Postado em 30/Aug/2016 às 16:26

    Estou enojada.Cadê os nossos heróis? foi mais de que provado que ela não cometeu nenhum crime. Assim como Jango, Jânio, ela foi vítima das forças obscuras desse país. A população brasileira não teve peito para impedir essa palhaçada.

  12. Lourdes Amorim Postado em 30/Aug/2016 às 17:09

    A BRILHANTE DEFESA DE DILMA ROUSSEF NO SENADO, DIANTE DA IMINÊNCIA DE UM GOLPE PARLAMENTAR NO BRASIL (Por Lourdes Amorim Rocha) Assisti ontem, do início ao fim, na sessão que durou 14 horas, o depoimento de Dilma no Senado, assim como as respostas que ela deu a TODAS as perguntas dos senadores, sem titubear, com toda a altivez, segurança e serenidade que só os inocentes demonstram, quando estão sendo julgados. Em momento nenhum ela se furtou a esclarecer os questionamentos, muitas vezes repetidos pelos inquiridores à exaustão, aparentemente com o propósito de esgotá-la. Mas ela resistiu com firmeza até quase meia noite, mesmo com a voz já querendo falhar. Não se furtou a reconhecer os erros do seu governo, os quais podem ser atribuídos principalmente à falta de cooperação do Congresso, que fez tudo para dificultar a vida dela, não aprovando as demandas necessárias ao saneamento da economia. Esta mulher provou ser muito mais do que resistente. Ela é a maior prova de RESILIÊNCIA que já vi num ser humano, é uma “GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA”. Ela é (ou deveria ser) uma grande e importantíssima referência para todas as mulheres do Brasil e do mundo, pela sua força inesgotável, sua integridade e o seu espírito de luta. Qualquer mulher consciente, coerente e lúcida certamente reconhece isto. Tentaram acuá-la de todas as formas, mas ela resistiu com dignidade (e continuará resistindo) até o fim. Senadores sem moral, machistas, salvo raras exceções, acharam que ela iria renunciar, por não aguentar a pressão. Ao vê-la se pronunciar com tanta altivez, acusaram-na de ser arrogante, de não demonstrar sentimentos ou humildade. Aí, eu pergunto: como ser humilde e sentimental num momento em que ela estava sendo execrada pelos seus opositores? A partir do momento em que ela decidiu que faria a sua própria defesa nesta etapa final do processo, é óbvio que ela não pode e nem deve demonstrar fraqueza, coisa que os seus algozes sonham acontecer. Ela disse: “Hoje, a única coisa que temo é a morte da democracia”. Enfim, tudo indica que o impeachment de Dilma seja um fato consumado, pois o que está em jogo não é o fato de ela ser inocente ou não. Há interesses escusos por trás disto, e Temer já cuidou de comprar a consciência da maior parte dos senadores, dos que não têm nenhum escrúpulo. Ele e a corja que o acompanha investiram pesadamente nisto, para obter êxito nos seus propósitos sórdidos. O blogueiro Davis Sena Filho, em um artigo publicado ontem, relacionou os seis motivos principais do processo de impeachment de Dilma: 1) Inviabilizar Lula como candidato às eleições em 2018, por meio de prisão ou torná-lo inelegível (ficha suja); 2) Desconstruir o PT como partido popular; 3) Reconquistar o poder por intermédio de um golpe para impor a agenda neoliberal do PSDB, derrotada eleitoralmente quatro vezes consecutivas; 4) Vender a toque de caixa as estatais brasileiras; e 6) Livrar os caciques golpistas do PSDB, do DEM, do PPS, do PP e do PMDB da cadeia, por causa da Lava Jato..." Diante disto, só um milagre pode salvar Dilma agora, mesmo ela sendo inocente. Porém, SE ELA FOR IMPEDIDA, SAIRÁ MUITO MAIOR E MAIS FORTE DO QUE ERA QUANDO ASSUMIU A PRESIDÊNCIA, PELA SUA TÊMPERA E CARÁTER INATACÁVEL, ENQUANTO OS GOLPISTAS ENTRARÃO DEFINITIVAMENTE PARA A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA. Os golpistas, assim como os manifestantes que pediram o impeachment arcarão com o ônus da responsabilidade pelos danos sociais e econômicos que certamente ocorrerão no país e o consequente retrocesso que enfrentaremos, considerando as contínuas temeridades que Temer pretende levar a cabo, por mais que ele negue. Finalizo citando um trecho da carta escrita por artistas e intelectuais do Brasil e do exterior. “Esse ataque aos processos democráticos representa uma ameaça aos direitos humanos e levará o Brasil a uma situação de maior instabilidade política e desigualdade social e econômica.” “Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações. Se eles derem continuidade ao seu plano, serão lembrados pela história como os responsáveis pelo mais sinistro e cruel ataque à democracia desde o Golpe de 1964”. A história cobrará explicações, já que não existe base legal para justificar o impeachment. (Wagner Moura)