Redação Pragmatismo
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Racismo não 02/Aug/2016 às 15:23
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Médica é alvo de racismo após resposta sobre 'peleumonia'

Da série: não existe racismo no Brasil. Ou "o mundo está ficando chato demais". Médica que viralizou no último final de semana ao rebater com muita delicadeza o deboche do colega de profissão foi alvo de sucessivos ataques racistas e disse estar em estado de choque

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(Imagem: médica Júlia Rocha sofre ataques racistas após criticar colega que debochou de paciente)

A médica mineira Júlia Rocha — que respondeu ao deboche de um médico após ele zombar de um paciente no interior de São Paulo e afirmou que existe ‘peleumonia’ — viu seu post render milhares de curtidas, comentários, mas também ataques racistas.

Na noite deste domingo, a médica desabafou em uma nova publicação em seu perfil pessoal e disse estar em ‘estado de choque’.

Em um post acompanhado de prints com ataques racistas, ela disse que não falaria nada, mas como vai ser mãe de “uma criança preta muito amada”, não poderia ficar calada.

A médica explicou que o post feito na última sexta-feira, em resposta ao médico paulista, era uma referência à forma como os pacientes contam suas dores.

“Não citei nomes, não julguei. Apenas dei testemunho de como nós, médicos de família e comunidade tratamos nossos pacientes. Agora a noite, recebi a ligação de uma prima me dizendo que um homem do Sul havia postado ofensas racistas contra mim. Meu coração chega a doer só de pensar que esse é o mundo que minha filha ou meu filho viverá. Estou em choque”, desabafou no Facebook.

Entenda o caso

Na última sexta, Júlia publicou na rede social uma resposta ao médico Guilherme Capel, que zombou da forma como os pacientes falam.

Existe peleumonia. Eu mesma já vi várias. Incrusive com febre interna que o termômetro num mostra. Disintiria, quebranto, mal olhado, impíngi, cobreiro, vento virado, ispinhela caída. Eu tô aqui pra mode atestá. Quem sabe o que tem é quem sente. E eu quero ouvir ocê desse jeitinho. Mode a gente se entendê. Por que pra mim foi dada a chance de conhecê as letra e os livro. Pra você, só deram chance de dizê. Pode dizê. Eu quero ouvir.“. Até a noite de domingo, a publicação tinha 147 mil curtidas e 67,4 mil compartilhamentos.

Entre os comentários feitos nesse post e divulgados pela médica, estão o de uma mulher que diz: “Com vergonha da cor, essa tribufu oxigena a juba para parecer menos negra. Típico de esquerdista e mal amada”. Outro homem também a ataca: “Muito top esse cabelo ecológico, deve ter até mico leão dourado”.

A publicação também é acompanhada de ataques de cunho político. “Essa ‘entidade’ da foto se apresenta ao mesmo tempo como médica especialista em medicina da família e comunidade, preceptora de residentes e cantora. Foi ela quem atacou o guri que fez a postagem sobre “PELEUMONIA” e perdeu o emprego na Santa Casa… Conheço o tipo… Esse é o tipo de gente que sai escrevendo que ‘agora é a vez da senzala’ e ‘a casa grande não admite’. Essa aberração NÃO é medica, nem preceptora, nem cantora, nem p.. nenhuma – é bandida petista!”, disse um homem.

Na manhã desta segunda-feira, a postagem que denunciava as ofensas foi removida do Facebook.

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Carolina Mansur, Estado de Minas

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Comentários

  1. Leonardo Araújo Postado em 02/Aug/2016 às 15:40

    Parece que a internet, infelizmente, criou as condições perfeitas para que essa gente de coração ruim destile seu ódio, que eu não supunha ser tão forte e arraigado. Definitivamente, usam a internet como vias de semeadura de ódio.

    • Eduardo Postado em 03/Aug/2016 às 14:26

      Exato. E os odiosos são a classe média baixa: baixa intelectualmente, baixa de estudos, baixa de patrimônio, baixa de amor. Não amam e não são amadas. O que lhes resta? Destilar o ódio. Nesse caso específico há um "recalque" muito maior. Temos uma médica: linda, negra, poeta e inteligente. Aí é demais pra eles. Coitados. Só têm ódio no coração.

  2. Roberto de Azevedo Postado em 02/Aug/2016 às 15:55

    Na internet o sujeito pode expor livremente seus pensamentos desprezíveis.

  3. José Ferreira Postado em 02/Aug/2016 às 16:06

    As ofensas de caráter racial não são justificadas, mas as críticas políticas são válidas. Esse é o problema quando uma pessoa se mete em briga dos outros. O próprio "ofendido" fez questão de receber o médico em sua casa. O avô caucasiano da moça deve estar a chorar durante o banho pelo fato de ter sido esquecido pela moça.

    • Fabio Postado em 02/Aug/2016 às 21:02

      Como vc esta se intrometendo agora em briga dos outros também? Mas isso não da o direito de ofender ninguém e ela em nenhum momento falou em partido politico ou demostrou a visão politica dela. Apenas ela como medica quis sair em defesa de sua classe e quis mostrar que não são todos os médicos que agem como esse dai. E vc como sempre misturando e invertendo o assunto. Vc tem um serio problema de interpretação, vc não entende o q os outros escrevem na net e da uma opinião totalmente errada.

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 02/Aug/2016 às 17:25

    """"Essa aberração NÃO é medica, nem preceptora, nem cantora, nem p.. nenhuma – é bandida petista!"""". Como esse mongolóide chegou a essa conclusão? Em nenhum momento a médica fala de política. Agora FAZER O CERTO e ir contra gente da elite que esculhamba o povo humilde, isso se chama "petismo"??

    • Leonardo Postado em 02/Aug/2016 às 21:05

      Não, hipocrisia se chama petismo.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 02/Aug/2016 às 23:04

        Tá mais perdido que o mongolóide, menino...sossega o facho..

      • eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 13:44

        HIPOCRISIA SE CHAMA BRASILEIRO. Vc é que só enxerga o que quer

  5. neto Postado em 02/Aug/2016 às 18:03

    esses comentarios de facebook sao o esgoto da internet

  6. Anônimo Postado em 02/Aug/2016 às 20:18

    Foi um funcionário da prefeitura de Porto Alegre, chamado de Milton Pires que deu início aos ataques.

  7. eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 10:35

    Eu, mais do que caucasóide, já sofri deboche de um médico negro que me chamou jocosamente de marajá após ter respondido eu à pergunta dele sobre minha profissão: servidora pública. Detalhe: o cara estava então em vendo pela primeira vez na vida. E minha pele é que tem preconceito?

  8. Rodrigo Postado em 03/Aug/2016 às 12:06

    vivemos um tempo em que não se respeita divergência política...Isso é fruto do nosso histórico, pois convivemos a pouco tempo com a democracia e muitos alienados políticos agora sentem-se no direito de manifestar sua opinião baseados em meios de comunicação notoriamente parciais. O povo não está acostumado a exercitar sua consciência crítica...e antes que os bitolados venha dizer não sou petista...se bem que essa ojeriza ao socialismo vem de um imperialismo americano incutido desde cedo na mente dos brasileiros.