Redação Pragmatismo
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Educação 07/Jul/2016 às 16:28
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Professora comete suicídio após perda de salário; docente deixou carta

Professora escreve carta e comete suicídio após perseguições e bloqueio de salário. Sindicato da categoria afirma que Jucélia Almeida foi vítima de um cenário infernal. Irmã da docente desabafa: "O estado assassinou a minha irmã!"

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Professora Jucélia Almeida cometeu suicídio em Sergipe após luta por salário

Uma professora de Aracaju (SE) cometeu suicídio no último sexta-feira (1) em um caso que chocou todo o estado de Sergipe.

Jucélia Almeida, 45 anos, lecionava na rede estadual e foi encontrada morta em seu apartamento no domingo (3). Antes de tirar a própria vida, ela deixou uma carta relatando os problemas que enfrentou durante um ano.

Em entrevista para a mídia local, a irmã de Jucélia afirma que ela morreu por causa do desdém e da negligência do Estado.

Após meses sem receber salário, a professora chegou a desenvolver diversos problemas de saúde.

“Desde o mês de março minha irmã estava de licença médica, com laudo da perícia; ela estava debilitada e foi cuidar da saúde. Sofria com frequência assédio moral por parte da diretora da escola em que trabalhava”, relata Gilzete, irmã de Jucélia, que classifica ainda a diretora da instituição de ensino como ‘desumana’.

“Quando a minha irmã tentou receber o salário do mês de março, o dinheiro estava bloqueado. Ela procurou ajuda em várias entidades, mas ninguém a ouviu. O Estado matou a minha irmã. Quando digo estado, falo das pessoas […] foram desumanos com ela; não cumpriram a lei e foram ilegais. A deixaram num calvário em busca do salário; ela já sofria de depressão e estava com baixa autoestima”, afirmou Gilzete.

Gilzete disse também que a irmã passou por necessidades. “Dei sustentação financeira e emocional a ela e a impedi de se suicidar outras vezes. É muito triste, ela deixou uma filha única, universitária, de 21 anos, que vai precisar de ajuda”, lamentou.

Memória

Nesta quarta-feira (6), professores e professoras fizeram um ato em solidariedade a família de Jucélia Almeida e em repúdio a política de perseguição e coerção implantadas pela Secretaria de Estado da Educação.

O calvário de Jucélia

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe (Sintese) divulgou uma carta aberta em que detalha toda a trajetória e o sofrimento de Jucélia até chegar ao ponto de tirar a vida. Leia abaixo.

A triste história da professora Jucélia tem início quando a retiram da coordenação de Escola Estadual José Rollemberg Leite. Como professora licenciada de história, Jucélia volta para a sala de aula, no Centro de Estudos Supletivos Professor Severino Uchôa, e logo de cara tem um direito negado. Mesmo estando em atividade efetiva de sala de aula, a professora Jucélia Almeida não recebe a gratificação por regência. Então sua peregrinação e calvário em busca de seus direitos começam.

Idas a Diretoria de Educação de Aracaju, e a Secretaria de Estado de Educação para tentar solucionar o problema tornaram-se rotineiras, mas nada era resolvido. O sentimento de impotência somado a queda de sua remuneração fizeram com que Jucélia Almeida desenvolvesse depressão e doenças cardiovasculares.

Com as doenças, a professora Jucélia Almeida precisava de tratamento, ia ao médico e levava o atestado para o seu local de trabalho, o Centro de Estudos Supletivos Professor Severino Uchôa. No entanto, a diretora da unidade de ensino, Jeane Carla Góes, ignorava os atestados médicos da professora e cortava seu dia de trabalho, mesmo Jucélia estando respaldada pelo atestado de um médico especialista.

A Perícia Médica do Estado se recusava a conceder licença à professora Jucélia Almeida, mesmo ela tendo laudos médicos que comprovavam o seu debilitado estado de saúde física e mental. A licença só foi conseguida após a professora Jucélia e sua irmã, Gilzete Almeida, procurarem o SINTESE para denunciar a situação. Após a intervenção do SINTESE a professora Jucélia conseguiu ficar de licença por 60 dias. E é neste momento que a parte mais absurda da história acontece.

Mesmo estando assegurada pela licença média, a professora Jucélia ficou sem receber salário durante os 60 dias que esteve afastada. Ou seja, dois meses sem que um real entrasse em sua conta. Por diversas vezes peregrinou entre a DEA e a Secretaria de Estado da Educação, mas tudo que recebeu foi o descaso e o destrato daqueles que deveriam assegurar seus direitos.

Com o fim da licença médica, em junho deste ano, a professora Jucélia retorna a sala de aula. Com o findar do mês ela esperava que seu salário fosse normalmente depositado em sua conta, mas não foi isso que ocorreu. Mas uma vez a professora não recebeu seu salário, acumulando assim três meses sem salário. Durante este período a professora foi sustentada com a ajuda da família.

Cansada e humilhada, a professora Júcélia Almeida, mais uma vez foi até a SEED e novamente escutou a mesma desculpa, de que por questões técnicas seu salário não havia saído. Três meses ouvindo a mesma ladainha. Júcelia não aguentou, gritou, esbravejou e disse em alto e bom som para que todos da SEED pudessem ouvir que ela iria se matar.

Em um ato desesperado, sem perspectivas, a professora Jucélia Almeida, cumpriu o que havia dito. Na sexta-feira, 1, ela tirou sua vida.

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Comentários

  1. Greg Rolim Postado em 07/Jul/2016 às 16:46

    Os professores em nosso país não vivem, sobrevivem. São ataques diários. Afrontas. Conflitos. Deturpam direitos. É vergonhoso o que acontece, o que os governos em todas as instâncias fazem com estes profissionais. A violência física, moral, simbólica sofrida leva a extremos. Muitos vão trabalhar pensando na hora de ir pra casa. Qual profissional trabalha sem o mínimo de condições? Mas ninguém liga. Um suicídio hoje, bombas de efeito moral e gás de pimenta amanhã. Aos poucos o massacre a classe trabalhadora mais importante se tornará insuportável, que estejam preparados para o revide.

  2. Tiago Postado em 07/Jul/2016 às 17:49

    Força a essa familia.. Essa pratica de salários atrasados não é a primeira nem a ultima vez que isso acontece.. Eu professor da secretaria da educação do estado no ano de 2009 fiquei quase 8 meses sem receber, só eu e minha família sei o que passamos até se resolver.

  3. Leandro Monteiro Postado em 07/Jul/2016 às 18:20

    Lamentável... Mas um exemplo de desumanização neste mundo líquido.

  4. celso luiz samore vieira Postado em 07/Jul/2016 às 19:20

    ISSO É O FIM. COMO PODE UM ESTADO NÃO CUMPRIR COM SUA OBRIGAÇÃO EM PAGAR OS PROVENTOS DA PROFESSORA? E A DIRETORA DA ESCOLA!!!!!!!!!!! POR QUE NÃO FICOU AO LADO DA COLEGA E TAMBÉM ARREGAÇOU AS MANGAS PARA AJUDAR QUEM TANTO NECESSITAVA? É MUITO TRISTE VER ALGO ASSIM. COMO PROFESSOR FICO REVOLTADO DIANTE DE UM DESCASO EXORBITANTE.

  5. Marilene Postado em 07/Jul/2016 às 19:42

    Meu Deus! Que ponto chegamos! Vivemos uma ditadura! Chega! Basta! Todos na luta!

  6. Anselmo Postado em 07/Jul/2016 às 19:43

    Nossa, que triste!!! O Brasil virou um antro de gente insensível e desumana!!! Que horror!!!

    • maria helena Postado em 07/Jul/2016 às 20:47

      Não, Anselmo, não virou. Sempre foi.

  7. João Paulo Postado em 07/Jul/2016 às 19:58

    Um país de muitos direitos e NENHUMA obrigação. Cada um faz o que quer com uma única certeza: impunidade. Seja o mega empresário, seja o servidor público vagabundo, seja o favelado, seja o retirante miserável e a classe mérdia bovina. Não é comunismo, socialismo, capitalismo, fascismo, liberalismo nem mesmo anarquismo. É o caos. Em tantos séculos, apenas agora vivemos o chamado Estado Social. E jamais se viu tamanho egoísmo e individualismo. É difícil opinar sem conhecer com detalhes os fatos, mas é lastimável um sindicato que deixe as coisas chegarem a esse ponto sem acionar o Judiciário. E não duvidem que essa história apenas renderá piadas de mau gosto e gargalhadas nas inúmeras e inúteis repartições públicas.

  8. Carlos Marcelo da Silva Postado em 07/Jul/2016 às 21:06

    A CADA DIA VAI FICANDO CADA VEZ MAIS CLARO QUE O BRASIL NÃO QUER EDUCAÇÃO PARA OS FILHOS DAS CLASSES BAIXAS. PROFESSORES SÃO AGENTES INCÔMODOS A UMA CLASSE POLÍTICA QUE SE SUSTENTA A CUSTA DA IGNORÂNCIA ALHEIA.

  9. JOHN J. Postado em 07/Jul/2016 às 21:19

    ENQUANTO ISSO OS BANDIDOS DO CONGRESSO ROUBAM ATÉ NOS SALÁRIOS DE APOSENTADORIAS. OS BANDIDOS GOLPISTAS CORRUPTOS NÃO PASSARÃO. Quarta-Feira, 6 de Julho de 2016 MPF-RN DÁ 48 HORAS PARA AGRIPINO MAIA DEVOLVER MAIS DE UM MILHÃO DA BOLSA-DITADURA http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2016/07/mpf-rn-da-48-horas-para-agripino-maia.html Senador do DEM tem pensão vitalícia contestada pelo Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte, que deu prazo até hoje para ex-governador devolver mais de um milhão da "Bolsa-ditadura" https://novobloglimpinhoecheiroso.files.wordpress.com/2015/08/eduardo_cunha_pmdb92_bundas.jpg https://twitter.com/jeanwyllys_real/status/751103576336797696

  10. sidney Postado em 07/Jul/2016 às 23:16

    O que penso. Não foi o Estado que a matou, mas, uns canalhas cretinos que ficam a pau mandado do governante perseguidor ou do prefeito cretino. Sinceramente se fosse minha mãe os responsáveis iriam ter o mesmo fim e as autoridades perderiam a sua paz ao sair de casa também. Seria olho por olho e dente por dente. Não haveria piedade nem acordo. Um por um acabaria como ela. Da diretora cretina aos responsáveis pela secretaria que fizeram a perseguição, secretários, governador e quem estivesse envolvidos pagariam com a mesma moeda. Olhe! para esse país só uma guerra civil mesmo e a morte desses cretinos mesmo. Não seria diferente não.

  11. Pedro Accioli Postado em 08/Jul/2016 às 07:59

    É por essas e outras que desisti de dar aulas! Está certo que também eu não gostava de dar aulas e mesmo se gostasse, não iria aguentar,pois além de viver com baixos salários, infra-estrutura precária, falta de material didático e de recursos midiáticos, talvez seria o caso da justiça liberar o direito do professor coagir fisicamente com alunos indisciplinados!

  12. José Ferreira Postado em 08/Jul/2016 às 14:25

    Tanta coisa por aí e a pessoa se mata por causa de um salário baixo. Se fosse assim, não iria sobrar mais ninguém aqui no Brasil.

    • João Paulo Postado em 08/Jul/2016 às 15:41

      Não leu a matéria (ou não entendeu) e ainda faz descaso de uma pessoa que se suicidou por depressão. É, amigão, pegou pesado agora na sua estupidez, insensibilidade e sociopatia. Se você tem desprezo pela vida humana, abstenha-se de comentário, porque algum familiar da professora pode ler e isso machuca.

    • Marcos Vinicius Postado em 11/Jul/2016 às 14:55

      Cagou pelos dedos!

  13. SILVIO MIGUEL GOMES Postado em 15/Jul/2016 às 08:09

    Enquanto isso canalhascomo Agripino Maia recebem duas vezes mais que o teto salarial. E o canalha do Alexandre Garcia em vídeo tenta menosprezar o Professor dizendo que existe diferença entre Pedagogo, Educador e Professor e que ser Professor é sacerdócio: grande canalha.