Redação Pragmatismo
Compartilhar
Mulheres violadas 29/Jul/2016 às 12:22
30
Comentários

Irmã defende militar que agrediu esposa: "região do nariz é frágil"

Irmã de sargento do Exército que espancou a esposa o defende: ‘Nariz é sensível, por isso sangrou’. Os próprios filhos denunciaram as agressões do pai contra a mãe nas redes sociais e divulgaram imagens da covardia

mulher agredida esposa militar irmã
Cansados com as repetidas agressões do pai, filhos divulgaram post de desabafo no facebook com imagens da mãe machucada (Reprodução/Facebook)

Dois dias antes do sargento do Exército Joel Jorge Cardoso Ribeiro, de 43 anos, ser preso por policiais da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Nova Iguaçu, acusado de agredir a própria esposa, Fabiane Boldrini, de 34 anos, sua irmã, Katia Ribeiro, entrou em sua defesa nas redes sociais.

Katia publicou um texto em seu perfil no Facebook em que justifica o ocorrido entre o irmão e a cunhada: “Tudo isso aconteceu por revolta de mulher insegura”, afirma.

Procurando uma maneira e justificar a agressão, Katia diz que há cerca de um mês a cunhada trancou a casa e não deixou Joel entrar, por este motivo ele teria pulado o muro. Katia conta que eles brigaram e, por ser homem e ter mais força, o nariz de Fabiane sangrou com um golpe. “Como o nariz é sensível, acabou que sangrou e ela diz estar quebrado”, diz.

Entenda o caso

O caso teve repercussão após os filhos do casal denunciarem a violência do pai contra a mãe nas redes sociais. O menino de 11 anos usou a página na internet para expor a covardia. Em uma publicação, que teve mais de 30 mil compartilhamentos, ele postou fotos da mãe depois de ser agredida.

“Estou fazendo aqui um protesto contra meu pai Joel Jorge”, disse X. “Por mais que ele tente se explicar, isso não tem justificativa, ela é vítima dele por muitos anos. Ele fraturou o nariz dela com um soco porque ela disse que não queria mais viver com ele, aguentando tudo. E antes que pensem que ela fez alguma coisa de errado, ela não fez nada para merecer isso. Eu sou testemunha”, disse o garoto.

Joel utilizou as redes para se justificar e confessa a agressão: “Peço desculpas à Fabiane Boldrini. Realmente o fato que aconteceu só me faz lembrar o quanto me dediquei a minha família. Errei quando bati”, disse. Entretanto, o sargento dá um recado: “ Sempre serei um pai, não adianta querer me fazer parecer esse monstro. (…)”

joel jorge cardoso
(Imagem: Joel Jorge)

Antes de ser preso, o sargento recebeu o apoio de amigos e familiares em suas redes: “Só vocês sabem o que aconteceu”, “Deus está contigo, irmão”, diziam os comentários. Joel Jorge foi preso no início do mês de julho.

De acordo com a Polícia Civil, Fabiane Boldrini registrou a violência no dia 29 de maio na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). Exame de corpo de delito e medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha foram solicitados. O inquérito policial foi concluído em menos de um mês.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook

Recomendados para você

Comentários

  1. Romeo Postado em 29/Jul/2016 às 13:44

    "O machismo é uma invenção das Feministas" diriam as coxinhas recheadas de M*rda pura...

  2. Salomon Postado em 29/Jul/2016 às 14:05

    Consta, no texto, que a mulher vinha sofrendo espancamentos sucessivos. É isso que não entendo. O país é livre, e cada um pode rumar sua vida do modo que melhor entenda. Ela vai perdoar mais uma vez o marido? É esse o perdão do qual cristo falava? Ela dará a outra face ao agressor? Se a conduta do homem é criminosa, como explicar a conduta da mulher em querer continuar casada e apanhando? Seria essa uma relação entre um sádico e uma masoquista? Está escrito no texto: "(...)ela é vítima dele por muitos anos". Vai entender...

    • Lisa Siqueira Postado em 29/Jul/2016 às 15:19

      Tenho certeza absoluta que ela não queria viver desse jeito. Geralmente, mulheres que vivem sob ameaças e agressões constantes, levam anos para denunciar e se livrar do agressor. Há muitas coisas envolvidas, como: dependência financeira e psicológica; medo de não conseguir atender os filhos sozinha; falta de apoio de familiares; medo de uma violência maior por parte do agressor; descaso da polícia e da justiça, enfim, vários fatores. Infelizmente, comentários como o teu também ajudam a amedrontar as vítimas. Além do sofrimento diário, dentro da própria casa, essas mulheres têm que conviver com o julgamento e a condenação da sociedade, pois, por mais vítimas que elas sejam, muitos as transformam em vilãs, mesmo não querendo fazê-lo. O mundo não é tão cor de rosa assim, amigo e o fato de existir um direito de rumar na vida, não quer dizer que ele possa ser efetivado com tanta facilidade. Simplificar as circunstâncias não ajuda em nada, pelo contrário, só piora a situação.

      • Salomon Postado em 29/Jul/2016 às 17:55

        Lisa, que Deus perdoe a minha rematada ignorância. Quer dizer que "a dependência financeira e psicológica, o medo de não atender os filhos sozinha, a falta de apoio dos familiares..." são motivos bastantes para que a vítima continue apanhando? Em quê o meu comentário só piora as coisas? Ora, racionalmente, só há duas possibilidades: ou a vítima continua convivendo com o agressor e continua apanhando, ou se separa do agressor e deixa de apanhar. Você proporia o meio termo a essa mulher? Como? Desculpa, não entendi. Ah, estamos no século XXI, e existem mulheres com "dependência psicológica" do seu agressor, que a humilha, a espanca, quebra o seu nariz...? Certas mulheres deveriam se dar ao respeito, ter mais dignidade, e não se esconder por trás de desculpas esfarrapadas para continuar apanhando. Desculpas do tipo: "falta de apoio dos familiares, julgamento e condenação da sociedade". Ora, se uma mulher se submete a continuar vivendo com seu agressor por causa desses motivos, então o crime compensa. Tem-se que fazer como Hamlet: to be or not to be, that's a point.

      • Sandra Amaral Postado em 29/Jul/2016 às 20:39

        Perfeito, Lisa. Ppucos reconhecem todos esses pontos.

      • Breno Postado em 30/Jul/2016 às 07:36

        "Ora, racionalmente, só há duas possibilidades: ou a vítima continua convivendo com o agressor e continua apanhando, ou se separa do agressor e deixa de apanhar" - Salomon, racionalmente, há uma alternativa que você não mencionou, que é justamente o que aconteceu: o agressor vai para a cadeia. Eu entendo seu raciocínio e, pessoalmente, também considero absurdo que uma pessoa não se afaste imediatamente de alguiém que tenha um padrão estabelecido de comportamento violento ou abusivo. Afinal, o instinto de sobrevivência é natural em qualquer animal. No entanto, acho que você não atentou para alguns pontos fundamentais da brilhante resposta da Lisa ao seu comentário: o medo de uma violência maior por parte do agressor, e o descaso da polícia e da justiça. Acredito que você não deva ter vivido na pele uma situação semelhante a essa, pois se tivesse, acho improvável que você usaria as palavras que usou ("desculpas esfarrapadas") para classificar a dependência psicológica, o julgamento e a condenação pela sociedade. Eu passei por situação semelhante há quase 23 anos, embora no meu caso minha mãe não tenha chegado a apanhar do meu pai. Eu tinha 10 anos, mas ainda lembro bem a noite em que fugi, junto com minha mãe e meus irmãos, da casa que considerávamos nossa, e corremos na madrugada até a delegacia. Na época não havia Lei Maria da Penha, então a única coisa que minha mãe pôde fazer foi registrar um BO relatando as ameaças que meu pai havia fazendo quase todos os dias, por cerca de um ano antes disso, de que se minha mãe se separasse dele, "ele iria cometer uma loucura" - às vezes contra ela, às vezes contra seus próprios filhos, e muitas vezes contra si mesmo. Lembro muito bem que o ano em que isso aconteceu (1992) foi para mim um inferno emocional, e acho que você entende que, para um menino de 10 anos, o medo de ser morto, ou perder um pai ou uma mãe, não é uma desculpa esfarrapada. Meu pai morreu há quase um ano, e ele não era um monstro, mas naquele ano ele acabou agindo como um, por diversas razões - entre elas, alcoolismo crônico, depressão, e o fato que ele, apesar de ter vindo de uma família considerada "boa", como todas as pessoas de sua geração, foi educado numa sociedade muito mais injusta, patriarcal, machista, racista e desigual do que a que eu fui criado, ou a que temos hoje. Minha mãe tinha 22 anos quando se casou, e meu pai, 26. Eu hoje tenho 33 anos de idade, mas ainda não me considero maduro o suficiente para constituir uma família saudável. O mundo realmente mudou bastante, mas o casamento continua, por defiinição, a implicar inevitavelmente em um certo nível de dependência psicológica, tanto no marido quanto na esposa, ainda mais se ambos saíram diretamente da casa dos pais para constituir suas próprias famílias. Logo, dizer que isso é uma "desculpa esfarrapada" é sim, como disse a Lisa, simplificar uma situação que não tem nada de simples. Lembro também que, quando minha mãe finalmente conseguiu juntar a coragem e se preparar para se separar, e alguns meses depois divorciar, as únicas pessoas que estavam do lado dela eram seus filhos pequenos..A família do meu pai achava que ela estava mentindo ou exagerando a gravidade das atitudes dele - os únicos que sabiam que era tudo verdade éramos eu e meus irmãos, mas isso não valia grande coisa nem para a famílai do meu pai, nem para a família da minha mãe, e muito menos para a polícia, já que todos acreditavam na explicação do meu pai, que dizia que minha mãe estava nos manipulando, e que o verdadeiro motivo de ela querer se separar é porque ela estava tendo um caso extra-conjugal (ironicamente, quem realmente cometeu adultério uma vez ou outra foi ele, mas ele só admitiu muitos anos depois). A família da minha mãe, por sua vez, ainda considerava o divórcio um fracasso pessoal dela, não uma saída lógica e racional para uma situação insustentável. A mãe de minha mãe teve 11 filhos, apesar do fato que ela passou a odiar meu avô (com bons motivos ou não) logo depois do nascimento do primeiro filho.O senso comum da época ainda era que a mulher tinha obrigação de aguentar o que quer que fosse para "salvar" o casamento e, sinceramente, não acho que essa noção absurda tenha desaparecido totalmente de nossa sociedade. Minimizar o impacto negativo dessa mentallidade medieval católico-ibérica na formação do nosso país é ignorar a evidência histórica. Logo, falta de apoio familiar, e julgamento e condenação pela sociedade, também não são desculpas esfarrapadas. Mais um detalhe: lembro muito bem que, logo após registrarem o BO, os policiais que nos atenderam fizeram piadas, dizendo que se minha mãe tivesse levado uns tapas ela provavelmete não teria causado todo esse alvoroço. Ao mesmo tempo, foram extremamente cordiais com meu pai quando ele chegou à delegacia para tentar recuperar seus filhos, apesar de ele estar fedendo a álcool. Eles claramente achavam que eu e meus irmãos deveríamos voltar pra casa com ele e deixar minha mãe se lascar sozinha, mas eles só mandaram meu pai voltar para casa porque, quando eles nos perguntaram com quem queríamos ficar, todos nós obviamente dissemos que queríamos ficar com minha mãe. Logo, descaso da polícia e da justiça também não é desculpa, e isso também não mudou muito - vale lembrar que o tal do Joel Jorge é oficial do exército. Sei que minha mãe também errou - eu, por exemplo, jamais teria casado com a idade que ela casou, e jamais teria tido três filhos. É muito fácil eu falar agora que, se eu estivesse no lugar dela, eu também teria me separado muito antes, evitando assim todo o desgaste psicológico, que poderia ter sido muito mais prejudicial ao desenvolvimento de crianças tão pequenas. Mas desde aquele dia, essa mulher, que você talvez diria "não se deu o respeito", ou "não teve dignidade o suficiente", criou três filhos um tanto quanto saudáveis e felizes, sem nunca ter morado sozinha antes, e sem um único pagamento de pensão alimentícia do vindo do meu pai (já que a lei que diz que quem não paga pensão vai preso também é recente). Não só isso, mas a casa onde morávamos, que estava no nome dos filhos, e que minha mãe, uma mulher que sempre foi baixinha e magrinha, ajudou a construir inclusive carregando sacos de cimento e tijolos (já que meu pai não podia fazer esse esforço, pois ele tinha uma prótese der acrílico no lugar do fêmur, o resultado de uma osteoporose causada por consumo excessivo de cortisona, que ele precisava para aguentar a dor da gota, que por sua vez foi causada pelo consumo excessivo de álcool) - pois bem, logo depois da separação, meu pai, com a ajuda da irmã dele, minha tia que também era advogada dele, transferiu para o nome dessa mesma tia. Tem mais! Um pouco depois, ele se aposentou por invalidez, com 41 anos de idade, de seu trabalho como professor universitário, para assim se livrar para sempre da obrigação de pagar a pensão, apesar dele ter continuado a trabalhar como professor até o dia em que morreu. Ele fez essas coisas absurdas para tentar punir (e de certo modo conseguiu seu objetivo) não só minha mãe, como os próprios filhos, pelo que ele considerava uma traição do amor que ele verdadeiramente sempre sentiu pela gente. Anos depois, quando ele finalmente conseguiu parar de beber, ele percebeu que havia agido de maneira injusta, mas infelizmente quando isso aconteceu a saúde dele já havia piorado bastante, e por mais que ele quisesse, ele simplesmente não conseguiu consertar o que fez. Você pode pensar que eu, meus irmãos e minha mãe ainda guardamos ressentimento por tudo que meu pai fez, e o apoio que a família dele deu por muito tempo para que ele agisse dessa maneira tão injusta, nas nós nunca deixamos de amá-lo e, com o tempo, fomos capazes de entender que o que aconteceu conosco foi meramente um reflexo dos tempos e da mentalidade de um país doente, de uma sociedade que sempre tende a simplificar tudo e ignorar as graves falhas que ainda carregamos coletivamente. Bem disse o Eduardo Ribeiro aqui embaixo - só uma sociedade extremamente defeituosa pode se dar o direito de dizer que cotas raciais são injustas, de ter gays pró-Bolsonaro, ou ainda onde uma maioria das pessoas consideram que parte da culpa de um estupro está nas roupas que a estuprada usa, ou porque ela deu mole por andar numa rua escura depois de um determinado horário - não no estuprador, que só acabou cedendo ao seu instinto natural de macho de dominar tudo que há sobre esse planeta. Não é exatamente a mesma coisa, mas quando você sugere que as mulheres que apanham são parte do problema, você inevitavelmente, mas talvez não de propósito, acaba aliviando a culpa do principal causador do problema, assim como a irmã do Joel quis explicar a cara ensanguentada da cunhada mencionando a fragilidade do nariz. Tenho a impressão que você é um cara bem inteligente, então tenho certeza que você considera essa explicação do nariz totalmente absurda. Eu com certeza não precisava te contar a história da minha vida, mas acho que grande parte dos problemas que temos hoje vêm dessa mania que nós temos de dar opinião sobre tudo, não interessa o quanto saibamos ou não saibamos sobre o assunto me questão. Você terminou seu post original dizendo: "Vai entender...". Espero que a história que contei aqui, que é real e que é a história que eu vivi, te ajude a entender um pouco mais sobre o porquê de existirem ainda tantas "mulheres de Paraíba" em pleno século 21. Você não é a primeira nem a única pessoa a expressar uma opinião publicamente sem ter muito conhecimento de causa. Todos nós fazemos isso, e eu sei que eu devo fazer isso pelo menos umas três vezes todos os dias. Mas acho que você concorda comigo que, quando nos é apresentada uma situação como essa, onde eu tenho conhecimento de causa para evitar a propagação ou manutenção de uma opinião um pouco mal-informada, e eu posso e tenho tempo para compartilhar algo importante, nesses tempos sombrios que estamos vivendo é meio que nossa obrigação pelo menos tentar ajudar. Pode parecer exagero escrever isso tudo para estranhos na internet, mas como eu concordo plenamente com o Eduardo que disse que "vivemos tempos em que a falta de consciência de classe está atingindo níveis estratosféricos", eu considero minha obrigação dedicar esse tempo para compartilhar algo que eu vivi. Como eu disse no começo, instintivamente eu concordo 100% com seu raciocínio. O único motivo que me faz pensar diferente, vendo com mais nuance uma situação que à primeira vista parece tão simples, é porque cada detalhe da explicação da Lisa realmente aconteceu exatamente como ela explicou ao longo de toda a minha vida. Espero que, assim como meu pai conseguiu se redimir, e os efeitos do que ele fez não foram tão graves assim (eu sou pobre e nunca vou me casar), o Joel também seja capaz de usar o tempo dele na cadeia para fazer uma bela auto-crítica, ao invés de ficar planejando vingança. Se ele fizer isso, eu sei que essa história ainda pode ter um final feliz: ele vai deixar de ser um monstro pros filhos dele, vai porar de resolver as coisas na porrada, e provavelmente um dia até conseguirá ser perdoado e respeitado pela mulher que ele tratou como se fosse lixo. Quem dera eu tivesse todo esse conhecimento de causa sobre mais assuntos, porque com certeza nosso maior problema hoje é o excesso de informação incompleta, e o pouco tempo para criticar de maneira responsável essas informações que não paramos de receber nem por um segundo.

      • Ninica Postado em 30/Jul/2016 às 10:52

        Lisa, não adianta explicar pra "homi" realidade que eles nunca viveram. Pra eles é sempre a visão simplista da coisa, já que por exemplo, eles nunca saberão o que é viver a vida toda com medo por conta de ameaças a vc, aos filhos, aos próximos , caso deixe o "homi" , pela separação ou o denuncie. Mas o bom do seu comentário e2 que pelo menos anula o tom intimidador dos comentarios do sr. salomon

      • eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 13:50

        O problema é que muitas vezes a mulher quando deixa o agressor é simplesmente assassinada em retaliação.

    • Katia Postado em 29/Jul/2016 às 16:06

      Ela é uma pessoa que precisa de ajuda para sair do Ciclo de Violência, e le precisa de ajuda da justiça para entender limites. Discussões no realcionamneto sempre existirão. mas de que forma colocar seu ponto de vista é que vai fazer a diferença. A profissão do cara ensina a usar a força. Pode ter sido corrompido. não sei. Deixe o julgamento para o judiciário.

      • Tunico Postado em 30/Jul/2016 às 17:38

        Emocionante Breno, sua estória , na verdade as coisas não são tão pretono branco. A realidade é cinza so quem vive sabe q nem sempre é tão simples, já tive relacionamento neurótico , é no primeiro sinal de perda do respeito os dois tem q conversar e analisar onde esta o erro. Mas será q todo mundo tem tal discernimento? A sociedade é violenta homens e mulheres são frutos dessa sociedade, é um grande exercício não deixar o Mr Hyde vir a tona pois no final todo mundo perde, homem , mulher, filhos , amigos, família e uma guerra sem vencedores... fui

    • Ana L Postado em 29/Jul/2016 às 19:53

      "só há duas possibilidades: ou a vítima continua convivendo com o agressor e continua apanhando, ou se separa do agressor e deixa de apanhar" francamente, essa sua linha de raciocínio é desprezível, além de dar a entender que as mulheres que passam por isso são as culpadas por "aceitarem" tais condições, você simplifica, como se fosse algo tão fácil assim. Eu sofria violência doméstica, e quando quis por fim com tudo quase levei um tiro, felizmente tive sorte, e não fui assassinada como outras mulheres que tentaram fazer o mesmo, já que a solução é apenas se separar do agressor e deixar de apanhar, não é mesmo?

      • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 15:04

        É, você teve sorte, Ana L.

    • Li Parolini Postado em 29/Jul/2016 às 19:54

      Salomon, releia o texto. O motivo da agressão foi exatamente pq ela queria deixa lo: "Ele fraturou o nariz dela com um soco porque ela disse que não queria mais viver com ele, aguentando tudo. E antes que pensem que ela fez alguma coisa de errado, ela não fez nada para merecer isso. Eu sou testemunha”, disse o garoto". Ou seja, nao existe mulher que gosta de apanhar. O que existe é uma mulher por vezes tão oprimida e sozinha que não possui forças para reagir. Consegue entender agora?!

      • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 15:02

        Não disse que ela gosta de apanhar. Mas, entendi, obrigado.

      • eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 13:51

        O problema aqui é que o salomon é que deve gostar de apanhar: efeito sombra é muito comum aqui no pp............

    • Fania Postado em 30/Jul/2016 às 02:59

      Quem sabe algum dia se você for vítima de violência doméstica, você entenderá por que estas mulheres levam tempo para romper estas relações. Nada como se colocar no lugar do outro para entender a sua dor. Mas de antemão lhe digo, não é uma relação sado-masoquista não, por que estes são jogos sexuais onde há o consentimento de ambas as partes. A violência doméstica é definida como uma relação de poder e controle. Onde uma das partes têm o controle sobre a outra. Os agressores são inteligentes e estrategistas. E a princípio são sedutores, amáveis e sociáveis, e é por estes homens q elas se apaixonam. Depois começam um jogo psicológico terrível com a vítima. Então começa com o que chamamos de ciclo da violência doméstica. Que é dividido em três fases: normalidade; explosão; lua de mel. Na normalidade aparentemente tudo está tranquilo sem maiores problemas, começam algumas discussões, normalmente por motivos banais, dai vem a explosão onde há agressões maiores até chegando a agressão física, é quando a mulher pensa em buscar ajuda, romper com aquilo, aí vem o jogo do agressor para não perder a vítima já que é uma relação de poder e controle, ele se ajoelha, pede perdão, chora, diz que está arrependido e q isto nunca mais vai acontecer, traz flores... Bla bla bla. A mulher acredita na mudança da uma chance, afinal de contas ela se apaixonou por aquele príncipe q ela conheceu, acha q é um caso isolado. É este ciclo vai se repetindo até q ela se dá conta de que nada vai mudar. Mas, associado a tudo isso existe On my way! Chamamos de roda do poder e controle. Ali estão todas as estratégias q eles usam para manter a vítima junto a eles. Q são isolamento da vítima, sutilmente ele começa tirar a vítima do ciclo de amizades e até familiar q ela tinha, ele inventa outros programas, se nega a ir a encontros familiares pq está cansado, etc. quando ela percebe ela já está sozinha e só vai onde ele está. Psicológico, passa a achar defeitos na vítima, fazendo ela se sentir inferior. Financeiro, muitas vezes tira a mulher do trabalho, convencendo a de que ele é o provedor e não vai lhe faltar nada. O q não acontece, e por ai vai. Ou seja quando a vítima se dá conta ela está completamente à mercê deste agressor. E romper com tudo isso será uma tarefa árdua e q precisará de muito apoio tanto familiar ( que às vezes ela não tem) e profissional.

      • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:59

        Obrigado, Fania.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 29/Jul/2016 às 14:54

    Essa conversa de "nariz é frágil" é a justificativa bisonha típica que um homem agressor daria, e já seria ridícula vindo de um homem. Inacreditavelmente veio de uma mulher. Quando a falta de consciência de classe atinge os níveis estratosféricos que atingiu no Brasil, o oprimido normaliza a sua condição e acaba "tratando como foi tratado". Mulher levando uns tapas é tudo "normal e natural" pra essa irmã aí. Bem...num país em que temos negros racistas, num país em que existem homossexuais apoiando Bolsonaro e rechaçando Jean Willys, num país em que temos pobres elitistas e de direita, não é de se estranhar termos mulheres reproduzindo aberta e orgulhosamente discurso machista. """"Quando a educação não é libertadora......."""".

  4. Mateus Bottaro de Souza Postado em 29/Jul/2016 às 17:20

    Vai ler um pouco sobre violência doméstica que você vai entender sim. Ou tu não percebe que a violência física é apenas parte do problema pois a violência psicológica é que torna a vítima cativa da situação, que a deixa sem forças para fugir, tornando-a refém, temendo as consequências de um ato de rebeldia contra o agressor ou até crendo que ela é a culpada das agressões. São casos complexos e dizer que a pessoa está lá porquê quer é simplista e CULPABILIZAÇÃO DA VÍTIMA.

  5. Camila Postado em 29/Jul/2016 às 22:31

    Pera aí? O rapaz aí, Salomom, tá tentando dividir a responsabilidade de agressão do agressor com a vítima? Para! Ele a egrediu e por várias vezes, foca tuas críticas a quem agride. Engraçado que nos casos de traição quem vem a público ninguém pergunta o que o homem fez para merecer ser traído e chuvas de críticas contra a mulher. Pensa um pouco mais antes de fazer esses comentários publicamente.

    • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:46

      "o que o homem fez para merecer ser traído?". A traição é vingança? É a meritocracia?.

  6. Wendy Postado em 29/Jul/2016 às 23:00

    Que Deus perdoe a sua rematada ignorância.

    • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:47

      É, mas a carapuça lhe serviu.

  7. Wendy Postado em 29/Jul/2016 às 23:22

    Lisa, parabéns pela sua coerência, só não entendo por que é tão difícil para algumas pessoas entenderem que não é uma situação simples e sim complexa e só a vítima pode conhecer os inúmeros fatores que a fazem continuar com seu agressor.

    • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:55

      Wendy, entender é difícil porque homens não se casam para serem dependentes financeiramente de mulheres.

  8. Quesia Postado em 30/Jul/2016 às 01:08

    Realmente "Salomon" que Deus perdoe a sua ignorância.

    • Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:52

      Quesia, só mulheres dependentes do criminoso, como você, podem entender o que se passa. Confesso minha ignorância, no sentido de ignorar.

      • eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 13:53

        E só criminosos podem entender a vítima como culpada.

  9. Salomon Postado em 30/Jul/2016 às 14:32

    Percebe-se, pelos comentários, que existem, ainda, inúmeras mulheres que se "identificam" com a mulher agredida e que perdoam o agressor, em nome de sabe-se deus o quê, e assim continuam a conviver e a coabitar, até que a morte os separe. Se vocês, mulheres, encontram alguma justificativa (qualquer que seja) para suportar agressões...paciência. Certamente os seus fins justificam os seus meios. E nesse ponto, paro por aqui, porque o problema toca ao individuo de modo bem particular. Mas, avançando, agressores criminosos sempre existirão enquanto suas vítimas continuarem passivas, dependentes, ou não reagirem, deixando para denunciar da próxima vez. Na próxima vez pode ser tarde. Denuncie na primeira vez. Ora, no ano de 2016 da era cristã, emancipação feminina é só um prego na parede! As mulheres brasileiras continuam machistas, esta é a verdade nua e crua. Provo: veja-se que o machista Bolsonaro tem ampla maioria entre o eleitorado feminino, apesar do "não te estupro porque é feia". O machista Aécio quase foi eleito, mesmo sendo um notório espancador de mulheres. O ancião Temer não tem uma só mulher em seu ministério e ainda faz uso e abuso de uma mulher 'recatada e do lar', coitada (coitada vem de coito). Dilma, ao reverso, é execrada pelo público feminino. Então é assim: pode bater, pode estuprar, pode descer a porrada, desde que dê casa, comida e roupa lavada. O medievalismo ainda persiste na sociedade brasileira. A submissão está entranhada na psiquê de certas mulheres...dependentes, todas. Tanto isso é verdade que uma mulher, no texto, defendeu o agressor! E as comentaristas desse blog ainda defendem o criminoso, por meios dévios, sem sequer saberem disso. Portanto, as críticas não me surpreendem. Diante disso, a minha tese é a seguinte: se um canalha covarde quebra o nariz de uma mulher, e essa mulher continua a conviver com esse criminoso, "seja por que motivos forem", não merece a solidariedade, mas o desprezo, ou um tratamento psiquiátrico. Muitas mulheres ainda hoje se casam para terem quem as sustente, não é mesmo? Deixam a dependência do pai e caem na dependência do marido, que as torna propriedade sua. São as dependentes. A surra vem no Kit, certo?. Ora, o agressor vai curtir um processo penal e o rótulo de criminoso, talvez uma jaula, o que é bem feito. Mas, vocês, mulheres, deem-se ao respeito!

    • eu daqui Postado em 03/Aug/2016 às 13:53

      E pode-se perceber pelos comentários que vc se identifica com o criminoso.