Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 08/Jul/2016 às 12:05
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Em Londres, dono da Folha ouve verdades inconvenientes de jornalista britânica

Durante seminário em Londres, dono da Folha de S.Paulo foi confrontado por uma jornalista britânica especializada em América Latina. Ouviu verdades doídas sobre a parcialidade e a miserabilidade da grande mídia brasileira e respondeu com falácias inconvincentes

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(Imagem: O bilionário Otavinho Frias, dono da Folha de S.Paulo e do UOL)

Representando o jornal “Folha de S.Paulo”, Otávio Frias Filho esteve em Londres para participar do debate “Mídia, Percepção e a Consolidação da Democracia Brasileira“, ao lado da chefe da “BBC Brasil”, Silvia Salek, e de Sue Brandford, jornalista britânica especializada em América Latina.

O que ele não esperava era ter sido confrontado sobre a postura da imprensa tradicional diante do processo que levou ao afastamento da presidenta eleita Dilma Rousseff.

“Para mim, parece que a imprensa brasileira sofre de uma fragilidade estrutural que realmente está dificultando a consolidação da democracia no Brasil”, disse Sue.

O dono da Folha reagiu com irritação. Frias afirmou que Brandford e ele não deveriam estar no mesmo debate: enquanto ele e Silvia Salek seriam jornalistas, a britânica seria, nas palavras do brasileiro, “militante do PT”.

A jornalista britânica explicou que não faz referência a jornalistas individualmente, mas ao setor midiático. “Talvez seja um pouco de truísmo dizer que, no Brasil, a grande imprensa – os grandes veículos de comunicação – é dominada por poucas famílias, todas elas muito conservadoras”, argumentou. Frias contestou, alegando que discutir a propriedade dos meios de comunicação significa “fetichizar” esta questão.

Brandford comentou a atuação da imprensa internacional diante do golpe, ressaltando a cobertura do “New York Times“, da “Al Jazeera“, “Wall Street Journal” e do “Washington Post”. Ao final, mostrou-se surpresa diante da tentativa do diretor de redação de desqualificá-la.

A jornalista escreveu um texto comentando o assunto no site “Latin America Bureau” e sintetizou: “minha fala realmente irritou Frias”.

VÍDEO:

O jornalista Paulo Nogueira, editor do DCM, comentou o episódio. Confira trechos:

Não houve surpresa no que a jornalista britânica disse. A novidade foi ver Frias ouvir tudo aquilo sem filtros.

Sue Brandford disse o básico: que a concentração da propriedade da mídia em três ou quatro famílias no Brasil é uma desgraça para a democracia. Que os donos das empresas jornalísticas, “altamente conservadores”, manipulam seus leitores, ouvintes e espectadores.

Frias aguentou estoicamente a pancadaria. Aparentemente. Porque, assim que lhe foi dada a palavra, mostrou raiva e um certo vitimismo.

Acusou os organizadores de não terem montado uma mesa plural. Queria alguém que representasse o PSDB na mesa. Porque Sue soava como alguém da “militância petista”.

É um reducionismo patético que faz parte da defesa automática dos proprietários da imprensa. Todas as críticas que os progressistas façam à mídia são imediatamente catalogadas como de origem petista.

Os Marinhos e seus fâmulos colunistas fazem sempre isso. É uma forma canhestra, e nada convincente, de se defenderem. Frias fez, em Londres, exatamente o mesmo.

Frias alegou o “pluralismo” da Folha. Citou alguns colunistas de esquerda, como se isso provasse alguma coisa.

Não prova. Não apenas porque os colunistas de direita da Folha são em número muito maior mas sobretudo porque a tendenciosidade de um jornal não se mede nos colunistas e sim nas manchetes, nas reportagens, no espaço que você dá a um assunto ou outro.

A rigor, os colunistas progressistas da Folha servem simplesmente para o jornal alimentar a propaganda antiga de pluralismo, de não ter o “rabo preso com ninguém”.

Frias defendeu também as famílias da mídia. Fez o elogio, na verdade o autoelogio, das empresas familiares. Elas são mais comprometidas com certos valores que as demais empresas, afirmou. E citou o New York Times, um jornal de propriedade familiar.

É o chamado sofisma. Primeiro, quais são os valores defendidos pelos Marinhos, ou Frias, ou Civitas? O que existe de edificante no que eles pregam e publicam? Basta ver a monumental desigualdade social brasileira para ver que eles defendem principalmente os seus próprios interesses. Não à toa, num país miserável, os donos da mídia são bilionários.

Mas existe ainda um ponto vital nisso. Quais as barreiras que as famílias da imprensa enfrentam no Brasil para impor sua agenda?

Não existem. Na Inglaterra de Murdoch ou nos Estados Unidos do NY Times, publicação nenhuma pode fazer impunemente o que os jornais e revistas fazem no Brasil.

A Justiça fiscaliza, por exemplo. A Rolling Stone enfrenta a perspectiva de uma indenização de cerca de 100 milhões reais por haver publicado uma reportagem cheia de erros sobre um estupro numa universidade americana.

No Brasil, a Veja deu às vésperas das eleições de 2014 uma capa que afirmava que Lula e Dilma sabiam de tudo sobre o petrolão, com base numa alegada delação de Youssef.

Vieram depois os termos exatos da delação. Youssef simplesmente jamais disse o que a Veja disse que ele disse. Algum delegado da PF vazou uma mentira conveniente à Veja.

O que aconteceu com a Veja? Nada. Continuou a fazer, impunemente, o que mais faz: publicar mentiras.

Em vez de fiscalizar a mídia, a Justiça brasileira confraterniza com ela. São chocantes, para quem conhece sociedades avançadas, as fotos de donos de jornais e revistas abraçados a magistrados da Suprema Corte.

Em suma: invocar o NY Times para legitimar a concentração da mídia no Brasil em três ou quatro famílias é uma falácia.

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Comentários

  1. Leonardo Araújo Postado em 08/Jul/2016 às 12:58

    Os coxinhas já confirmaram: NYT, Financial Times, Al Jazeera, Wall Street Journal, The Washington Post, BBC, El Pais, Le Monde, Corriere dela Sera, Le Observateur, etc. fazem parte do esquema desses malditos petralhas.

    • Pedro Accioli Postado em 08/Jul/2016 às 15:10

      Aahahhaahahahahahh! Por isso que os donos da mídia pagam mico mundial!

  2. Orlando Rocha Postado em 08/Jul/2016 às 13:42

    Isso prova o que todos nós dizemos constantemente. A burguesia não tem tônus intelectual para manter qualquer tipo de argumentação política.

  3. Eduardo Ribeiro Postado em 08/Jul/2016 às 15:08

    Mais um que perdeu as pregas pra um jornalista internacional? O placar é: "Imprensa Internacional 3 x 0 Golpistas Vagabundos". Bacana é a argumentação dele, super consistente e elaborada (a exemplo dos também humilhados FHC e diretor da FIESP): "sua petralhaaaa!!", pra uma jornalista britânica. Em suma: mais um mimado que não gosta de lidar com o contraditório. Todos mal acostumados com o "eu levanto e você corta" do Brasil. Pois que saiam mais, conversem com mais jornalistas DE VERDADE e sem rabo preso, e passem mais vexame que tá pouco ainda. E levem o Serra na próxima por favor.

  4. João Paulo Postado em 08/Jul/2016 às 15:33

    A frase da moda é essa "militante petista". Não há articulação, inteligência, nem fundamentos para defender o golpe e roubos à nação perpetrados pela mídia. Entretanto, utilizem pelo menos retórica e deturpem a realidade de forma palatável para que não passem tamanha vergonha. Depois, essa raça vagabunda e cretina reclama da qualidade da mão-de-obra (assunto reiterado na BoboNews)

  5. Gustavo Postado em 08/Jul/2016 às 16:12

    como se a mídia norte americana e européia fosse diferente da nossa... totalmente neutras e isentas de interesses...

    • Yra doce Postado em 11/Jul/2016 às 01:22

      A diferença onde citou é grande....a imprensa tem lado e apoia...ai invés de caluniar de forma a detonar pessoas e partidos.

    • Tulio Postado em 11/Jul/2016 às 15:11

      E de fato não são. Mas há regulamentos lá fora. Onde a mídia não pode cometer os abusos que a mídia comete aqui...

    • Pedro Postado em 21/Jul/2016 às 15:08

      Exato: a imprensa do mundo desenvolvido é absolutamente cúmplice das elites delas. O jornalismo norte-americano, consumido pela massa, conseguiu ser pior que nosso JN: tornaram-se os tambores de guerra, é escandaloso. A imprensa européia é mais plural, mas absolutamente ligada a interesses dos grupos que nelas anunciam, através dos vieses enumerado em "Manufacturing Consent". O escândalo no Brasil é a TV globo, não o jornal impresso, como a jornalista disse: a familia brasileira distante recebe o JN como evangelho.

  6. Fabio Roquini Postado em 10/Jul/2016 às 19:03

    Frias. Mais um idiota sendo escrachado no exterior. Não dá pra sentir vergonha por ele como brasileiro, a chamada vergonha alheia, porque o cara é dono da FOLHA, jornal envolvido até o talo no golpe. A mim não me basta saber que estes lixos de meios de comunicação, Globo, Veja, Isto é, Folha, Estadão, mais seus satélites, serão superados por meios mais democráticos e interativos como a Intenet. É preciso que eles sejam derrotados em suas iniciativas golpistas sujas agora, independente do que este senado corrupto decidir. Os trabalhadores deverão enfrentar os plutocratas e seus cães amestrados com firmeza e decisão e impedir que se instale a barbárie.

  7. Tulio Postado em 11/Jul/2016 às 15:10

    Alguém sabe se tem uma versão do vídeo com legendas? Meu inglês não é fluente.

  8. sandro Postado em 21/Jul/2016 às 16:08

    E cresce o número de trouxinhas zumbis.