Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 16/Jun/2016 às 16:40
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Turista estuprada no Catar é presa por “sexo fora do casamento”

Turista holandesa denuncia estupro e é condenada no Catar por “sexo fora do casamento”. Jovem de 22 anos estava presa há 3 meses, quando informou a polícia sobre o ataque

Doha Catar turista estupro sexo
(Imagem noturna de Doha, capital do Catar)

Uma turista holandesa de 22 anos que fez uma denúncia de estupro no Catar foi condenada nesta segunda-feira (13/06) a um ano de prisão por adultério.

Segundo um tribunal de Doha, a jovem identificada como Laura será deportada depois de pagar uma multa de 800 dólares. Ela estava presa desde março, quando informou a polícia sobre o ataque.

O autor do estupro, Omar Abdullah al-Hasan, foi sentenciado a cem chibatadas por sexo ilícito e mais 40 por consumo de bebida alcoólica. Um exame médico vai determinar se ele tem condições físicas de receber o castigo.

A embaixadora holandesa no Catar, Yvette Burghgraef-van Eechoud, disse que a embaixada vai ajudar a jovem a deixar o país. “Vamos fazer de tudo para tirá-la do país o mais rápido possível para onde ela queira ir”, disse.

A embaixadora conversou com Laura, que não participou do julgamento. “Sob as atuais circunstâncias, ela está bem”, afirmou. “O mais importante agora é que ela chegue bem em casa”, disse a mãe da garota a um canal de televisão holandês.

Estupro e adultério

Laura foi presa no dia 14 de março. Segundo o advogado Brian Lokollo, a jovem estava no Catar de férias com uma amiga e foi a uma festa num hotel da capital Doha. “Ela foi dançar, mas quando retornou à mesa depois do primeiro gole da bebida, ela percebeu que tinha sido drogada”, afirmou.

Ela não se lembra de nada até a manhã seguinte, quando acordou num apartamento desconhecido e percebeu “horrorizada” que tinha sido vítima de um estupro, segundo Lokollo.

O sírio que a atacou alegou que tiveram sexo consensual e que ela ainda pediu dinheiro. Laura foi presa assim que fez a denúncia por suspeita de adultério (fazer sexo fora do casamento). O “crime” é considerado grave no país conservador, que vai receber a Copa do Mundo de 2022.

O caso gerou uma campanha internacional nas redes sociais com a hashtag #freelaura. No Twitter, o ministro das Relações Exteriores da Holanda, Bert Koenders, disse que ficou “aliviado” com o veredicto.

Em 2008, uma australiana ficou presa por oito meses depois de denunciar um estupro coletivo num hotel nos Emirados Árabes Unidos. Em 2013, uma norueguesa que alegou ter sido abusada sexualmente foi condenada a 16 meses de prisão por fazer sexo fora do casamento, mas foi perdoada e pôde deixar o país.

afp/ap/dw

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 16/Jun/2016 às 22:05

    Nada de novo oriundo de uma região conservadora ao extremo, onde homossexualismo é crime, sexo no namoro é crime, mulheres dirigirem seus próprios carros é crime, beijar no Ramadã é crime, ser de outra religião é crime, ser um homem bonito é crime (acreditem, um fotógrafo do Emirados Árabes Unidos foi preso na Arábia Saudita por ser bonito demais). Ou seja, essas besteiras que dão ao ser humano a liberdade básica numa sociedade democrática são crimes; porém o homem estuprar uma mulher não é crime (pra ele), matar uma boate lotada de gays não é crime, vender sua filha em casamento como naquela novela nojenta da Silah não é crime, casar-se com crianças não é crime. Acredito que muita gente aqui que defende a Palestina, entende que aquelas terras são uma exceção, justamente por estarem ligadas à uma história sagrada no passado e logo adotou também os conceitos do Islã (e que mesmo assim formam mini terrorismos). Sabem que os demais países árabes são inimigos da liberdade do ser humano. Atrocidades são feitas contra pessoas que não se encaixam num perfil que eles impuseram. Vou te dizer, se os protestantes (assembleanos) são pessoas com a mente praticamente fechada, imaginem os islâmicos.