Redação Pragmatismo
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Corrupção 17/Jun/2016 às 16:50
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Saiba quanto cada político denunciado por Machado recebeu em propina

Em delação, Sérgio Machado revelou ter intermediado repasse de propina a mais de 20 políticos de diversos partidos. Confira quanto cada um recebeu, segundo o delator

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Lista revela quanto cada político recebeu em propina (Reprodução/Folhapress)

Em seu acordo de delação premiada na Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou ter intermediado o repasse de propina para ao menos 25 políticos quando ocupava o cargo máximo na subsidiária da Petrobras. Sua denúncia envolve nomes importantes do PMDB, DEM, PSDB, PT e PP.

Segundo Machado, parte dos pagamentos foi em dinheiro e outra parte em doações eleitorais. Todos os citados negam irregularidades.

Como os repasses foram feitos em parcelas pagas ao longo de vários anos, não é possível atualizá-los para valores atuais. Por isso, as quantias estão exatamente como citadas em seu depoimento.

Veja abaixo o que dizem os políticos denunciados:

RENAN CALHEIROS. Presidente do Senado, Renan (PMDB-AL) disse que “nunca autorizou ninguém parar falar em seu nome” e que todas as doações que recebeu para campanhas eleitorais, foram legais e com contas prestadas e aprovadas pela Justiça. “Não tenho absolutamente nada a temer”, afirmou.

JUCÁ, LOBÃO E SARNEY. O advogado dos senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB -MA) e do ex-presidente José Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, disse que os três negam ter recebido recursos de Machado.

“A delação é bastante ampla e tem que ver qual é a credibilidade dela, tendo em vista que ela foi feita para livrar os filhos [de Sérgio Machado] da cadeia. A delação tem que ser vista com muitas reservas”.

CHALITA. Gabriel Chalita (PDT), hoje secretário municipal de Educação de São Paulo, disse que, como manifestado anteriormente, não conhece e não tem nenhum contato com Machado. Ele afirmou ainda que nunca soube de um eventual pedido que teria sido feito pelo presidente interino.

AÉCIO NEVES. Em nota, o senador Aécio Neves negou que tenha usado propinas para comprar apoio na Câmara dos Deputados.

“São acusações falsas e covardes de quem, no afã de apagar seus crimes e conquistar os benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar. Qualquer pessoa que acompanha a cena política brasileira sabe que, em 1998, sequer se cogitava a minha candidatura à presidência da Câmara dos Deputados, o que só ocorreu muito depois. Essa eleição foi amplamente acompanhada pela imprensa e se deu exclusivamente a partir de um entendimento político no qual o PSDB apoiaria o candidato do PMDB à presidência do Senado e o PMDB apoiaria o candidato do PSDB à presidência da Câmara dos Deputados. A afirmação feita não possui sequer sustentação nos fatos políticos ocorridos à época.”

VACAREZZA. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que “Machado nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse. Ele cita meu nome de forma genérica, sem dizer qual empresa [doou], qual o valor [foi doado]. Isso nunca existiu”.

HENRIQUE EDUARDO ALVES. O ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) disse que “repudia a irresponsabilidade e leviandade” das declarações de Machado e que “nunca pediu qualquer doação ilícita a empresários ou qualquer que seja”.

Em nota, Alves disse que todas as doações para suas campanhas “foram oficiais”, com prestações de contas “aprovadas” pela Justiça Eleitoral. O ministro afirmou ainda que “está à disposição da Justiça” e “confiante que as ilações envolvendo o seu nome serão prontamente esclarecidas”.

JADER BARBALHO. O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) disse: “Eu não trato de declaração deste canalha porque não sou especialista em estrume. O que ele quer, na verdade, é, combinado com o Ministério Público e a Justiça, sair da cadeia e ir beber vinho em Paris com os filhos. É um bandido com cobertura judicial. Não acredito em nada deste rapaz e não me causará nenhuma espécie se ele citar o papa Francisco para se livrar da cadeia. Inclusive, sou pessoalmente incompatibilizado com este canalha, não falo com ele há anos”.

GARIBALDI E WALTER ALVES. Tanto o senador Garibalde Alves (PMDB-RN), quanto o deputado Walter Alves (PMDB-RN) afirmaram, ambos por meio de nota, que as doações recebidas foram legais, “oficiais e sem nenhuma troca de favor, benesse ou vantagem de qualquer natureza”.

Para os parlamentares, esse tipo de arrecadação de campanha estava prevista em lei e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), “inclusive fixando percentuais para pessoas físicas e jurídicas”.

AGRIPINO MAIA. O senador José Agripino Maia (DEM-RN) afirma que as doações recebidas “foram obtidas sem intermediação de terceiros, mediante solicitações feitas diretamente aos dirigentes das empresas doadoras”. Ele ainda afirma que, como presidente de partido de oposição, não teria nenhuma “contrapartida a oferecer a qualquer empresa que se dispusesse a fazer doação em troca de favores” do governo. Por fim, reafirma que as doações recebidas têm “origem lícita” e foram declaradas à Justiça Eleitoral.

LUIZ SÉRGIO. O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) confirma ter recebido doações da Queiroz Galvão, mas afirma que elas foram legais.

“Pedi doação para minha campanha, até porque todo candidato pede. Mas pedi doações legais, recebi e declarei tudo na Justiça Eleitoral. O que recebi da Queiroz Galvão está declarado na minha prestação de contas: foram R$ 332,5 mil em 2014. Esses valores estão errados [Sérgio Machado diz que os repasses ao deputado foram feitos via Queiroz Galvão: R$ 200 mil em 2010 e R$ 200 mil em 2014]. Eu não sabia da relação que Sérgio Machado estabelecia com as empresas. Uma coisa é pedir doação legal e declarar, que foi o que eu fiz. Outra coisa é participar de um esquema criminoso”, afirmou.

FELIPE MAIA. O deputado Felipe Maia (DEM-RN) se disse surpreso com a citação de seu nome.

“Todas as doações recebidas na minha campanha foram devidamente contabilizadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Em 2014, as doações recebidas de empresas privadas, dentro do que regia a legislação vigente, foram arrecadadas pelo diretório nacional do meu partido e sem intermediários”, disse Felipe Maia (DEM-RN) em nota.

“Fui surpreendido com a citação do meu nome na delação do ex-senador Sérgio Machado. Afinal, como parlamentar de oposição há 10 anos, jamais teria como condicionar doação à troca de favores de governo”, acrescentou.

JANDHIRA FEGHALI. Em nota, a deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) reafirmou ter se encontrado algumas vezes com Sérgio Machado, em reuniões públicas relativas ao setor da indústria naval, e que todas as doações que recebeu foram lícitas, registradas e aprovadas pela Justiça.

“Nunca conheci ou participei de qualquer conduta, ou esquema criminoso envolvendo a Transpetro e jamais aceitaria doações se pudesse supor serem de origem ilícita. Repudio a tentativa de criminalizar as doações feitas segundo as leis à época vigentes, portanto legais e públicas, e qualquer tentativa de vincular meu nome ao recebimento de propina”, disse a deputada, afirmando ainda que irá processar Machado por calúnia e difamação.

VALDIR RAUPP. Em nota, a assessoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) negou que ele tenha solicitado doações para o ex-presidente da Transpetro. “O senador Valdir Raupp repudia com veemência as ilações do sr. Sérgio Machado, na sua delação e afirma que nunca solicitou ao delator doações para campanhas eleitorais. Portanto, são mentirosas e descabidas as citações feitas ao seu nome.”

JORGE BITTAR. O presidente da Telebras e ex-deputado pelo PT do Rio de Janeiro, Jorge Bittar, negou que tenha tido reuniões para solicitar recursos a Sergio Machado.

“Todas as doações recebidas por minhas campanhas foram feitas de forma legal e devidamente registradas na Justiça Eleitoral”, disse, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa.

Folhapress

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