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Mulheres violadas 28/Jun/2016 às 23:14
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Padre Fábio de Melo pede desculpas por vídeo que trata de violência doméstica

Um vídeo difícil de defender do padre Fábio de Melo foi publicado na internet e ele pediu desculpas pelo teor do conteúdo. Internautas resgataram pregação em que o religioso diz que as mulheres são responsáveis por sofrerem agressões

padre fabio de melo vídeo 2006

O Padre Fábio de Melo utilizou o Twitter mais uma vez para se desculpar pela repercussão negativa do vídeo de uma pregação feita em 2006. No registro, ele afirma que as mulheres são as culpadas por sofrerem violência doméstica.

“O agressor só se torna agressor porque a vítima o autoriza”, diz o padre. Mais adiante, ele insinua que a mulher tem o poder de determinar se continuará sendo agredida ou não dizendo: “Não é nenhuma palavra nem um grito que vai dizer ‘não me bata’, mas é o seu jeito de ser mulher”.

Os internautas consideraram a pregação machista e reagiram debatendo com ele a questão da violência doméstica. “O silêncio da vítima às vezes é a sobrevivência dela”, rebateu uma internauta.

Após a repercussão negativa, o padre tentou se justificar e falou mais sobre o episódio.

“O vídeo é de 2006. Na época eu chamava a atenção sobre o silêncio das mulheres na manutenção dos agressores. Eu salientava que, quando não há a denúncia, estamos, ainda que inconscientemente, reforçando o papel do agressor. Nunca fui adepto do discurso ‘a culpa é da vítima’. É odioso pensar assim”, declarou ele. “(Mas) quando não nos posicionamos, damos ao outro a autoridade sobre nós. Este é o grande erro. O que me assusta é a postura das pessoas descredenciando minha luta pelos direitos humanos, tachando-me de misógino. […] Fazer uma leitura hoje com uma palestra que tem 10 anos é desconsiderar o avanço que todo ser humano pode fazer em relação aos assuntos”, disse Fábio de Melo.

“É muito desconfortável ser promotor do que abominamos. Culpar a vítima é abominável. Se fui infeliz na linguagem, resta-me retratar. Peço perdão. Eu nunca pretendi dizer que a vítima é culpada,apenas salientei que a não denúncia reforça o agressor”, finalizou.

No Twitter, ele afirmou que na mensagem não pretendia culpabilizar as mulheres pelas agressões sofridas. No entanto, reiterou sua posição a respeito da não denúncia.

VÍDEO:

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Comentários

  1. Dyego Alves Postado em 29/Jun/2016 às 00:35

    Eu entendi dessa forma também, numa abordagem mais vinculada a encorajar as mulheres a denunciarem do que de uma forma machista. Eu acompanho as pregações dele , e ele está longe de ser machista. Isso é coisa de "hater", desenterrar uma pregação de 10 anos atrás pra tentar desvirtuar o trabalho do padre, que diferentemente de muitos pastores evangélicos que estão na mídia, realmente prega o amor e a tolerância.

    • Rodrigo Postado em 29/Jun/2016 às 10:19

      (Outro Rodrigo) Pois é, Dyego. Por vezes a linguagem utilizada pode não ser a mais feliz ou a mais compreensível, por permitir mais de uma interpretração, mas o sentido é realmente esse: em qualquer caso de violência, a ausência de denúncia (seja pela vitima, seja por quem dela tenha conhecimento - aqui, claro, cabe o gancho para casos de pedofilia encobertos por sacerdotes que deles tiveram conhecimento, este que deram sensação de liberdade para agredir e de impunidade para os Padres pedófilos) logicamente leva à sensação de impunidade pelo agressor e este vê-se estimulado a persistir em sua prática opressora e lesiva. É assim com a violência doméstica, é assim nos demais casos de violência. Assim, sendo certo a realidade de muitas mulheres que não denunciam por não terem para aonde ir, por não terem como sair de casa e levar os eventuais filhos, por não ter quem proveja seu sustento (no caso daquelas que optaram ou foram forçadas a "optar" por cuidar do lar), mesmo com essa escusa justificável para o silêncio o agressor vê-se impune. Ressaltar, pois, a importância da denúncia não é menosprezar situações peculiares de determinadas vítimas da violência, nem mesmo importa em afirmar que a culpa é da vítima e ponto.

  2. Rafael Martini Postado em 29/Jun/2016 às 01:02

    Existem relacionamentos em que há dependência financeira, filhos ou outros fatores relevantes envolvidos que dificultam por demais a chance da mulher largar o agressor. E também casos em que a mulher tem sua auto estima destruída, impedindo o abandono do relacionamento abusivo. Creio que o padre tenha se referido à segunda situação. Neste sentido, se não houver iniciativa da vítima, por mais apoio externo que esteja à disposição dela, este será praticamente inútil enquanto a mulher não se der conta da situação e posicionar-se contra o abuso.

  3. João Paulo Postado em 29/Jun/2016 às 02:10

    Que gentinha mal intencionada, safada e hipócrita! O padre falou o óbvio: mulher de malandro sempre continuará apanhando se não mudar sua postura (silêncio, omissão) e não seguir a vida em frente, abdicando de conforto financeiro ou críticas do meio social doentio ou qualquer outro motivo que a vincule ao agressor.

    • Allan Postado em 29/Jun/2016 às 09:35

      Exato. Muitas mulheres estão em situações, diversas, de opressão. Só depende delas abrir mão do laço que as prende aos opressores. É preciso que elas digam basta!

  4. João Paulo Postado em 29/Jun/2016 às 02:17

    Que gentinha mal intencionada, safada e hipócrita! O padre falou o óbvio: mulher de malandro sempre continuará apanhando se não mudar sua postura (silêncio, omissão) e não seguir a vida em frente, abdicando de conforto financeiro ou críticas do meio social doentio ou qualquer outro motivo que a vincule ao agressor..

  5. paulo rocha Postado em 29/Jun/2016 às 07:05

    Nós adoramos uma polêmica,digo nós,pra não me descarta dos demais,o padre foi correto em sua colocação,nós às vezes,não decodificamos o verdadeiro sentido das palavras.

  6. Arilson Botelho Postado em 29/Jun/2016 às 08:28

    A verdade é que existem pessoas que passam o dia sem ter o que fazer!!! Criando histórias, mudando o sentido dos fatos para gerar polemica...concordo inteiramente com João Paulo.

  7. Eduardo Ribeiro Postado em 29/Jun/2016 às 08:52

    Dizem que é um homem bem intencionado, do bem. Mas...errou. Vagabundo de internet foi cavar 90 anos no passado pra perturbar a boa imagem do cara, coisa de menino buchudo desocupado. Mas falou e errou sim, e tem que pedir mil desculpas todos os dias daqui em diante. Culpabilização da vítima é errado por mais que você dê voltas e voltas e faça mil malabarismos retóricos com uma voz aveludada e trajes litúrgicos. Pra quem conhece o cara e acha que ele merece o benefício da dúvida, tem que no mínimo assumir que ele fez uma péssima péssima e péssima escolha de palavras.

    • vitor Postado em 29/Jun/2016 às 09:28

      Nossa! Você não prefere queima-lo na fogueira de vez? Ha dez anos não falamos em identidade de genero como falamos hoje. Os conceitos para definir uma pessoa não hetero evoluíram de forma meteórica. Assim como os que dizem respeito ao racismo, violência contra as mulheres, bullying... E assim caminha a humanidade. Hoje não caminha, ela VOA. E é de uma falta de honestidade tamanha desenterrar discursos, ignorando o contexto histórico. É o mesmo quando pegam os discursos do Lula na década de 80 e cobram aquela postura crua nas ações de hoje. Esse trabalho de "desconstrução" diário é dificílimo. Hoje, quem sabe, Bolsonaro aprenda que não se pode falar o que falou (mesmo não sendo ele acusado de nenhum estupro). Então vamos sim evoluir os conceitos, discursos e apoios. Mas sem tacar pedras em quem esta ao nosso lado. E se desenterrarmos seu Twitter? O que será que encontraremos de 10 anos atrás?

      • Eduardo Ribeiro Postado em 29/Jun/2016 às 12:09

        Calma, fã do padre. Não fale de 10 anos atrás como se 2006 fosse Idade Média ou vigorasse a Lei de Talião. Eu entendo você dizer que em 1412 as coisas eram diferentes, de lá pra cá houve espaço pra muita evolução, o povo da Mesopotâmia encarava as coisas de outra forma. Ok. E eu entenderia se se tratasse de alguem hoje com 21 anos, que na época estava com 11 e não tinha juizo nenhum. Mas pense em alguém já adulto, homem feito em 2006 - não em 100 a.C., estamos falando de 2006 - , já reconhecido, pregando pra centenas de pessoas - entre as quais, mulheres - , dizendo na cara delas que a culpa da violência doméstica muitas vezes é da própria mulher. Não tem que queimar na fogueira, mas não tem que passar pano, ficar de mimimi "coitado do padre, ele foi vítima da visão errada do seu tempo". Porra nenhuma. Se o pronunciamento fosse hoje, estaria errado. Fez o pronunciamento pífios e patéticos 10 anos atrás e está TÃO ERRADO QUANTO SE FOSSE HOJE. Não mais, não menos. IGUAL. O tempo é IRRELEVANTE neste episódio, meu caro. No meu Twitter - se eu o usasse pra algo - você jamais vai encontrar, por exemplo, comentários meus culpando a vítima em casos de violência contra a mulher. Nem hoje, nem 10 anos atrás. Porque 10 anos atrás eu era adulto, homem, e sempre tive carater. Homem que bate em mulher está ABSOLUTAMENTE errado, violência doméstica JAMAIS É CULPA DA MULHER, sem brecha pra discussão nenhuma.

      • Márcio Ferreira Postado em 29/Jun/2016 às 20:28

        Não Ribeiro, quem errou foi você. Sempre com essa postura solene de sentenciar "quem errou ou quem não errou". Nunca pensei que fosse defender algo dito pelo padre(?) rico e vaidoso, mas ele não errou. Vai me me tachar de "fã do padre" também? Não faça isso consigo mesmo. Nenhuma mulher está imune à violência. Aliás, ninguém. Mas a própria sociedade está evoluindo cada vez mais rápido e 10 anos são, sim, muito tempo. Coincidência ou não, a título de curiosidade, a Lei Maria da Penha é de exatos 10 anos atrás. E você (acha que) sabe se mudou algo? Bom, eu estagiei em Defensoria Pública antes dela e fiz trabalho voluntário também em Defensoria Pública depois dela. Sim Ribeiro, a postura das mulheres mudou. E tem que continuar mudando. A sociedade muda rápido demais para certas pessoas retrógradas e estúpidas. Não impeça as pessoas de mudar para melhor. E nem impeça quem incentiva isso. Vai fazer algo de útil em vez de bravatear pela internet.

      • Eduardo Ribeiro Postado em 30/Jun/2016 às 10:26

        Não, você não é fã do padre. Parece mais meu fã (apesar de eu não me lembrar de você). Mas não, menino Marcio. Trabalho com fatos. Quem errou foi o padre ao culpabilizar a vítima. Repito: vocês estão desesperados, agarrados nessa balela de 10 anos, e fazem parecer com que 2006 seja a era das trevas, em que se incendiavam bruxas e acreditava-se que a Terra era quadrada. Se ao menos estivéssemos falando de 1960, quando a sociedade era notoriamente outra, eu aceitaria esse pseudo-argumento de "o mundo mudou". Mas não. Culpabilização da vítima é condenável hoje TANTO QUANTO ERA em 2006. E detalhe: em 2006 o tal padre já era uma celebridade, já era homem adulto, supostamente ajuizado, e culpou, sim, as mulheres por serem espancadas pelos maridos. Não vi uma palavra dele falando sobre a necessidade de se educar a nova geração de homens de então para evitar esse comportamento no futuro (no caso, os homens adultos de hoje que estão batendo em mulher por aí). Ele optou na época por naturalizar a violência e colocar a culpa na vítima. E digo mais: a superestimação do período que separa a declaração na época de hoje é meramente um espantalho pra desviar o foco do verdadeiro assunto. Porque mesmo que o mundo tivesse virado de ponta-cabeça em 10 anos - coisa que não aconteceu - , culpabilizar a vítima É IRREVERSIVELMENTE ERRADO. Se houvesse verdadeira grandeza nesse tal padre, ele já teria percebido isso na época em que bostejou no microfone, e seria uma voz dissonante dentro de uma sociedade que batia palma pra agressor e culpava a vítima. Na época, quem tinha 2 neurônios funcionando e carater já sabia que a culpa da violência doméstica é EXCLUSIVA do homem, e que a mulher era sempre VÍTIMA, independente da noção social imperante de então. Ele pensava diferente, então tire daí suas conclusões.

  8. Débora Postado em 29/Jun/2016 às 09:53

    O que o padre falou não deixa de ser verdade. Eu fiz terapia por muitos anos, e uma das colocações mais marcantes da minha psicóloga era: "As pessoas só fazem com a gente aquilo que a gente deixa que elas façam." Claro que essa colocação fora do contexto é polêmica, afinal muitas mulheres vivem sob ameaças, tem filhos, não tem pra onde ir, aí a coisa muda de figura. Mas o fato é que muitas vezes por carência, nos sujeitamos a abusos em que só resta a nós dar um basta! Acho interessante resgatar o vídeo para um debate, para vermos a evolução dos direitos humanos na última década, mas julgar o padre por algo que foi dito há 10 anos atrás tem o menor cabimento.

    • Tunico Postado em 01/Jul/2016 às 12:34

      Irretocaveis as palavras do Márcio Ferreira e da Débora.

  9. sergio ribeiro Postado em 29/Jun/2016 às 11:59

    O padre não se expressou muito bem e esse foi seu verdadeiro erro. Quanto a questão da não-denúncia, ele tem razão. É preciso quebrar o ciclo da violência. Mil vezes uma declaração incompleta dele a um discurso do Silas Salafrário.

  10. julia Postado em 29/Jun/2016 às 13:52

    É uma cultura tão enraizada, arraigada e entranhada que, inconscientemente, o cidadão se entrega através de meias verdades...Isso acontece todos os dias!

  11. eu daqui Postado em 30/Jun/2016 às 12:03

    Então a culpa é do "jeito de ser mulher": ou se sujeita ao padrões ou apanha.