Redação Pragmatismo
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Esporte 04/Jun/2016 às 09:06
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Morre Muhammad Ali, o maior de todos os tempos

Muhammad Ali morre aos 74 anos. Uma das personalidades mais singulares e eloquentes de seu tempo, o tricampeão mundial e campeão olímpico excedeu os limites do boxe, lutou contra o racismo e combateu injustiças

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Muhammad Ali

O tricampeão mundial e campeão olímpico de boxe Muhammad Ali morreu na noite desta sexta-feira (03) em Phoenix, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por um porta-voz da família, Bob Gunnell, e compartilhada nas páginas oficiais de Ali. O corpo será enterrado em Lousville, cidade natal de Ali, e numa uma entrevista coletiva neste sábado serão informados os procedimentos do funeral.

O ex-boxeador de 74 anos estava internado desde a quinta-feira em decorrência de problemas respiratórios. Foi a última de diversas internações pelas quais passou o norte-americano nos últimos anos por problemas como pneumonia e infecção urinária. Há mais de três décadas ele sofria de mal de Parkinson, e suas aparições públicas estavam cada vez mais raras.

Medalhista de ouro nos Jogos de Roma-1960, em sua única participação olímpica, Ali logo tornou-se pugilista profissional. O primeiro de seus três títulos internacionais foi conquistado em 1964. Ele terminou a carreira com 56 vitórias, 37 delas por nocaute, após 61 lutas.

Lenda

Como pugilista, o americano teve suas lutas mais famosas chamadas de “Rumble in the Jungle” – contra George Foreman em Kinshasa, capital do Zaire (hoje chamado de República Democrática do Congo), em outubro de 1974 – e “Thrilla in Manila” ante Joe Frazier, nas Filipinas. Ambas foram realizadas depois do auge físico do boxeador, que nem sempre teve esse nome.

Nasceu Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, cidade do estado americano de Kentucky, em 17 de janeiro de 1942 e teve uma carreira amadora de sucesso, coroada com uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960, na categoria dos meio-pesados.

Foi após a Olimpíada que Clay se profissionalizou e teve rápida ascensão entre os pesados. Em apenas três anos, realizou 19 lutas e venceu 15 delas por nocaute. Seu primeiro cinturão veio no combate seguinte, contra Sonny Liston, por nocaute técnico. A luta ocorreu em fevereiro de 1964.

Na revanche, em maio de 1965, não havia mais Cassius Clay, mas Muhammad Ali. O pugilista recebeu seu nome muçulmano após integrar o grupo religioso chamado Nação do Islã, do qual fazia parte Malcom X, ativista que é creditado como seu mentor político.

O sucesso profissional continuou enquanto suas polêmicas fora dos ringues cresciam. Em oposição à Guerra do Vietnã, se recusou a integrar o exército dos Estados Unidos, foi sentenciado à prisão por cinco anos e suspenso do boxe por três anos pelo estado de Nova York em 1967.

Ali não chegou a ser detido, pois pagou fiança e aproveitou o tempo afastado do esporte para viajar pelo país criticando a guerra e lutando contra o racismo em palestras e em universidades diversas.

Liberado para lutar em 1970, Muhammad Ali sofreu sua primeira derrota como profissional no 32ª confronto da carreira, o primeiro contra o também invicto Joe Frazier. O evento ficou conhecido como “A luta do século” e definido por decisão unânime a favor de Frazier, que encarou Ali em outras duas ocasiões, perdendo ambas.

Os títulos mundiais, revogados após a suspensão, só foram recuperados por Ali no “Rumble in the Jungle” e mantidos até setembro de 1977, quando ele foi derrotado por Leon Spinks por decisão dividida. Ali ainda conseguiu reaver seus cinturões em revanche com Spinks em setembro de 1978. Uma aposentadoria temporária foi anunciada, porém interrompida para mais duas lutas, duas derrotas que encerraram a carreira do pugilista com um cartel de 56 vitórias e cinco derrotas (somente uma por nocaute).

Parkinson

Os anos tomando socos não foram gentis com Ali, que já sofria com tremores das mãos e dificuldade na fala pouco antes da sua aposentadoria. Sinais de que o Mal Parkinson diagnosticado anos depois tinha se manifestado anteriormente. A doença foi debilitando-o gradualmente, mas até o início dos anos 2000 o ex-pugilista era visto com certa regularidade em aparições públicas.

A mais significativa foi nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Em segredo, a organização elegeu-o para acender a pira olímpica, mantendo-o fora até do último ensaio da cerimônia de abertura. Para a surpresa e emoção dos milhares presentes Estádio Olímpico de Atlanta, fora quem acompanhava pela televisão, Ali apareceu com a tocha em mãos, recebeu a chama e, com tremores agudos nas mãos, ergueu-a e usou-a para concluir o evento.

Atlanta não foi a última Olimpíada em que o ex-atleta deu as graças. Em Londres-2012, muito mais frágil fisicamente, Ali participou novamente da abertura como parte de um grupo de dignitários que acompanharam a bandeira olímpica ao palco da cerimônia. Ele estava acompanhado de sua quarta esposa, Lonnie, com quem se casou em 1986 e teve um filho adotivo. O ex-boxeador também teve quatro filhos com sua segunda esposa, Khalilah, duas filhas com a terceira, Veronica, e outras duas de relacionamentos extraconjugais.

VÍDEO:

informações de UOL e EFE

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Comentários

  1. george Postado em 04/Jun/2016 às 09:49

    Atleta Genial e grande inspiração para toda uma geração. Pena o esporte não produzir mais personalidades como Ali.

    • Ingrid Postado em 04/Jun/2016 às 14:24

      Faz muito muito tempo que não tenho essa sensação forte de que o mundo perdeu uma lenda .

  2. Salomon Postado em 05/Jun/2016 às 10:13

    Como praticante do esporte, sei a dificuldade que é combater durante um único assalto. Imagine durante 15 rounds e...bailando! A esquiva e a velocidade do jab eram seu forte. Ali foi simplesmente o maior. Um gênio dentro e fora do ringue. Do seu jeito, no seu estilo, deixou sua marca, combatendo o racismo, a guerra e a injustiça social. Bem diferente do Pelé, que foi genial somente no gramado. Fora de campo, Pelé teve tudo para ser um formador de opinião mundial, mas se limitou a fazer propaganda de café, apoiar a ditadura e falar asneiras. Aqui ainda temos o Maguila, que foi o maior pugilista brasileiro de todos os tempos e que está perto de nos deixar, mas não foi devidamente reconhecido. Que outros atletas mirem o exemplo de Ali. Morreu o homem, nasceu o mito.

  3. Serjão Postado em 05/Jun/2016 às 15:22

    Dois indigestos nocautes: Um na Casa grande, o outro nos WASP.. Um é o Lula, o peão. O outro é o Muhammad Ali, o negro. https://www.youtube.com/watch?v=9Te78-iRaVw

  4. Eduardo Ribeiro Postado em 05/Jun/2016 às 21:32

    A humanidade perdeu um dos maiores seres humanos que o mundo produziu no século passado. Um exemplo de como usar sua monstruosa preponderância no mundo esportivo para falar o que deve ser falado, apontar o dedo na cara de quem deve ser apontado, levantar bandeiras importantes e dar sua contribuição para mudar o mundo. Pelé, o rei do futebol, é um ninguém, uma nulidade, um pequeno anão liliputiano perto do gigante Ali.

  5. Carlos Augusto Normann Postado em 06/Jun/2016 às 09:51

    O Jordan dos ringues, o Baryshnikov de luvas, o homem que nocauteou a sociedade americana e a hipocrisia em geral, reinventor do boxe, leve como a borboleta e feroz como a abelha, para sempre, deixa a vida para integrar as Lendas.

  6. Thiago Teixeira Postado em 06/Jun/2016 às 12:59

    Tomara que saia do ar e fique só o G1 falando bem do governo golpista.

  7. Denisbaldo Postado em 06/Jun/2016 às 15:15

    E o Pele ainda pensa que eh branco.

  8. gustavo0 Postado em 07/Jun/2016 às 09:34

    Falam do Pelé como se o mesmo fosse um monstro. Deixem de ser babacas, complexados vira-latas! Respeitem a história do maior esportista brasileiro e maior expoente do Brasil no mundo.

    • Eduardo Ribeiro Postado em 07/Jun/2016 às 15:07

      Pelé enquanto esportista, dentro de campo, rivaliza com qualquer outro monstro do esporte. Ninguem discute isso.

  9. Nilo Postado em 08/Jun/2016 às 11:14

    Um dos maiores de todos os tempo!